
Começou no dia 22 de fevereiro, no Centro Português 1º de Dezembro, o Campeonato de Verão de Futsete, em Pelotas. Com 580 atletas e 58 equipes divididas em cinco categorias, o torneio é o maior da modalidade no município. A competição se estende até o fim de junho e cada rodada reúne aproximadamente 1 mil pessoas na sede campestre do Clube, no Recanto de Portugal.
“O nosso campeonato é o maior e o melhor campeonato de futebol amador por associados de clubes sociais em gramado natural do país até que me provem o contrário”, diz o presidente do Conselho de Administração do Centro Português, Eduardo Gil Carreira.

A empolgação de Carreira encontra justificativas na capacidade do torneio em envolver parte substancial dos 3,5 mil sócios do clube. Hoje, todas as categorias possuem filas de espera por uma vaga em alguma das equipes. A cada rodada, os jogos, que ocupam cinco campos simultaneamente durante todo o dia, atraem centenas de espectadores, entre familiares e outros associados.
Ao final de cada campeonato – são disputadas edições de verão e inverno – é realizado um jantar baile, que costuma reunir aproximadamente 800 pessoas.
Organização padrão Fifa
Surgido no fim dos anos 1990 no estilo conhecido como “panelas” – com times formados por grupos de amigos – o campeonato de futsete do Centro Português evoluiu à medida que se popularizou e começou a atrair cada vez mais atletas.
Atualmente, os times das cinco categorias (Juvenil, Master, Veteranos 1, Veteranos 2 e Veteranos 3) são organizados por um sistema de sorteio eletrônico que mantém o equilíbrio, evitando que determinada equipe fique mais forte do que a outra. A diretoria também se preocupa em garantir que os sócios inscritos participem igualmente. Para isso, uma das regras do torneio diz que todos os 10 jogadores de cada time devem jogar ao menos metade do tempo da partida.

“Todos eles pagam uma taxa de inscrição para participar e todos têm esse direito. Então, procuramos adequar para que esse associado se sinta bem para jogar e não corra o risco de ficar de fora dos jogos”, explicou o vice-presidente de Esportes, Oswaldo Pilotto.
A disciplina é garantida por arbitragem profissional em todas as partidas e a diretoria mantém um incentivo constante à disputa respeitosa dentro da quadra, bem como ao espírito de camaradagem fora dela. “Aqui, todo mundo joga com vontade, respeitando o adversário, respeitando a parte disciplinar e é um campeonato bem disputado no qual nem sempre quem vai ponteando leva o título”, disse Pilotto.
Cada equipe conta, também, com fardamento customizado emprestado pelo clube. Dessa forma, a experiência de disputar, por exemplo, a Libertadores da América pelo Olímpia ou a Liga dos Campeões pelo Borussia Dortmund fica mais divertida.
Também é grande a preocupação com a segurança e o bem-estar dos atletas. Além de manter uma ambulância de plantão durante todas as tardes de jogos, a direção investe pesado em infraestrutura. “O grande desafio é garantir o bem-estar do sócio, ou seja, que ele possa praticar o esporte com uma retaguarda de segurança e uma infraestrutura bacana, com quadras de ótima qualidade, bons chuveiros e estrutura adequada para receber sua família”, comentou o diretor de futebol Julian Birgmann.

Do Gauchão para o “Portuguesão”
Às vésperas de completar 80 anos, o eletricitário aposentado Almir Franco Madruga é um dos mais antigos participantes do campeonato do Centro Português. Madruga chegou por volta de 1999 e, desde então, não fica de fora das listas de inscritos.
Goleiro experiente forjado nas quadras da antiga Escola Técnica Federal de Pelotas (hoje IFSul) e com três anos de passagem pelo Rio-grandense de Cruz Alta, pelo qual disputou o Campeonato Gaúcho Regional e chegou a enfrentar o Internacional de Porto Alegre, Madruga chama atenção por sua técnica e preparo físico nos jogos da categoria V3.

“É muito prazeroso disputar esse campeonato porque o pessoal tem primado pela organização e o foco principal aqui é a diversão. É uma diversão bem organizada. É um campeonato disputado, mas disciplinado. A gente faz amizades todos os anos com um grupo diferente. E aí, na história toda, a gente acaba vendo que jogou com A, com B, com C, e jogou contra A, B e C, então, não mudou nada. E embora tenha essa competitividade dentro da quadra, também tem uma grande camaradagem”, contou.
Um novato na Libertadores
Dentro do Campeonato de Verão, a categoria Master reúne atletas dos 18 aos 40 anos na Copa Libertadores da América, uma das mais acirradas disputas da competição. No último jogo, o empresário Gabriel Tavares Borges, de 37 anos, estreou pelo Colo Colo contra o Estudiantes em sua primeira participação em torneios do Centro Português.

participação em torneios
do Centro Português. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)
“Eu escuto o pessoal falar bastante que é um campeonato bem organizado, bem disputado, então, me associei para jogar e, também, aproveitar as piscinas com a família”, contou.
Acostumado a disputar campeonatos de ligas amadoras da cidade, Borges afirma que a segurança, a disciplina e o ambiente familiar foram primordiais para que decidisse voltar a competir. “Joguei por vários times, mas andei parado por causa das confusões, da desorganização e muitas brigas de outros campeonatos. A gente acaba se afastando um pouco desse tipo de campeonato para não se incomodar. E aqui o pessoal preza pela organização e o ambiente familiar, o que é muito bom”, salientou.



