Paixão Côrtes inspirou O Laçador, será?

Paulo Souza é colunista do Jornal Tradição Regional e estará autografando as obras nesta sexta-feira (28). (Foto: Divulgação)

Muita gente, especialmente os gaúchos, pensam que o folclorista Pai­xão Côrtes serviu de modelo para a criação da estátua do Laçador. Até eu pensava dessa forma, mas não é totalmente assim. Vejamos a ver­dade:

A Estátua do Laçador (ou Monumento ao Laçador) é um monumento da cidade de Porto Alegre. É a representação do gaúcho pilchado. Foi definida por Lei Municipal como Símbolo Oficial de Porto Alegre em 1992. Sua autoria é do escultor pelotense Antônio Caringi. A estátua foi tombada como patrimônio histórico da Capital em 2001. Em 2007, o monumento foi transferido de seu local original, o Largo do Bombeiro, para o sítio O Laçador, em razão da previsão da construção do viaduto Leonel Brizola.

A estátua que foi erguida em Porto Alegre é a mesma que foi aprovada no concurso, com pequenas mudanças, estas sim com a ajuda de Pai­xão Côrtes, tipo o laço no meio do ombro e as botas garrão de potro, que não estavam na maquete original, bem como colocou um bigode que também não constava na original, sendo que aí Paixão contribuiu com a sua coleção de indumentária gauchesca. O monumento é feito de bronze, tem 4,45 metros de altura e pesa 3,8 toneladas. A estátua tem um pedestal de granito trapezoidal de 2,10 metros de altura.

História do Laçador

Em 1954, para a Exposição do IV Centenário de fundação da cidade de São Paulo, no Parque Ibirapuera, foi realizado um concurso público, a convite da Secretaria Estadual de Agricultura, para a execução de uma escultura que servisse como um símbolo do Rio Grande do Sul. Caringi venceu a disputa, conquistando o primeiro, segundo e terceiro lugares (com as maquetes Boleador, Bombeador e Posteiro, respectivamente). A primeira colocada, após modificações solicitadas pelo júri, tornou-se O Laçador. Em quarto lugar, ficou o Gaúcho Farrapo, de Vasco Prado, que representava um indígena segurando uma lança e calçando botas de garrão de potro. Prado teria retirado seu projeto da disputa ao saber da colocação. A maquete encontra-se, atualmente, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Em último lugar ficou Peão da Estância, de Fernando Corona, dada como perdida.

A escultura original vencedora do concurso foi construída em gesso e fi­cou exposta no espaço central do pavilhão do Rio Grande do Sul. Após o evento, estava previsto ofertar a escultura à cidade de São Paulo. No en­tanto, tal foi a dimensão da recepção da obra por parte dos próprios gaú­chos que houve uma reivindicação popular para que o monumento fosse instalado em Porto Alegre. A obra definitiva a ser instalada em Porto Alegre foi esculpida em bronze e inaugurada em 20 de setembro de 1958, data comemorativa à Revolução Farroupilha, no Largo do Bombeiro.

Nova localização

Após 48 anos no local original, situado na avenida dos Estados, bair­ro São João, zona norte da cidade, a estátua seria deslocada. No dia 11 de março de 2007, a estátua foi transferida para o Sítio do Laçador, em frente ao primeiro terminal do Aeroporto Internacional Salgado Filho, na mesma avenida, mas a uma distância de seiscentos metros do seu antigo local. O motivo para a transferência do símbolo de Porto Alegre foi a previsão de construção do viaduto Leonel Brizola no local onde a estátua se encontrava.

O Sítio do Laçador tem seis espaços diferenciados, com as cores do es­tado do Rio Grande do Sul, em quatro mil metros quadrados de área. A estátua permanece num espaço mais elevado, no topo de uma coxilha que lhe serve de base. A estátua, nessa nova situação, continua bem vi­sível a todas as pessoas que chegam a Porto Alegre pela BR-116. O local é também utilizado para eventos e manifestações mais variadas.

Na próxima coluna vamos comentar sobre a estátua do Sentinela Far­roupilha, ou o Bombeador, sita na praça 20 de setembro, em Pelotas, que também é obra de Caringi.

Até a próxima, tchê!