
Pedro Osório é terra de festa, principalmente da melancia, que em 2024 chega a sua 21ª edição, juntamente com a 12ª Feira da Agricultura Familiar. Na programação prevista para este sábado (3) e domingo (4) nos 11 hectares do parque do Sindicato Rural do município, na entrada da cidade, serão 16 apresentações, incluindo 15 shows de grupos e bandas de rock, pagode, pop, sertanejo e música gaúcha nos dois palcos montados na estrutura do evento. O espetáculo de projeção nacional é com a dupla Claus e Vanessa. O encerramento da agenda, na noite de domingo, conta com show baile do grupo Querência.
Há ainda área arborizada para acampamento (junto à Festa e no Camping Municipal, à beira do rio Piratini), para comercialização de doces, parque de diversões, a primeira etapa do Zona Sul de Veloterra, que nesta edição contará com mais de 200 competidores em várias categorias, dentre eles o campeão brasileiro e o campeão uruguaio das 450 cilindradas e, é claro, a grande atração: melancias fatiadas e devidamente refrigeradas totalmente disponíveis ao público, gratuitamente. O prefeito Moacir Otílio Alves (MDB), o Chola, é quem garante: não vão faltar.
Só no ano passado, na edição da retomada, foram consumidas 35 toneladas da fruta. Tanto que os 280 hectares de área plantada no município não dão conta da demanda durante os dois dias do evento, quando são aguardados em Pedro Osório 30 mil pessoas de toda a região, inclusive do Uruguai. Neste ano a prefeitura acredita que o público será ainda maior pela divulgação intensa e pela procura de interessados em ocupar estandes para venda de iguarias à base de melancia, peças de artesanato, de vestuário e afins. O apoio é do governo do Estado via Lei de Incentivo à Cultura (LIC) e Banrisul, além de Sicredi, Corsan e Emater.
“A Festa da Melancia é nosso principal evento, nosso carro-chefe”, diz. E, para ele, esta 21ª edição tem um significado especial: será sua última como prefeito de Pedro Osório. Em 2024 o emedebista, de 75 anos, completa 16 no cargo. Foram quatro mandatos ao todo, com duas reeleições. Nesses 16 anos sua gestão só não realizou a Festa em 2021 e em 2022, em razão da pandemia. Todas, ele assegura, foram um sucesso. “Todas mesmo, em todas as administrações, a Festa da Melancia é um evento de Pedro Osório, não dessa ou daquela gestão”.
Nesta não será diferente. A depender da prefeitura e demais parceiros, essa 21ª edição terá grande sucesso. Dezenas de toneladas de melancia já foram adquiridas, incluindo uma reserva técnica para atender a demanda se necessário. “Está tudo pronto, agora é contar com a ajuda do tempo, se não chover tenho certeza que a nossa Festa vai ser um sucesso de novo”, afirma.
Impacto
A importância da Festa da Melancia de Pedro Osório não se reflete apenas nos dois dias em que é realizada. O prefeito lembra em especial de uma edição em que se esgotou todo o combustível disponível nos postos da cidade. Os visitantes, recorda ele, precisaram abastecer na comunidade de Alto Alegre para retornar para suas cidades.
Na área da alimentação o movimento não se circunscreve à praça da alimentação disponível na Festa. Os restaurantes e demais estabelecimentos da área central também recebem uma boa afluência de público, principalmente de fora da cidade. “Toda a pessoa que vem à cidade não deixa menos que R$ 100 ou R$ 150, a Festa faz muito bem para o município, se pudéssemos faríamos duas por ano”, diz.
Mas se não está prevista outra Festa da Melancia em 2024 em Pedro Osório, o carnaval está garantido, que neste ano será nos dias 23 e 24 de fevereiro, com direito a bloco burlesco, escola de samba e trio elétrico. A folia é outro evento consolidado no calendário do município, no qual a prefeitura investe este ano R$ 55 mil. O “Esquenta” realizado há duas semanas reuniu mais de 500 foliões. “Os ambulantes venderam tudo”, comenta Chola.

