A pandemia do coronavírus e o temor pela sua chegada iminente a Pelotas e região mobiliza o setor empresarial, que além da adoção de medidas preventivas em seus estabelecimentos, vem buscando formas de minimizar os impactos financeiros que a passagem do vírus deve deixar na economia local. O presidente da Associação Comercial de Pelotas (ACP), Mauro Bom, pensa à frente e vem buscando junto aos governos municipal, estadual e federal formas de reduzir os impactos futuros, especialmente nos pequenos empreendimentos, que são grandes geradores de empregos, mas têm poder de barganha menor junto a instituições financeiras, do que as grandes e médias empresas.
Implantação de linhas de crédito para pagamento de salários, adoção de juros especiais, crédito com pausa, adiamento de impostos como IPVA e IPTU estão entre as sugestões enviadas aos governantes para tentar minimizar os impactos que já são sentidos pelos empresários. “Muitos não vão ter condições de pagar os salários”, ressalta Bom.
Segundo ele, a maioria das empresas não estão faturando e é preciso evitar o fechamento de mais postos de trabalho, pois já se vive um momento de desemprego alto. Em idas diárias ao calçadão de Pelotas, Bom observa a redução substancial do movimento de pessoas nas ruas, o que consequentemente impacta os negócios no comércio. “Quem tem loja não pode fechar as portas e alguns vêm adotando, além das medidas de higiene, o rodízio de funcionários para evitar aglomeração”. O setor de serviços, por exemplo, consegue atuar remotamente e já é grande o número de estabelecimentos que vêm adotando o serviço de delivery, seja na venda de medicamentos, lanches e inclusive ranchos.
Grandes grupos de supermercados além da higienização de carrinhos, oferecem álcool gel aos clientes na entrada. “Mas isso tudo implica em aumento de custos”, ressalta. Ele cita como exemplo, as empresas de ônibus que precisam higienizar os carros ao final de cada viagem, o que se torna inviável já que também há redução no número de passageiros.
O presidente do Clube de Empresários do Fragata (Cefra), José Francisco Rita, conta que os empresários do bairro estão implementando os cuidados de higiene sugeridos, apenas lamenta, que haja falta de álcool gel. “O comércio do bairro está bastante parado o que descarta o risco de aglomeração”, afirma o empresário. Ele espera, no entanto, que esta situação não se estenda ao período de vendas da Páscoa, o que acarretaria em prejuízos ainda maiores. “Esperamos que em 20 dias termine esta loucura”, ressalta.
Em empresas com grande números de funcionários, como a cerealista Puro Grão, que possui cinco unidades na região (Pelotas matriz e filial, além das filiais de Arroio Grande, Bagé e Pedras Altas) e o total de 209 funcionários, segundo o gerente comercial, José Carlos Barreto, estão sendo adotadas algumas medidas como manter distância de, no mínimo, 1,5 metro de distância, não almoçar todos juntos, higienizar equipamento individual, não compartilhar chimarrão, atender em sala separada, não deixar cliente muito tempo aguardando, lavar mãos frequentemente.
“Quem quiser pode utilizar máscara e luvas, acho que isso vale para nossa família também. Não podemos parar de trabalhar, porém se alguém tiver uma gripe será liberado. Todo cuidado é pouco”, comenta Barreto.
Ele alerta ainda àqueles que não precisam sair de casa, para que saiam somente em extrema necessidade, não compartilhem objetos individuais e cuidem ao cumprimentar principalmente pessoas que não são da família.
Em Jaguarão e em Rio Branco (UY), os free shops Caraballat, Neutral, Luryx Duty, DFA e Panda anunciaram a suspensão das atividades por 15 dias, como medida de prevenção aos clientes e colaboradores.
No Shopping Pelotas, na última quinta (19), foi informado que as atividades estão suspensas por tempo indeterminado. Em nota, o estabelecimento afirma que as atividades serão retomadas normalmente assim que for possível. “Estamos colaborando com autoridades governamentais, reduzindo o risco de disseminação do vírus e ratificando a nossa preocupação e respeito por nossos parceiros e pela comunidade que tanto estimamos”. Para as lojas que desejam permanecer suas operações de delivery, pedidos devem ser formalizados via Serviço de Atendimento ao Lojista (SAL) para desenvolver a melhor logística.




