Lançamento da Carta de Pelotas e palestras marcam encerramento do Connex

Jornalista e escritor Caco Barcellos fez o encerramento da programação. (Foto: Daniel Batista/JTR)

Durante a manhã desta sexta-feira (15), no Clube Caixeiral, em Pelotas, após uma intensa grade de programação que se estendeu por três dias, aconteceu o encerramento do Connex – Conexão de Experiências em Segurança Pública e Prevenção às Violências 2024.

O evento realizado pela Prefeitura Municipal de Pelotas, Governo do Rio Grande do Sul e Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), reuniu 1.168 participantes ao longo dos seus três dias, segundo a organização, contando com cerca de cem palestrantes e mais de 50 painéis sobre a segurança pública e a violência no cenário brasileiro.

Como resultado das discussões apresentadas desde quarta-feira (13), houve o lançamento da Carta de Pelotas, documento ratificado pelos integrantes da FNP e pelos participantes das discussões que aconteceram durante três dias em Pelotas.

A proposta prevê a criação de uma rede de cidades comprometidas com a segurança da população e com a realização do evento Connex a cada dois anos. A rede, batizada de Rede Connex, pretende ser um fórum colaborativo e de livre adesão, com apoio da FNP, que terá como objetivo principal aproximar as gestões municipais, possibilitando sugestões, discussões, compartilhamento de experiências e proposições sobre políticas para a promoção da segurança.

A prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), destacou a importância da constituição da rede para a promoção da cultura de paz. “A promoção da cultura de paz, do fortalecimento da cidadania, do direito à cidade, com a construção de políticas públicas transversais e baseadas em evidências científicas, são desafios que as cidades brasileiras estão prontas e aptas a liderar”, frisou a gestora na Carta de Pelotas. Também foi aprovada a realização do evento de forma periódica, a cada dois anos.
Experiências nacionais
O encerramento ficou sob a responsabilidade do jornalista, escritor e repórter investigativo Caco Barcellos, que falou para um público que lotou o Clube Caixeiral. Ele abordou temas como a elitização da segurança pública – à quem se destinam os recursos de proteção, e ao padrão discriminatório encontrado nos índices criminais de morte e violência brasileiros.
Caco Barcellos palestrou sobre as diferenças de tratamento das forças de segurança pública com a população e a cobertura jornalística. (Foto: Daniel Batista/JTR)

Utilizando como base para apresentar seu ponto e levar a discussão aos presentes, Barcellos expôs dados nacionais sobre a projeção da violência e a atuação do Rio Grande do Sul, defendendo ainda um método de ação mais humanizado não apenas por parte dos órgão de segurança e monitoramento da violência, mas da população de modo geral, para que perceba a desigualdade ao seu redor e veja as maneiras com que ela interfere nos índices criminais atuais.

A partir de relatos pessoais, Barcellos narra a maneira com que é recebido nas comunidades mais vulneráveis, que entusiasmam-se ao saber que alguém está ali para ouvi-los e levar sua história adiante. Neste sentido, revelou que é a favor da utilização das tecnologias de forma integrada com o “jardim de infância” do jornalismo, indo para as ruas e os locais onde os fatos ocorreram.

Antes dele, a secretária executiva do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Rita Cristina de Oliveira, destacou os resultados do Pacto Pelotas pela Paz e de programas, como o Cada Jovem Conta, e das políticas públicas de proteção a crianças e adolescentes desenvolvidas pela Prefeitura de Pelotas.

Secretária executiva do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Rita Cristina de Oliveira, destacou os resultados do Pacto Pelotas pela Paz e a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB). (Foto: Daniel Batista/JTR)

“O Pacto Pelotas pela Paz é muito importante para assegurar políticas públicas de garantias de direitos humanos e vem muito ao encontro do que estamos fazendo no Ministério”, disse Rita.

A secretária apresentou, ainda, ferramentas e programas desenvolvidos no MDHC e que estão à disposição dos gestores de todo o Brasil para auxiliar na construção de políticas públicas voltadas para a promoção e garantia dos direitos fundamentais.
Com informações da Assessoria de Imprensa