Um ano depois, família de Alanna ainda espera por justiça em Turuçu

Alanna, de 5 anos, foi atropelada na véspera de Natal, enquanto brincava na calçada. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mais de um ano de luta e espera por justiça marcam a vida de Liane Vilella Jaques e sua família que, no dia 24 de dezembro de 2021, perderam a pequena Alanna, de 5 anos. A menina foi vítima de um atropelamento na noite da véspera de Natal, enquanto brincava com o irmão pequeno e um vizinho adolescente em uma calçada de Turuçu.

No início do ano, um protesto foi organizado no município pedindo por justiça e conscientização. Entre camisetas com a foto de Alanna, cartazes e balões brancos, familiares e parte da população do município percorreram as ruas fazendo apelos para que motoristas não dirijam após ingerir álcool. Mas a história de reconstrução da família não parou por aí.

Liane conta que todos os dias enfrenta uma luta para seguir em frente. “Sobrevivo cada dia com a certeza de que um dia eu irei ao reencontro dela”, afirma.

Atualmente, ela mantém uma página no Facebook chamada “Justiça por Alanna” onde escreve e descreve o seu luto, também fazendo frequentes homenagens à filha. Na legenda de uma das fotos com a pequena, a mãe escreveu: “Eu não imaginava que poderia ficar mais difícil do que já estava. Dezembro veio me mostrar que é possível, sim. Ultimamente tenho revivido os últimos momentos da Alanna com poucas folgas de distração. Na verdade, tenho revivido meus últimos dias também… os últimos dias de uma Ly completa que não existe mais. Esse foto foi tirada exatamente duas semanas antes do acidente. Alanna não queria sair de perto de mim em nenhum instante, cada dia mais grudada em mim, isso tornou talvez mais um sinal de que a horinha dela estava chegando… Assim espero, assim prefiro acreditar. Deus, cuida da minha menina, cuida da nossa menina. Quisera eu ter cuidado dela até ficar velhinha!”.

Liane conta que através da página tem conseguido ajudar diversas mães e outras pessoas que estão passando por uma perda semelhante, e olhar para o próximo foi uma das principais atividades para as quais ela se voltou. “Como muitos não sabem, um dos sonhos da minha bonequinha Alanna era poder ajudar as crianças carentes, então pensei em fazer algo que eu pudesse homenagear e realizar um dos sonhos dela”, revela.

Festa de Natal promovida por família e amigos de Alanna. (Foto: Arquivo Pessoal)

A partir disso, a mãe organizou, com a ajuda de amigos e familiares, uma festa de Natal para crianças em vulnerabilidade social no dia 17 de dezembro. Além da distribuição de doces e brinquedos doados pela comunidade e um local para as crianças brincarem e desenharem, o evento também contou com um cantinho especial em homenagem à menina.

O caso

O autor do crime, um homem de 37 anos natural de Pelotas, estava em alta velocidade e apresentava sinais de embriaguez, segundo relatos de testemunhas. No momento em que a menina, seu irmão pequeno e o adolescente estavam no local, um carro se aproximou em alta velocidade rumo à calçada. O jovem chegou a puxar o menor ao avistar o carro, porém a menina foi atingida. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada para um hospital em Pelotas, mas não sobreviveu.
Um mandado de prisão preventiva foi emitido para o suspeito, que fugiu sem prestar socorro à vítima e se apresentou na delegacia ao saber que estava foragido. Ele compareceu ao local junto de um advogado e pagou a fiança para ser liberado. Desde então, o condutor aguarda em liberdade.
A reportagem do JTR tentou contato com o Ministério Público, que está em recesso, e a Polícia Civil para obter atualizações sobre o caso, mas não obteve retorno. O processo encontra-se em segredo de justiça, como indica o sistema do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

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