
Ele tem uma voz atrativa aos ouvidos de quem, através da companhia inseparável proporcionada pelo rádio, mantém essa opção de entretenimento como um dos hábitos dos quais os brasileiros não abrem mão, mudando apenas a forma de como ouvi-lo a partir de tudo que nos é proporcionado pela internet.
E foi a emissão vocal limpa e de ótima dicção que levou Roberto Júnior, 56 anos, uma das presenças marcantes também no dia a dia dos piratinienses a se transformar no que, como ele, sempre cheio do peculiar bom humor costuma dizer: “não num comunicador e sim, num “comunicamor” da rádio do coração”, referência à Alegria FM, onde tornou a atuar e também onde tudo começou. E por 12 anos, desde 1992, ele pertenceu à equipe de comunicadores da Nativa FM.
“Minha jornada no rádio, que em 2024 completa 32 anos, teve início em 1989, quando busquei a extinta RCC, hoje, Rádio Alegria, para pedir ajuda objetivando encontrar os meus documentos, perdidos durante o carnaval daquele ano. Ao me ouvir, o diretor da época perguntou: ‘cara, tu já trabalhou em rádio?’”, resume Júnior, que a seguir, adotando parte da alegria e energia que integravam a forma de comunicar de Uiara Araújo, a quem ouvia nas madrugadas da carioca, Tupi AM, foi ao ar pela primeira vez da meia-noite às duas da manhã.
Roberto Pereira Ribeiro (nome de batismo) possui no currículo passagens, além da RCC e Nativa Piratini, também na Litoral FM, de São Lourenço do Sul, e pela Rádio Dez, de Pelotas. O comunicador afirma estar adaptado às novas formas de participar diariamente da vida das pessoas, pois o avanço tecnológico levou não só os comunicadores a se atualizarem, mas também as rádios que se adequaram à nova realidade dos meios de comunicação.
“As emissoras que possuem poder aquisitivo para tal destinam parte das suas receitas mensais para investirem nas mídias digitais, criando seus sites e aplicativos. Ainda neste sentido, entendo, por exemplo, que o Youtube, bem como as demais tecnologias de transmissão disponíveis e denominadas streamings, não podem ser vistas como concorrentes, pois somam, deixando a comunicação mais bonita”, opina o radialista, para em seguida, acrescentar: “Isso permite a nós, locutores, pois o que resulta da profissão não é mais apenas sonoro, mas também, imagem através do vídeo, estarmos em todo o lugar o tempo todo, o que hoje ocorre através de um celular e não mais apenas pelo rádio que, no passado ficava, inclusive, em cima da geladeira de nossa casa. Os tempos são outros”.
Formado em Química Industrial, área em que atuou por apenas dois anos, Robertão, como também é chamado pelos mais íntimos, também é formado em Jornalismo – o que lhe permite aplicar os conhecimentos comuns à função ao ocupar, além do cargo de coordenador artístico, também o de gestor de conteúdo da rádio que recentemente inseriu em sua programação, fatos noticiosos, principalmente, os relacionados ao agronegócio.
O comunicador já fala em aposentadoria – afinal, os cabelos grisalhos fazem parte do visual há alguns anos. Contudo, afirma que o tempo passou, mas que não influenciou para reduzir a jovialidade e a qualidade do trabalho.
Por estar há mais de três décadas em atividade profissional, a hora de “descer da anteninha”, outra expressão irreverente que já integrou sua locução, se aproxima. Indagado sobre esse ponto, ele responde que ainda não parou para refletir se, em breve, estar o microfone não mais fará parte da sua rotina. Mas se esse for o caso, se sente pronto para deixar a rede FM – já curtir o merecido descanso, não faz parte dos planos. “Sim, pode ser que eu pare. Mas ainda não tive a oportunidade de pensar nisso já que minha cabeça está ocupada quase 100% do tempo com as tarefas, projetos, locução e outras atividades que fazem parte das minhas obrigações”, externa.
E finaliza: “Os limites quanto ao que podemos ou não fazer, somos nós quem colocamos. Então, caso eu realmente deixe o rádio, vou buscar algo novo, pois me sinto pronto e capaz de ocupar e realizar outras funções, sejam elas quais forem. Me aposentar, de fato, não!”.



