
Surgindo em 2008 a partir de um projeto do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) intitulado “Artesanato do Mar de Dentro”, a loja Artesanato da Costa Doce, localizada na banca 43 do Mercado Público de Pelotas, é formada por três associações de artesanato originárias da Princesa do Sul. A iniciativa leva pelo mundo não apenas o nome do município, mas também um pouco de história em cada peça produzida.
Composta por três associações de destaque na região, sendo elas: “Grupo Redeiras”, que trabalha com a reciclagem de redes de pesca; “Ladrilã”, que fomenta o uso da lã na produção artesanal; e “Associação Bichos do Mar de Dentro”, cujos produtos são inspirados em mais de 30 animais da região sul do RS. A produção consiste em uma luminária feita de lã de ovelha, que trabalha a técnica da feltragem. O objeto, por sua vez, é fruto das mãos da artesã, Tânia Furtado. No ano passado, peças produzidas pelo Ladrilã foram expostas no Jardin des Tuileires, em Paris. Ainda sem data nem local que possam ser divulgados, uma nova exposição dos objetos produzidos em terras pelotenses ocorrerá em breve na capital francesa.
A gestora de projetos do Sebrae, Jussara Argoud, que inicialmente foi responsável pelo “Artesanato do Mar de Dentro”, conta que, na época, a Ladrilã tinha seu foco na produção de vestuário. No entanto, a maior saída tida para as peças acontecia durante o inverno. Assim, com a proposta de manter a venda dos produtos em alta durante o ano inteiro, foi pensada a linha de decoração com lã, que acabou ganhando o mundo em exposições.
“Tivemos exposições em Paris e Londres de peças produzidas aqui em Pelotas. Para o nosso grupo, que trabalha com lã, acho perfeito poder mostrar coisas feitas com esse material tão nobre”, destaca Tânia.
Entre as conquistas obtidas ao longo dos anos, a artesã enfatiza o recebimento de um prêmio pelo museu A Casa de São Paulo, local que é referência no artesanato brasileiro, em que a luminária Ibatinga está em exposição até o dia 28 de fevereiro deste ano. “A gente precisa mostrar que isso está saindo aqui da região como uma forma de incentivo, né? Para que esse trabalho continue e outros surjam também”, pontua Jussara.
Após cinco anos de duração do projeto do Sebrae, as três associações já consolidadas conquistaram o espaço no Mercado Público, que hoje é conhecido como a Banca de Artesanato Costa Doce. Conforme Tânia, o grupo trabalha com inúmeras técnicas para reprodução de peças de decoração e vestuário feitos com lã. Desta forma, tecelagem e feltragem são trabalhadas desde a fiação até o tingimento.
Além da mão de obra cuidadosa, outro fator que auxiliou na repercussão internacional das peças foi a parceria com o designer gaúcho, Tiago Braga, que trabalha na curadoria de peças brasileiras, visando colocá-las em exposição na Europa. De acordo com a artesão, a Ladrilã vem produzindo peças para o designer há cerca de três anos, o que marca uma trajetória de imenso sucesso e orgulho para a cidade que foi berço de tudo isso.



