
O espetáculo de encerramento da 12ª edição do Festival Internacional Sesc de Música será nesta sexta-feira (26), a partir das 20h30, no Largo do Mercado Central de Pelotas, e conclui uma agenda cultural de mais de 60 atrações, que alcançaram cerca de 40 mil pessoas.
Durante a apresentação final, a Orquestra acadêmica, composta por músicos de diferentes regiões e nacionalidades que vieram até o município para integrarem os cursos ofertados pelo festival, irão fazer uma releitura da trilha sonora de clássicas obras do cinema e também da música popular brasileira, sob a regência do diretor artístico Evandro Matté.
O presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Luiz Carlos Bohn, relata que desde a primeira edição feita do evento, em 2011, havia o desejo em comum de transformá-lo em uma referência a outras produções que fomentam a troca cultural. “Este intercâmbio entre talentos, culturas, diferentes histórias e realidades, representado por alunos e professores de diversas partes do mundo é uma marca deste projeto”, afirma. Atualmente, o festival é um dos maiores eventos de música de concerto da América Latina e além de contar com uma ampla programação de espetáculos, todos eles são gratuitos e abertos à comunidade.
“Este evento representa muito para nós do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, pois fala sobre quem somos, sobre uma plateia que se fortalece a cada ano com um festival democrático, inclusivo e qualificado,” destaca Bohn.
Com a edição deste ano sendo a segunda realizada após a pandemia de Covid-19, mantém como uma de suas principais propostas a união dos eixos sociocultural e pedagógico através das bolsas de estudo disponibilizadas aos estudantes e profissionais da música, incentivando o intercâmbio cultural e influenciando diretamente na economia do município.
Nesta edição foram disponibilizadas cerca de 400 bolsas de estudo, dos quais 78% são representadas por estudantes – aproximadamente 312 – que vêm de fora e mantêm estadia na cidade durante o tempo de evento.
Uma linguagem universal
Julián Solari, de 29 anos, é natural de Cipolletti, na Argentina, e estudante da Universidad Nacional de las Artes (UNA), em Buenos Aires. Participante do festival e hospedado na cidade, o argentino conta ser sua primeira vez em Pelotas participando deste tipo de evento.
“É uma experiência única porque nós não temos festivais assim tão grandes e de tanta duração. Em geral, são de uma semana, e são somente de instrumentos, no meu caso, a flauta,” conta.
Solari revela que a oportunidade de participar do festival é uma experiência muito importante para a sua carreira, uma vez que por conta do diverso quadro de profissionais, ganha a oportunidade de conhecer e interagir com maestros de outros países e pessoas cuja trajetória admirava a distância.
Com o espanhol como língua materna, o músico, que não fala português, acrescenta que não vê a língua como um problema que interfira em seu aprendizado e interação com colegas músicos, ressaltando a receptividade da cidade com o festival. “Penso que não é uma barreira importante, mas que temos que atravessá-la porque pode unir gente de outros países que falam outras línguas. Não acho que seja impossível”, afirma.
Participando pelo segundo ano consecutivo, o russo Philipp Nodel é oboísta e professor no Conservatório Estadual Tchaikovsky de Moscou e na Escola de Música do Conservatório de Moscou, integrando também o quadro de professores do Festival Internacional Sesc de Música.
“A mentalidade dos povos brasileiros e dos russos é bem parecida, só que a gente fala línguas diferentes e a música é coisa universal, não precisa falar muito, é mostrar que o aluno reage,” declara.
Nodel, como Solari, destaca a receptividade da comunidade local com os músicos e também sobre a maior diferença enfrentada ser a da temperatura negativa do inverno russo, para as máximas do verão gaúcho. “É algo diferente e gosto por conta do movimento, muitas coisas acontecendo entre os alunos, professores, todos juntos. É impecável,” conclui.
Sendo também palco para os talentos nacionais, o contrabaixista curitibano, Nicolas Setnarsky, de 24 anos, conta que embora seja sua quarta vez participando de um festival no Rio Grande do Sul, é a primeira vez que toma participação no festival de Pelotas.
“Está sendo maravilhoso em diversos aspectos, desde a questão organizacional à questão das aulas, dos ensaios, masterclasses, concertos, recitais de alunos e professores, então cada etapa do dia, é um aprendizado,” relata.
Sobre sua experiência na cidade, Setnarsky revela que considerou todos muito receptivos, descrevendo como algo natural ao povo gaúcho, sendo bem-recebido não apenas pelos trabalhadores do comércio local, mas também pelas pessoas que assistem aos concertos e recitais.



