
A duas semanas da 34ª Abertura da Colheita do Arroz na Estação Embrapa Terras Baixas, no Capão do Leão, a organização apresentou na manhã desta quarta-feira (7) para autoridades e imprensa a área de 26 hectares onde o evento será realizado entre 21 e 23 de fevereiro.
Além do roteiro técnico que contou com a presença do presidente da Federarroz, Alexandre Velho, e demais diretores da instituição, foi concedida entrevista coletiva com a participação de representantes das entidades correalizadoras. Falaram o diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar RS), Cláudio Rocha, e o chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Valdir Stumpf Junior. Anfitrião da Abertura, o prefeito leonense, Vilmar Schmitt (Progressistas), também marcou presença na coletiva.
A atividade teve início a bordo de um ônibus que percorreu o local onde é montada a infraestrutura que vai receber 200 expositores, 50 vitrines tecnológicas, auditórios para palestras, as novidades deste ano – a Arena Digital, numa parceria com a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Estado, a área de Drones, o Salão da Indústria 4.0 – e, por fim, um público estimado em 15 mil pessoas. O espaço contará também com área para comercialização de produtos da agricultura familiar, numa organização conjunta que reúne prefeitura do Capão do Leão e Emater do município.
É o sexto ano seguido que a Abertura da Colheita do Arroz será realizada na Embrapa Terras Baixas. Na primeira ocasião, a área destinada às Vitrines Tecnológicas ocupava três hectares. Hoje, segundo do diretor técnico da Federarroz, André Matos, ocupa dez hectares, com 14 empresas que tem como carro-chefe o desenvolvimento de genética em arroz, soja, milho e pastagens, sete de produção de cultivos biológicos, três de fertilizantes e três de irrigação.
A lavoura Breno Prates, de 1,5 hectare, onde a solenidade de abertura oficial é realizada no segundo dia da programação, pela primeira vez conta com uma plantação de soja, simbolizando, conforme Matos, a “sinergia arroz-soja e a resiliência do nosso sistema produtivo”. “Precisamos cada vez mais da soja, que está atravessando um péssimo ano do ponto de vista comercial e produtivo, mas que continua sendo o alicerce para uma boa produtividade de arroz”, complementou. No espaço, a soja foi plantada dentro do sistema sulco-camalhão, desenvolvido pela Embrapa Terras Baixas.
Foram utilizadas na área cultivares desenvolvidas pelo Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga) e Embrapa Clima Temperado, respectivamente a Irga 426 CL (lançamento) e a BRS Pampa CL, a segunda mais semeada no estado. O total de lavouras no evento soma dez hectares, incluindo girassol e pastagens, com 50 cultivares de soja, mais de 20 de arroz e mais de 20 de milho. “Nada do que existe de melhor no sistema produtivo deixará de estar presente”, garantiu André Matos.
Coletiva
Na coletiva, o presidente da Federarroz reforçou a importância da temática eleita para este ano – “Gestão potencializando safras”, classificada por ele como “pertinente” no atual momento para todas as culturas de grãos em terras baixas. “A gestão agronômica, financeira, econômica, de pessoas e administrativa são fundamentais para alcançarmos o profissionalismo que precisamos hoje na produção de grãos”, disse. Velho mencionou ainda as inovações desta edição, como a Arena Digital, a área de Drones e o salão da indústria, o que inclui no evento mais um elo da cadeia produtiva. “O protagonismo do Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção nacional de arroz, nos obriga a trazer as informações e as ferramentas necessárias para que os produtores tenham sucesso na atividade agrícola”, concluiu.
O diretor técnico do Senar RS destacou a programação oferecida pela instituição na Abertura da Colheita do Arroz, como seminários de gestão rural, mercado verde, o já tradicional Seminário Duas Safras, além de oficinas e dinâmicas com drone. “O Senar faz cada vez mais parte da organização de um evento que tem uma dimensão enorme, não há como fazer um evento hoje e não discutir nem ter informações focando em gestão no agronegócio, é o que faz toda a diferença”, afirmou. Lembrou ainda que atualmente o Senar atende 12.524 produtores rurais em todo o Rio Grande do Sul. Desses, aproximadamente 500 são arrozeiros.
Schmitt, que marca presença nesta edição desde o lançamento regional em outubro, durante a Expofeira Pelotas, ressaltou que o município é parceiro de todas as horas da Abertura da Colheita do Arroz. Também parabenizou os organizadores e ainda reservou um espaço da sua fala para lembrar que já foi produtor rural na área da fruticultura, atividade a qual abandonou por não dispor à época de condições de manter o negócio. “Infelizmente não pude contar com as evoluções técnicas disponíveis hoje que incentivam o produtor a permanecer no campo”, lamentou.
O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado lembrou que a parceria Embrapa-Federarroz já soma mais de uma década. Nesse período, a empresa sempre prestou seu principal serviço – o desenvolvimento de ciência e tecnologia em favor da atividade rural. “Além de questões políticas e de negócios, este evento apresenta e discute nas terras baixas o que há de mais avançado no Brasil em termos de ciência e tecnologia”, afirmou.