Último ano de gestão
O próprio prefeito reconhece que há ainda muito a ser feito no município. “Sempre há o que melhorar”, afirma o líder do Executivo. Em infraestrutura, certamente. Assim como nos serviços públicos de Saúde, que Chola, médico por formação, classifica como de “razoável a bom” em Pedro Osório. A Santa Casa segue sob intervenção. O hospital, com 45 leitos disponíveis via Sistema Único de Saúde (SUS), atende a população do município e a do vizinho Cerrito, e também a de um contingente do interior de Piratini. A estrutura no setor conta ainda com dois postos de saúde.
O coordenador geral da Administração, Ricardo Alves, apresenta números: neste ano foram investidos mais de R$ 6 milhões em Atenção Básica, o que representou a oferta de mais serviços e um número maior de atendimentos, que em 2023 foram superiores a 17 mil. Em 2022 haviam sido 14,4 mil. Visitas domiciliares chegaram a 421 e o deslocamento para consultas e exames em outros municípios atendeu 8.323 pacientes, em um total de 2.088 viagens. Na Farmácia Municipal foram distribuídos 898 mil comprimidos.
Há investimentos previstos. Além do pagamento do piso da enfermagem e da renegociação da dívida com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), que segundo Alves reduziram o passivo de R$ 1 milhão para R$ 199 mil em 99 parcelas, há recursos, via Rede Bem Cuidar, de R$ 244,4 mil para ampliação da Unidade Básica de Saúde (UBS) José Leite, que compreende a construção de dois consultórios, um depósito e uma sala de reunião.
Na área social, Alves sublinha o aumento do repasse para o Lar de Idosos São Francisco de Assis em mais de 230% (R$ 48 mil/ano) desde 2016, o que rendeu à prefeitura o título de “Amigo do Lar”, o acréscimo na contribuição mensal para R$ 72 do Cartão Cidadão (espécie de Bolsa Família pedro-osoriense), que conta hoje com 360 beneficiários – investimento, conforme Alves, de R$ 259 mil por ano -, a entrega anual de 1,1 mil cestas de alimentação, aquisição de produtos da agricultura familiar do município (R$ 32 mil ao ano) e o projeto da Padaria Popular, que produziu 144 mil pães em 2023, distribuídos para Santa Casa, Lar de Idosos, escolas e projetos sociais. Por último, no setor, destaca ações como o transporte coletivo gratuito, instituído via lei municipal em 2018, com mais de 11 mil usuários anuais, e os três restaurantes populares, que servem gratuitamente 84 mil almoços por ano.

Infraestrutura

Segundo Alves, entre as obras previstas em 2024 estão a reforma do Centro Cultural, com investimento de R$ 315,5 mil via Ministério do Turismo, com R$ 238,8 mil de emenda parlamentar do senador Paulo Paim (PT); conclusão da pavimentação da rua das Flores, com investimento de R$ 446,4 mil, sendo R$ 250 mil de emenda parlamentar do deputado federal Marcio Biolchi (MDB); pavimentação da avenida Tiradentes, em um total de mais de R$ 1.050 milhão via programa Pavimenta 2; e colocação de asfalto nas ruas Arroio Grande e Rui Barbosa, orçada em R$ 500 mil.

Já entre os servidores, Alves destaca aumento no vale-refeição de 364% desde o início da gestão, a partir de 2017, passando de R$ 88, à época, para R$ 408,52 neste ano, se aprovado pela Câmara de Vereadores.
Educação
Pedro Osório conta com três escolas municipais, duas estaduais e uma particular. As mantidas pelo município oferecem creche, Educação Infantil e Ensino Fundamental completo. Conta ao todo com 600 alunos e 70 professores, que recebem o piso nacional do Magistério. Os investimentos na área tomam quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) municipal (o mínimo constitucional é 25%). A prefeitura também oferece transporte escolar para estudantes e subsidia passagem, que tem valor de R$ 2, para 250 alunos que diariamente precisam se deslocar a Pelotas para aulas na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), entre outros.
Apesar das ações e dos números envolvidos em diversas frentes, o prefeito de Pedro Osório não esconde que há problemas. Um deles, para ele o mais grave, é a falta de emprego. “Não é um caso específico de Pedro Osório, mas de toda a Zona Sul. A gente tenta atrair empresas, mas não é fácil, melhora um pouco com a soja, a melancia gera em torno de 300 postos entre produção e colheita, mas é sazonal, dura três meses – geração de emprego é tema que a Zona Sul precisa eleger com prioridade”, aponta.




