Em Pelotas, na última quarta-feira (20), o que passou como um dia normal em que as pessoas saíram às ruas para seus locais de trabalho, estudo e lazer, levanta uma retrospectiva positiva em comparação ao mesmo dia, quatro anos atrás, quando a prefeita, Paula Mascarenhas (PSDB) decretou situação de emergência no município por conta do alto risco de contaminação e exposição ao Coronavírus (COVID-19).
Atualmente, após quatro anos desde que os primeiros lockdowns repercutiram pelo Brasil, refletindo não apenas na economia e na saúde, mas também influenciando diretamente na maneira de viver, trabalhar e na interação tida entre as pessoas, o que enfrentamos hoje são sequelas deixadas pelo vírus, sendo elas pela reclusão, pela perda, ou pela contaminação.
No dia 11 de março, o Ministério da Saúde optou por retornar com o maior estudo epidemiológico sobre Covid-19 em cenário brasileiro, o Epicovid 2.0, que tem seu principal foco nos efeitos remanescentes da doença.
Liderada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a pesquisa consiste em uma coleta de dados realizada em 133 municípios de todo o país. O objetivo é entrevistar mais de 30 mil pessoas sobre vacinação, histórico de infecção e efeitos da doença. Os resultados ajudarão a entender e abordar os efeitos da Covid-19, especialmente os da chamada Covid longa.
Pedro Hallal, epidemiologista e coordenador-geral do Epicovid, destaca que diferente do primeiro estudo, que tinha foco na disseminação do vírus, a Epicovid 2.0 serve para avaliar os impactos da pandemia, e não precisará de coleta sanguínea, dando-se apenas através de um questionário.
“Nós estamos em um momento muito diferente daquele que nós vivenciamos no começo da pandemia, tanto que nem estamos mais em estado de pandemia. […] Agora nós estamos numa situação de uma doença a mais com a qual a gente convive que vai ter altos e baixos, como qualquer vírus de transmissão respiratória”, relata o pesquisador.
Apesar de em 2021, o país ter enfrentando desafios significativos em relação à vacinação contra a Covid-19, desde a distribuição das doses, até problemas logísticos, além da hesitação da população em algumas áreas, o Brasil registra hoje cerca de 82,2% da população com esquema vacinal completo, com o Rio Grande do Sul, especificamente, registrando a imunização de cerca de 87% dos gaúchos.
“Em relação às metas de vacinação, o Brasil a gente tem que posicionar de maneira adequada. Lá no começo, especialmente as primeiras duas doses, o Brasil teve uma cobertura muito alta internacionalmente, é um dos países que teve melhor cobertura da vacinação do Covid naquelas duas primeiras doses”, destaca Hallal.
O coordenador-geral relata ainda que a coleta de dados para a Epicovid 2.0, teve início no dia 11 de março e informa que o prazo estimado para sua duração é de 30 dias.
Assim, o propósito do estudo é contribuir para que o Ministério da Saúde possa expandir e aprimorar os serviços especializados necessários aos efeitos da chamada Covid longa. Além disso, a análise dos dados servirá de base para a elaboração de artigos científicos que ajudem a compreender os impactos econômicos, educacionais, e de saúde mental e física da Covid-19 no Brasil.




