
Um dos primeiros gestos da população do planeta ao acordar pela manhã, é pegar o celular e, a partir desse momento, voltar a se conectar com o mundo através das redes sociais, hábito mantido inclusive, durante a realização das mais diversas tarefas: trabalho, descanso e refeições, por exemplo.
Com isso, a maior fatia destinada à divulgação das empresas é usada para anunciar no marketing digital, em especial, nas plataformas da gigante Meta, responsável por criar e gerir o Facebook, Instagram e WhatsApp, o que proporciona o faturamento de bilhões em divulgação diariamente.
Mas por trás de um anúncio que chama a atenção de quem, muitas vezes, só para de navegar na hora de dormir, estão alguns profissionais que passaram a ganhar para produzir ou gerir conteúdos que chegam aos consumidores com uma velocidade cada vez maior.
Comprar recentemente um carro avaliado em R$ 60 mil – mesmo que este ainda não seja zero e essa cifra não seja algo inalcançável para muita gente – exemplifica o aumento de padrão de vida conquistado pelo designer gráfico piratinense Dione Rodrigues, de 37 anos, somado também à qualidade de vida hoje proporcionada à família de cinco membros.
Desde que decidiu deixar o setor público, onde atuou por sete anos em cargo de confiança, para então dedicar-se ao trabalho realizado em um cômodo de, no máximo, cinco metros quadrados que integra o apartamento alugado no centro de Piratini, Rodrigues percebeu que, mesmo residindo em um pequeno município onde as oportunidades são escassas, produzir material gráfico para as empresas passaria a ser uma das profissões do futuro, que chegou rápido em decorrência da evolução tecnológica.
“Vi que era possível sim melhorar de vida através da área a qual atuo, mesmo morando aqui, afinal, a internet me permite estar em vários lugares sem que eu precise me deslocar. Desde 2007, ano em que o Facebook chegou para os brasileiros, eu, que sempre me interessei por computação, passei a faturar com isso”, afirma.
Mas nem sempre tudo foram flores. Ele lembra do início na atividade profissional, quando, inclusive, perdeu muito dinheiro. O motivo, segundo ele, foi a ausência de visão empresarial dos clientes a serem convencidos que era preciso caminhar junto com e investir nas redes sociais.
“Foi muito difícil. A maioria teve certa resistência para pagar o preço cobrado pela manutenção de suas páginas criadas para destacar os produtos à venda. Para se ter apenas parte da noção do que passei, eu ganhava o que hoje equivale a R$ 40 por mês para alimentar os perfis de parte do comércio de cidades da região, isso sem falar que eu, ajudado pela Elis (esposa) tínhamos que ir até as empresas, neste caso as de Piratini, para fotografar os itens a serem divulgados três vezes por dia, ou seja, antes era quantidade e hoje, com a mudança de mentalidade a que muitos foram obrigados a ter, é qualidade. Faço tudo à distância e o que cobro e ganho nem se compara com o passado”, ressalta.
Ele, que é autodidata e nunca fez qualquer capacitação ou curso superior para aprender a mexer nos programas e outras ferramentas para produzir material gráfico, não revela o faturamento mensal com o ofício. No entanto, ele destaca que o montante é muito bom e permite à família ter um padrão de vida impossível para a maioria das pessoas que residem na cidade. Ele afirma que o maior valor pago por uma das 23 empresas que atende resulta por mês no equivalente a dois salários mínimos.
“Dos 23 clientes para os quais trabalho, apenas sete são de Piratini. Os demais têm suas empresas localizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso e Santa Catarina. Isso já nos permitiu ter uma reserva financeira muito boa. Ainda não compramos a nossa casa por uma questão de estratégia, já que residimos no Centro, estando dessa forma bem localizados. Assim, decidimos continuar pagando aluguel para mantermos na melhor área para morar no município quando se tem uma empresa”, explica.
Em relação à concorrência com os demais veículos de comunicação, ele entende que a publicidade digital já é o carro chefe do setor, portanto, há a necessidade dos outros nichos se adaptarem ao que os brasileiros buscam primeiro no momento de obter informações.
“A maioria das rádios, jornais e outros veículos de comunicação, entenderam isso e investiram na criação de sites e aplicativos para que os seus conteúdos cheguem à população brasileira de maneira mais rápida. De todas as possibilidades hoje disponibilizadas ao público, eu acho que muitos canais de tv serão, em breve, os primeiros a saírem do ar. Nesse sentido, a concorrência com o Youtube é grande. Um exemplo das dificuldades atravessadas pelo setor, que teve uma redução significativa na publicidade, é a gigante Rede Globo, que precisou demitir boa parte do seu elenco para reduzir custos. Então, repito: o marketing digital chegou para ficar e quem não aderir a ele ficará para trás”, alerta Rodrigues.



