Vacinação contra a gripe avança na zona sul do Estado

Imunizante foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, e Hospital São Lucas da PUCRS é um dos centros responsáveis pela testagem. (Foto: Julia Barcelos/JTR - Imagem Ilustrativa)

A Campanha de Vacinação contra a Gripe, prevista para o dia 25 de mar­ço, foi adiantada para o dia 19 no Rio Grande do Sul. Para os municípios da Região Sul, está sendo disponibiliza­do um primeiro lote de 354.311 do­ses do imunizante, que previne con­tra os três tipos do vírus da Influenza. Segundo o Painel de Vacinação do Mi­nistério da Saúde, 16.056 pessoas já foram vacinadas até quarta-feira (3) – número que superou expressivamen­te as estatísticas do mesmo período do ano passado.

Com a intenção de frear a dissemi­nação do vírus da Influenza, a campa­nha gaúcha começou mais cedo neste ano. A decisão da Secretaria de Saú­de do RS é uma ação em resposta ao aumento nos registros de hospitaliza­ções e óbitos por Síndrome Respira­tória Aguda Grave no Estado, quando comparados ao mesmo período do ano passado. Nas primeiras 10 sema­nas de 2023, houve 17 casos da doen­ça, enquanto no mesmo período deste ano foram 135. Já os óbitos subiram de dois para sete.

Outro potencializador para a ne­cessidade de uma maior atenção à vacinação contra a gripe é a diminui­ção na procura pelo imunizante nos últimos cinco anos. De acordo com dados da Secretaria da Saúde do RS, apenas em 2020 foi alcançada a meta de 90% de cobertura. Em contraparti­da, 2023 registrou o menor índice na série histórica, com apenas 65,2% do público-alvo vacinado.

Com as 480 mil doses enviadas do Ministério da Saúde (MS) aos municí­pios do Estado, o objetivo ainda é va­cinar pelo menos 90% dos seguintes grupos prioritários: crianças de 6 me­ses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, pessoas com mais de 60 anos, povos indígenas, trabalhado­res da saúde, pessoas com comor­bidades, adolescentes em medidas socioeducativas, população privada de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, professores, forças de segurança e salvamento, forças armadas, pessoas com defici­ência, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo e servidores portuários.

Segundo o Painel de Vacinação do MS, especificamente nos 16 municí­pios de abrangência do JTR, a popula­ção-alvo da vacinação chega a 352.029 pessoas, tendo sido vacinadas 16.056, o que corresponde a 6,09% da meta.

A faixa etária com maior registro de vacinação na região é a de 60 a 69 anos de idade (5.240). Entre as crian­ças, a maior parte das aplicações foi feita em bebês de 6 meses a meno­res de 2 anos (320). Quanto às doses destinadas à população com comorbi­dade, o grupo com mais registros de aplicações é o de pessoas com doen­ças cardíacas crônicas (233), seguido dos diabéticos (231).

Conforme Lusiana Larrossa, enfer­meira de imunizações da 3ª Coordena­doria Regional de Saúde (CRS), mesmo com o início recente das vacinações, as equipes dos municípios estão empe­nhadas na busca dos grupos prioritá­rios para o alcance das metas. Tam­bém justifica a diminuição da procura pela vacina nos últimos anos. “Tive­mos um aumento de resistência à va­cinação desde a pandemia, mas agora estamos em um momento de retoma­da, mostrando o quanto a prevenção é fundamental”, explica. Lusiana afir­ma que o Ministério da Saúde também destinou verbas para essa divulgação de incentivo à vacinação.

Até o momento, Pelotas é o muni­cípio com maior registro de aplicações, com 6.024 pessoas imunizadas; segui­da de Rio Grande (3.586) e São Lou­renço do Sul (2.499). Esses números são um grande avanço tendo em vis­ta o mesmo período do ano passado, quando foram notificadas apenas 2.181 aplicações em todos os 16 municípios.

Em Pelotas, algumas ações estão sendo feitas para expandir os núme­ros de aplicações da vacina. “Estamos organizando ações extramuros confor­me o território de cada Unidade Bási­ca, procurando sensibilizar por meio dos agentes comunitários de Saúde para que se faça a busca ativa e para que o grupo prioritário não deixe de fazer a vacina”, afirma Aline Machado, diretora de Vigilância em Saúde da Se­cretaria Municipal de Saúde (SMS).