São Lourenço do Sul tem mais de 5 mil desalojados devido à elevação da Lagoa dos Patos

Executivo Municipal afirma que o município precisará de reforma total de vários trechos de pavimentação, meio-fio, passeios públicos, praças, bem como a recomposição da vegetação em toda a área afetada pelas cheias. (Foto: Divulgação/Prefeitura de São Lourenço do Sul)

Há mais de duas semanas, a Prefeitura de São Lourenço do Sul monitora o nível da Lagoa dos Patos, que atingiu o pico de elevação no último fim de se­mana, quando a régua de mo­nitoramento localizada na praia, próxima ao Monumento da Cruz, marcou 2,90 metros.

Diante deste cenário, a água avançou pelas ruas da cidade, atingindo principalmente os bairros Balneário, Navegantes e Barrinha, elevando os níveis dos arroios São Lourenço e Carahá, que atingiram as casas ribeirinhas. Especificamente na região do ar­roio Carahá, “os moradores foram duramente atingidos”, afirmou o secretário especial de Gabinete, Cristian Iepsen.

Os abrigos municipais, distri­buídos na Comunidade Media­neira; Comunidade Evangélica Confissão Luterana, situada no Desenvolvimento Social, pois são servidores municipais de todas as secretarias envolvidos 24 ho­ras por dia nos abrigos”, desta­cou Iepsen.

Atualmente, as principais ne­cessidades de doações são rou­pas de cama, cobertores, ali­mentos e produtos de higiene e limpeza, que podem ser entre­gues no Centro Municipal de So­lidariedade, localizado na aveni­da Júlio de Castilhos, nº 1.918, na esquina da Praça Central Dedê Serpa (antiga Secretaria de Edu­cação, Cultura e Desporto, nas proximidades do prédio da Pre­feitura). Os itens também serão importantes quando as famílias retornarem às suas casas, visto que muitos pertences foram per­didos e será necessário limpar e higienizar as residências.

Devido à imprevisibilidade do evento climático, a administra­ção organizou previamente uma equipe de técnicos e veterinários sempre desafiadores, mesmo em municípios que já viveram expe­riências climáticas catastróficas como São Lourenço do Sul.

“Cinco dias antes da nossa re­gião começar a sentir os impac­tos das cheias, já reunimos a De­fesa Civil, todas as secretarias e as forças de segurança para fazer os primeiros alinhamentos. Tive­mos condições de uma boa or­ganização antes dos impactos chegarem aqui. Quando a Lagoa começou a subir e atingir ruas e casas, já tínhamos abrigos prepa­rados e todas as equipes pron­tas e equipadas para os resgates. Nosso trabalho conjunto com o Corpo de Bombeiros, Brigada Mi­litar, Polícia Civil, Patran (Patrulha Ambiental) e Marinha têm dado resposta ágil e efetiva a todos que necessitam de resgate. Isso tem ocorrido de forma eficaz, mas nossa população atendeu aos alertas e realmente deixou as áreas de risco em tempo se­guro, evitando resgates de alto risco à vida”, pontuou o gestor municipal.

Todo o trabalho de resgas­te é em conjunto entre a Prefei­tura, Defesa Civil e as forças de segurança. “Estamos alinhados e com os chamados sincroniza­dos”, completou Härter. Os resga­tes por água são feitos pelo Cor­po de Bombeiros, Brigada Militar, Marinha e Patran. Já os resgates terrestres são feitos pela Prefei­tura e Defesa Civil.

Prefeitura atua em conjunto com equipes do Corpo de Bombeiros, da Brigada Militar, Polícia Civil, Patrulha Ambiental (Patran) e Marinha nas áreas afetadas pela enchente. (Foto: Divulgação/Prefeitura de São Lourenço do Sul)

Iepsen finalizou agradecendo o apoio da comunidade que se voluntariou para auxiliar em di­versas frentes durante este mo­mento difícil. “Precisamos agra­decer o enorme e inestimável reforço de trabalho que rece­bemos dos cidadãos voluntários. Nossa estrutura ainda envolve lo­gística, equipes de atenção bási­ca em saúde, equipes de saúde mental, assistência social, farmá­cia municipal, de educação entre outras no atendimento aos abri­gos e suas necessidades que são muitas e vão além de apenas ter onde ficar instalado. Cabe des­tacar, ainda, o voluntariado de muitas pessoas que estão pre­parando os alimentos para os abrigados, o que tem sido ex­tremamente importante neste momento”, frisou o secretário.

Danos significativos

Conforme Uarth, os maio­res danos são as perdas mate­riais das famílias atingidas, como móveis e utensílios domésticos. Em relação à infraestrutura ur­bana, as equipes técnicas da Se­cretaria de Planejamento e Ambiente (Seplama) e de Capta­ção de Recursos do município es­tão realizando os levantamentos técnicos das perdas.

“No entanto, já percebemos a necessidade de recomposição total de vários trechos de pavi­mentação, meio-fio, passeios pú­blicos, praças, bem como a re­composição de vegetação em toda a área afetada pelas cheias”, informou o titular da Seplama.

Impacto econômico

No âmbito dos setores pro­dutivos lourenciano, a Associa­ção Comercial e Industrial (ACI) e a Câmara de Dirigentes Lojis­tas (CDL) afirma que os impac­tos são significativos, visto que o município já vinha enfrentando dificuldades em razão das for­tes chuvas desde o ano passa­do, principalmente o setor de agronegócios.

“A atual enchente representa um enorme desafio para todos. Diversas empresas foram direta­mente afetadas com danos em suas estruturas, perda de esto­ques, custos de recuperação e prejuízos financeiros por ocasião da interrupção de operações no período. Também são sérios os impactos indiretos em diversos setores, com consequências nas cadeias logísticas e fornecedores fortemente afetados. Os seto­res de comércio, serviços e in­dústrias registram queda de até 50% no faturamento”, disse o presidente da ACI/CDL, Cristia­no Altenburg.

Na visão dele, o município sentirá o impacto deste cenário a médio e longo prazo e isto será notado através da diminuição do poder de compra da popu­lação gaúcha. Em São Lourenço do Sul, “os impactos no turismo serão graves e duradouros, pre­judicando toda uma cadeia pro­dutiva essencial para a economia local”, disse Altenburg.

Com essa realidade, a enti­dade entende que é crucial criar ações de apoio governamental, incluindo todas as esferas atra­vés da disponibilização de linhas de crédito e iniciativas que fo­mentem geração e manutenção de negócios, emprego e renda.

Os bairros Balneário, Navegantes e Barrinha foram os mais afetados pela cheia da Lagoa dos Patos e dos arroios São Lourenço e Carahá no município. (Foto: Divulgação/Prefeitura de São Lourenço do Sul)