Pedro Osório é destaque na produção de melancias na Zona Sul do estado

Produtor José Alencar Pinho, o Nenê, precisou replantar três vezes nesta safra, o que promoveu atraso e aumento nos custos de produção. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

As chuvas em excesso atrasaram o plantio da melancia na região de Pedro Osório, onde, neste fim de semana, no sábado (3) e domingo (4) ocorre a 21ª Expofesta Regional da Melancia. Embora o processo tenha se iniciado no mesmo período de 2022, final de outubro e início de novembro, a umidade obrigou o produtor José Alencar Pinho, o Nenê, a partir para o replantio (três no total), o que, além do atraso, aumentou o custo de produção. “Em novembro terminamos de plantar em um dia e, no outro, caiu cem milímetros [de chuva]”, conta.

A colheita, portanto, em uma área na zona rural da vizinha Arroio Grande, deve se iniciar somente nos primeiros dias de fevereiro, coincidindo com a realização do evento – diferentemente da edição passada. “Este ano não vai dar tempo para [abastecer] a Festa”, lamenta.

Nenê planta 70 hectares de melancia em duas áreas de 35 hectares, em Pedreiras (Arroio Grande) e no Matarazzo, dentro dos limites de Pedro Osório. Apesar do fenômeno El Niño, acredita em uma “safrinha boa”. Estima produtividade média de 30 toneladas por hectare.

“Não vai ser uma safra excelente, patinamos no início por causa da chuva, mas agora normalizou”, afirma. Segundo ele, janeiro foi um mês de boa luminosidade e as chuvas, em forma de pancadas esporádicas, chegaram a ser bem-vindas. “Estava bem seco aqui [Pedreiras], já estávamos precisando de uma chuvinha”, disse ele à equipe do Tradição Regional logo após uma chuva rápida, típica de verão.

Situação bem diferente à do ano passado, em que precisou “irrigar direto” devido a outro fenômeno climático, o La Niña, em que se configura período prolongado de seca e déficit hídrico. Na safra atual não precisou irrigar, o que é raro. “Desta vez estivemos mais próximos de retirar água do solo do que pensar em irrigar”.

Diversificar a produção é uma das principais razões para o produtor insistir na melancia. Além da fruticultura, ele investe em soja, milho e pecuária. “Em fevereiro, na colheita, já começa a rodar o caixa”, explica. “Soja é só em abril, e o produtor rural precisa fazer girar”, afirma. Ressalva, porém, que a fruta não é tão lucrativa quanto os grãos, já que depende muito de oferta e demanda. “É básico: se tiver boa demanda e pouca oferta no mercado se agrega valor, caso contrário não funciona”, afirma.

Fruta do verão

Nenê não demonstra preocupação com o fato de a colheita coincidir com o início da baixa temporada nas praias. Com décadas de experiência na produção de melancia, sustenta que fevereiro é um mês em que a fruta já começa a ficar escassa no comércio varejista. Outras regiões produtoras do estado, no entorno da grande Porto Alegre, costumam abastecer o mercado em janeiro. A partir de fevereiro é a vez da melancia da Zona Sul ganhar protagonismo no comércio varejista.

No entanto, o produtor antevê problemas para disputar mercados mais distantes, como o de São Paulo, que sempre foi atrativo. Conforme ele, produtores daquela região, diante de sucessivas entressafras, se organizaram para colher em março. “Mesmo sem clima e fora do período ideal, resolveram arriscar”, comenta.

Além da região, a produção de Nenê encontra mercado no Litoral Norte gaúcho e, “para pegar preço”, de Santa Catarina “para cima.” Reclama que até Porto Alegre é compensador apenas pelo custo do frete, considerado baixo, não pelo preço oferecido pela fruta. “Aqui, para o produtor, o preço que se oferece é baixo”, lamenta.

Variedades

Arriba, sem sementes, e Manchester são as variedades produzidas nos 70 hectares. Diferentemente do ano passado, Nenê acredita que em ambas o teor de açúcar será menor devido às condições climáticas da safra atual. “Não tem temperatura alta, foi raro até aqui no verão encadear três ou quatro dias de calor pouco acima de 30 graus, o que seria ideal”, argumenta.

Festa

O produtor é um entusiasta da realização. “É tradição em Pedro Osório, e além de incentivar a produção, movimenta a economia, divulga e valoriza o município”.