Pelotas: Catedral Metropolitana São Francisco de Paula tem novo pároco

Aos 42 anos, padre Wilson Fernandes assumiu como pároco da Catedral Metropolitana são Francisco de Paula. (Foto: Julia Barcelos/JTR)

Dos quase 42 anos de Wilson da Mota Fernandes, que serão completados no dia 23 de março, 12 foram dedicados a sua jornada como pároco. Atual pároco da Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, apesar de estar envolvido com a vida da comunidade católica, afirma que sua vocação não é algo tão romantizado. “Meu projeto nunca foi ser padre, tanto que nem coroinha eu fui!”, conta em tom descontraído.

Natural de Unaí, Minas Gerais, o pároco conta que se tornou sacerdote devido a um grande amigo, João Batista, que morreu no ano passado. Na ocasião, Fernandes e outros amigos reclamavam dos padres em meio a uma conversa, sendo repreendidos por seu João. “Vocês estão reclamando, cobrando e pedindo. Mas o que vocês podem fazer? Podem fazer muita coisa, mas ficam na omissão”, diz Fernandes, parafraseando o amigo. “Aquilo foi o que me despertou”, relembra o padre.

Depois disso, em 2001, Fernandes começa sua caminhada vocacional na cidade de Mogi das Cruzes, São Paulo. Três anos depois, passou a realizar seus estudos na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, formando-se em 2009. Wilson foi ordenado padre em 14 de maio de 2011.

Sobre sua escolha em seguir o caminho como padre, ele afirma ser um exercício que exige sempre renúncia. Isso porque, em sua jornada, já morou nos mais diversos estados e até mesmo fora do país. Além de ter residido na Inglaterra, Fernandes também já passou pelos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Tocantins. O pároco está no Rio Grande do Sul desde 2015.

“Olhando para trás, eu sou muito agradecido a Deus. Há muita dificuldade, já que nada é fácil, mas é um caminho de muita graça, em que podemos construir o Reino de Deus junto à comunidade”, relata o padre.

Entre as dificuldades enfrentadas em sua jornada, estão as reformas nas paróquias. “Uma coisa bastante marcante é que, nesses anos todos, eu nunca fiquei mais de um ou dois anos sem uma obra”, relata ele. Isso porque, no período em que foi responsável pela Igreja Sagrado Coração de Jesus, conhecida como Igreja do Porto, encontrou um processo de reforma que estava parado. Ele deu continuidade, o que resultou no tombamento do prédio da igreja como patrimônio municipal e estadual.

“Hoje, a obra está a todo o vapor, graças a Deus! Os recursos foram conseguidos, via LIC [Lei de Incentivo à Cultura] e pelo empenho da comunidade. Somos muito agradecidos por todos aqueles colaboraram indireta ou diretamente”, afirma o padre.

Na Catedral, ele encontra outro grande desafio envolvendo as obras na estrutura. Ele convida a comunidade a tomar parte desta luta. Segundo Fernandes, o telhado já está quase completamente concluído, faltando ainda a torre norte e o assoalho, o qual nunca foi reformado desde o término da construção, em 1853.

Apesar da ajuda da comunidade na primeira etapa das reformas, ainda faltam R$ 250 mil para a conclusão. Por isso, o pároco reforça o pedido de auxílio da comunidade, através de carnês, levando suas contribuições diretamente na Catedral ou via PIX. Ainda, ele informa que será realizada também uma rifa de Páscoa.

O padre finaliza sua fala lembrando que a Catedral é uma casa de todos. “Ela não pertence apenas à Igreja, mas também pertence ao patrimônio da cidade, do estado e do país”, reforça, e complementa: “É um patrimônio da fé, onde é viabilizada essa presença de Deus; essa beleza deve ser cuidada”, conclui.