
Em meio às paisagens verdejantes de Cerrito, comunidades quilombolas preservam uma tradição culinária que remonta à época da escravidão: o pão na pedra. Essa receita simples, mas rica em significado, é um testemunho da resistência e adaptação dessas comunidades. Atualmente, Cerrito conta com duas comunidades quilombolas: a Lixiguana e o Quilombo Emília de Moraes.
O pão na pedra é feito com farinha de milho, farinha de trigo, açúcar, sal, banha e fermento químico. O cozimento ocorre sobre pedras quentes ao ar livre. A técnica é passada de geração em geração, sendo uma marca registrada da culinária afro-brasileira. “Essa receita é nossa história, nossa cultura”, afirma Rubens Nunes da Rosa, de 81 anos, quilombola local do Quilombo da Lixiguana. “Nossos avós faziam assim, e agora nós fazemos também”, completou.
A importância do pão na pedra vai além do sabor. É um símbolo da conexão com a terra e a ancestralidade. “Quando fazemos o pão na pedra, estamos lembrando de onde viemos”, explica o quilombola, que participa há mais de 10 edições da Festa do Leite Jersey de Cerrito e faz o tradicional pão na pedra para servir aos visitantes que apreciam o trabalho feito por ele. Na18ª Festa do Leite Jersey, a iguaria foi produzida na tarde do último domingo (20).
As comunidades quilombolas enfrentam desafios para manter suas tradições vivas, mas o pão na pedra permanece forte. “É uma forma de resistir à globalização e preservar nossa identidade”, destaca a antropóloga Sandra Regina Soares da Costa. O pão na pedra quilombola já ganhou reconhecimento oficial. Em 2020, foi incluído no Inventário Nacional de Bens Culturais Imateriais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Para experimentar essa deliciosa tradição, visite as comunidades quilombolas de Cerrito e região. O pão na pedra é mais do que um alimento, é uma viagem pela história e cultura do Brasil.



