Turuçu anuncia Abertura da Colheita do Morango

Município tem produção de 400 mil quilos por safra, numa produtividade média de 40 toneladas por hectare. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Com 71 famílias produtoras, uma produção de 400 mil quilos por safra, numa produtividade média de 40 toneladas por hectare, Turuçu, ex-distrito de Pelotas, prepara para setembro a 1ª Abertura da Colheita do Morango. O evento será realizado dia 14 na propriedade do presidente da Associação dos Produtores de Morango de Turuçu, Gilvane Harms. A entidade congrega 49 famílias.

Um Dia de Campo marca também os dez anos do Seminário Regional da Cultura de Morango, uma realização que elevou o município a um lugar de destaque não só na cultura da fruta, posição que já ocupava à época, mas também ao manejo do “morango de bancada” – cultivado fora do solo, em suspenso, com irrigação recirculante, técnica que demandou reunir a expertise de Embrapa, Emater e Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

“Foi demanda de um produtor, Alvacir Neuschrack, que infelizmente faleceu de Covid durante a pandemia”, lamenta a engenheira agrônoma da Emater em Turuçu, Janaína Silva da Rosa. Segundo ela, Neuschrack se queixava que o manejo junto ao solo lhe trazia problemas de saúde, como dores nas costas. A partir daí se procurou desenvolver o manejo de bancada. “Uma característica do produtor turuçuense é o gosto pela inovação, o que nos desafia muito, nos instiga a buscar novas soluções e possibilidades, e estão sempre receptivos a elas”, elogia.

Além de celebrar a realização do Seminário, a Abertura da Colheita espera contar com a presença de técnicos dos escritórios municipais da Emater na região, titulares de secretarias ligadas à área rural dos municípios da Zona Sul, pesquisadores da Embrapa, representantes da UFPel e demais parceiros.

Também estará presente a corte da 10ª edição da Festa do Morango e da Pimenta, marcada para 28 e 29 de outubro deste ano, além, é claro, de produtores – muitos deles sócios que ajudaram a fundar a Associação que este ano completa 20 anos. O evento contará com espaço para comercialização de morangos in natura e de produtos à base de pimenta das agroindústrias locais.

Idealização

Idealizador da Abertura da Colheita do Morango de Turuçu, o produtor Gilvane Harms colocou a propriedade familiar de 18 hectares, na Colônia Corrientes, à disposição para receber os convidados. Ele admite que o morango é o seu carro-chefe. São seis mil plantas que produzem, cada, uma média de um quilo de fruta.

Além disso, conta para fins de teste com a implantação de uma unidade de observação de melhoramento genético da Embrapa. São 500 mudas de morango desenvolvidas pela empresa pública de pesquisa com variedades ainda inéditas. O objetivo é acompanhar, junto a pesquisadores, técnicos e produtores, a reação dessas linhagens no pomar, distantes dos laboratórios de estudo. Mas para além do morango, Harms, que defende que agricultura não é profissão, mas um dom, cultiva cebola, batata-doce e pimentão.

Ele não tem dúvidas de que a ideia da realização da Abertura da Colheita surgiu do seu amor pelo que faz. Desde 2010 junto à Associação que hoje preside, Harms diz que o objetivo é coroar o trabalho e a trajetória dos produtores e da entidade. “É um dia especial, e inédito no município, vem desse carinho pelo morango e pela agricultura – com o apoio da Emater e da prefeitura colocamos essa ideia de pé”, afirma.

Por falar em Emater, o produtor não pensa duas vezes em reconhecer a parceria desta empresa também pública voltada à assessoria e extensão rural. “Estamos sempre juntos, nas boas e nas ruins”, elogia. “A Emater é uma política pública que agrega e fortalece nossa permanência no meio rural.”

O papel da Embrapa, outra parceira do evento, também merece registro. Ele ressalta a presença da instituição na propriedade, materializada na unidade de observação de melhoramento genético de variedades de morango, bem como na assistência técnica oferecida. Sem esses apoios, avalia, seria ainda mais difícil manter as famílias no meio rural – de onde ele e a esposa não têm o menor desejo de sair.

“Gosto do que faço, tenho bons mercados, integro uma associação de tradição, conto com excelente assistência técnica, tanto individual como em grupo, e acima de tudo disponho de ar puro e qualidade de vida”, justifica.

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