
A data de 28 de outubro celebra o Dia Mundial do Produtor de Tabaco, destinado para enaltecer os empreendedores do campo que cultivam uma das culturas mais relevantes da região. A data foi definida na assembleia da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA) de 2012 e foi escolhida porque neste dia, em 1492, tripulantes das caravanas de Cristovão Colombo à América conheceram a folha em uma tribo de nativos no interior do que viria a ser a ilha de Cuba. Oficialmente, o Dia do Produtor de Tabaco foi instalado em 2013 pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (Lei 14.208/2013).
Em São Lourenço do Sul, cerca de 3,5 mil famílias trabalham com essa cultura e colocam o município entre os maiores produtores do país, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Um desses produtores é o jovem Roberto Nornberg, de 27 anos, da localidade de Bom Jesus, no 4º Distrito.
A fumicultura é uma das primeiras culturas que os jovens do campo investem. Quando os pais já têm a estrutura na propriedade, é comum o jovem completar 18 anos e fazer o seu primeiro pedido de forma a ter a sua própria renda. Nornberg é responsável pela produção de 30 mil dos 90 mil pés de fumo da propriedade.
Sempre com visão de futuro, ele e a família investem em tecnologias para melhorar a qualidade do tabaco e o trabalho no campo. Uma delas é a irrigação, instalada na propriedade em 2020 e que, segundo eles, tem demonstrado ótimos resultados na produção.
Outra aquisição foi a instalação de energia solar, um dos investimentos em que o produtor relata ter tido mais retorno. Ele explica que no período da secagem do fumo há muito consumo de energia elétrica e que a conta chegava mensalmente a R$ 3 mil. Gerando a própria energia, pagam cerca de R$ 60 no pico da secagem do fumo.
O investimento ocorreu através de financiamento, com a facilidade de poder pagar a prestação no mês de julho, quando boa parte do fumo já está vendida. Com isso, não precisa antecipar a venda, como seria o caso se necessitasse pagar o alto valor da conta de energia nos meses de fevereiro e março, quando há o pico da secagem.

O produtor está confiante para esta safra, mas teme os efeitos que o El Niño pode causar na produção. Neste começo da safra 2023/2024, setembro registrou chuvas acima da média e outubro frio e tempo seco. Segundo o produtor, isso está afetando o desenvolvimento da cultura, que recém foi plantada no solo. “Até o momento o clima está desfavorável para essa safra, principalmente devido ao excesso de chuvas do mês de setembro”, explica o coordenador do Sistema Mutualista da Afubra, Geber Ehlert.

Como a agricultura é uma indústria a céu aberto e seus resultados dependem de inúmeros fatores externos, a família aposta na diversificação de culturas, com produção de grãos como soja e milho, além da pecuária. No entanto, não abrem mão do tabaco, uma das culturas mais rentáveis e que se adapta bem ao solo e à geografia da propriedade.



