Rio Grande: Turistas e ritmo carnavalesco movimentam o Balneário Cassino neste verão

Maior praia do mundo é conhecida também pela circulação de carros na faixa de areia, exceto em um trecho de 350 metros entre as ruas Júlio de Castilho e Rio de Janeiro. (Foto: Juliana Pontes)

Por: Juliana Pontes

A Praia do Cassino, famosa por ser a maior praia em extensão do mundo, recebe turistas o ano todo, mas especialmente nos meses de janeiro e fevereiro há um incremento neste público presente no Balneário. Lotando a praia, caminhando pelas vias e frequentando pousadas e estabelecimentos, o Cassino está sustentando cerca de 200 mil pessoas durante este verão.

O secretário municipal do Cassino, Irajá Pellegrini, conta que o Balneário está com sua capacidade máxima nos hotéis e pousadas, inclusive, durante os dias de semana. Recebendo, em sua maior parte, turistas das proximidades da Zona Sul do estado, o Cassino está movimentado de manhã até à noite.

Marcado pela presença de veículos ao longo da orla da praia, a novidade neste verão no Cassino foi o espaço de cerca de 350 metros de extensão que passou a ser exclusiva para banhistas. O fato foi impulsionado pela obra de revitalização da avenida Beira-Mar, entre as ruas Rio de Janeiro e Júlio de Castilhos, que agora passa a ter um novo conceito de uso pela comunidade. O local conta com ciclofaixa, passarela de acesso à orla da praia e outras atrações turísticas. Pellegrini salienta que o espaço visa abranger um público que prefere aproveitar a praia sem a presença de veículos, além da obra que abre espaço para pessoas e animais irem até a orla sem preocupação com os carros.

Carnaval

Balneário também é o local de realização do Carnaval,
com desfiles de Blocos e trios, além de shows. (Foto: Juliana Pontes)

Outro ponto alto no Balneário Cassino é o Carnaval, festividade que inicia em 10 de fevereiro, e já está movimentando a região. Os ensaios dos blocos que desfilarão na avenida Rio Grande no próximo mês já estão sendo realizado nas sextas, sábados e domingos a partir das 20h. “O Cassino já está uma festa. Os ensaios dos blocos estão trazendo um grande movimento noturno para o Balneário”, conta o secretário.

Sendo um dos blocos mais famosos do Cassino, o ‘37,5 Não é Febre’ traz há 15 anos diversos foliões para a avenida. Fundador e responsável, Jeverson Franco, o Botinha, conta que este ano espera que 2,5 mil pessoas vistam o seu abadá. O Bloco que surgiu após os carnavais de clube no Cassino nos anos 2000, terá três saídas na avenida Rio Grande durante o Carnaval 2024. “O Cassino é referência em carnaval para a Zona Sul. A gente traz muita gente para cá, beneficiando não somente os foliões que se divertem, como também todos os negócios no Balneário”, afirma. Botinha também expressa a satisfação de ver diversos blocos crescendo no evento. “Carnaval não se faz sozinho; todos os blocos são importantes em conjunto para construir e fazer o carnaval no Cassino ser a grande festa que é”, diz.

O destaque da festa popular este ano é o bloco inclusivo ‘Os 100 Limites’, que prepara uma festa dedicada a todos. O bloco surgiu em 2018 e tem como objetivo a inclusão social de pessoas que possuem qualquer tipo de deficiência. Em 2024 vai para o seu quarto desfile. O ‘100 Limites’ conta com a participação de nove instituições, dentre elas Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), a Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Rio Grande (AMAR), Escola José Alvares de Azevedo, especializada em atendimento a cegos, Associação Rio-grandina de Pré e Pós Transplantados, Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (AAPECAM), Banda Amigos, Grupo TEAmo, Escola Viva e Escola de Educação Bilíngue Carmen Regina Teixeira Baldino.

Sem fins lucrativos, toda a arrecadação com a venda dos abadás do bloco é revertida às instituições de apoio, e os valores arrecadados através dos patrocinadores custeiam a apresentação, como o trio elétrico, ensaios, segurança e ambulância. O idealizador, vereador Filipe Branco (MDB), conta que este ano o grupo espera a presença de dois mil foliões, sendo a sua grande maioria, pessoas com alguma deficiência específica.
Até o momento, o ‘100 Limites’ são o único Bloco Carnavalesco do Brasil que tem como objetivo a inclusão social das pessoas com limitações e que tem sua arrecadação totalmente destinada às instituições que prestem apoio a este público. A novidade este ano é que o bloco vai contar, além de tudo, com áudio descrição para pessoas com deficiência visual, e intérprete de libras para pessoas com deficiência auditiva.

Turismo

Vagonetas nos Molhes da Barra são opção para quem busca uma imersão no patrimônio histórico. (Foto: Juliana Pontes)

Outro ponto do Cassino que transcende a temporada de verão são os Molhes da Barra, visto como uma atração imaterial, marca a identidade da cidade e do estado do Rio Grande do Sul. Este local, cheio de história e beleza natural, atrai diversos turistas.
O passeio de vagoneta, uma prática famosa nos Molhes, conta com o trabalho de Cleoci Braga, vagoneteiro com 20 anos de experiência. Ele destaca que cerca de 40 trabalhadores locais, membros da Associação dos Vagoneteiros dos Molhes da Barra, dedicam-se diariamente a essa atividade. Realizando, cada um, aproximadamente cinco viagens ida e volta nos fins de semana, em que cada trajeto custa R$ 70.

Vagoneteiro Cleoci Braga, com 20 anos de experiência, diz que realiza cerca de cinco viagens de ida e volta nos fins de semana. (Foto: Juliana Pontes)

Braga ressalta que as vagonetas operam nos Molhes ao longo de todo ano, com um aumento significativo de atividades nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Ele observa que a clientela principal são os turistas, especialmente estrangeiros, que procuram explorar o Cassino e percorrer os 4km de extensão dos Molhes. Além do aspecto turístico, Braga destaca a importância da valorização dos Molhes para a cidade do Rio Grande. “Os Molhes representam um local histórico; as vagonetas têm uma longa tradição. Nosso trabalho preserva essa história e desempenha um papel crucial para o desenvolvimento regional”, enfatiza.