Jiu-jítsu: Gissele Cardoso, uma vitória de cinema

Gissele Cardoso, de 44 anos, da academia Gracie Barra Pelotas, venceu o IBJJF Masters International Europe 2025, um dos mais importantes torneios de jiu-jítsu para atletas masters do mundo na categoria super pesados master III. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

A lutadora Gissele Cardoso, de 44 anos, da academia Gracie Barra Pelotas, venceu nesta semana o IBJJF Masters International Europe 2025, um dos mais importantes torneios de jiu-jítsu para atletas masters do mundo na categoria super pesados master III. Professora do curso de Cinema e Animação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Gissele participou pela primeira vez da competição.

A atleta começou no jiu-jítsu em 2019 e, até viajar para Barcelona (ESP), tinha um cartel de apenas seis lutas, todas disputadas em torneios nacionais internos da rede Gracie Barra, sendo a última disputada em 2023.

A ideia de competir na Europa surgiu com o marido e professor Daniel Mota, no início do ano e, de lá para cá, a rotina do casal foi de treinamentos duros e foco completo no torneio.

Na Espanha, Gissele enfrentou uma lutadora italiana na primeira luta e fez a final contra uma norte-americana. “Nessa categoria, as lutadoras têm a partir de 80 quilos e as duas eram mais pesadas do que eu e, também, mais jovens. A segunda luta foi a mais difícil porque eu saí da primeira luta e tive 10 minutos apenas para recuperar e ela estava esperando e estava descansada”, contou.

Mais do que a medalha de campeã, Gissele trouxe na bagagem um grande aprendizado tirado da primeira experiência internacional. “A gente luta, se desafia, mas a ideia é se aprimorar, não para criar uma rivalidade nem nada do tipo. E um aprendizado importante é de que toda a diferença para o resultado foi a equipe. A arte marcial parece um esporte muito individual, mas, na verdade, durante toda a luta, sempre lembrava de um colega e de alguma técnica que eu tinha passado com algum deles e com os professores. Isso foi fundamental para as vitórias”, disse.

A partir do resultado obtido, Gissele já pretende começar, agora, a preparação para a edição 2026 do torneio. “A gente luta, se desafia, mas a ideia é se aprimorar, né? Não é tu criar uma rivalidade nem nada. Então, eu pretendo voltar no ano que vem, pretendo estar mais preparada, porque esse ano eu comecei a treinar em janeiro e fui agora em março, então, eu gostaria de estar muito mais preparada”.

Título coroa trabalho feito na academia

Mota, de 42 anos, destaca que a primeira participação em um torneio europeu representou a oportunidade de muito aprendizado e uma troca de experiências valiosa para a academia Gracie Barra Pelotas. “Essa competição que reúne atletas campeões mundiais e de um nível técnico altíssimo e estar performando com esses lutadores é muito bom. Agora, queremos fazer um trabalho mais longo e preparar mais atletas para 2026 e chegar com uma equipe maior nessa competição que reúne atletas campeões mundiais e de um nível técnico altíssimo”, afirmou.

A equipe da Gracie Barra Pelotas participou do IBJJF Masters International Europe 2025 com o patrocínio de Imobiliária Requinte, Charqueadas Praça 20, Spa do Pet e Supermercado Iemanjá.

A parceria Gracie Barra

A parceria com a Gracie Barra – a maior rede de academias de brazilian jiu-jítsu do mundo, com mais de 1 mil centros de treinamento em cinco continentes – foi iniciada há cinco anos a partir do trabalho desempenhado por Mota em outras modalidades e projetos.

A rede foi fundada pelo mestre Carlos Gracie Junior, filho de Carlos Gracie e sobrinho de Hélio Gracie, responsáveis por criar e desenvolver o brazilian jiu-jítsu. A partir disso, o método de ensino dos precursores do esporte no país foi padronizado e é ensinado da mesma forma em todas as unidades.

Atualmente, a unidade Pelotas conta com seis turmas que treinam de segunda a sexta-feira e as aulas são para todas as idades, incluindo a turma Pequenos Campeões para crianças a partir dos quatro anos. “Para crianças, o jiu-jitsu ajuda muito em questões como respeito hierárquico, obediência a comandos, coordenação motora e, também, em se desconectar das telas, além de auxiliá-los a desenvolver um senso de responsabilidade muito maior para com os colegas”, observou o professor Letiere Oliveira, de 45 anos.