Produção de tabaco em São Lourenço do Sul envolve cerca de 3,5 mil famílias

Roberto Nornberg é um dos muitos jovens lourencianos que começam o empreendedorismo rural na produção de tabaco. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

A data de 28 de outubro celebra o Dia Mundial do Produtor de Tabaco, destinado para enaltecer os empreendedores do campo que cultivam uma das culturas mais relevantes da região. A data foi definida na assembleia da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA) de 2012 e foi escolhida porque neste dia, em 1492, tripulantes das caravanas de Cristovão Colombo à América conheceram a folha em uma tribo de nativos no interior do que viria a ser a ilha de Cuba. Oficialmente, o Dia do Produtor de Tabaco foi instalado em 2013 pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (Lei 14.208/2013).

Em São Lourenço do Sul, cerca de 3,5 mil famílias trabalham com essa cultura e colocam o município entre os maiores produtores do país, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Um desses produtores é o jovem Roberto Nornberg, de 27 anos, da localidade de Bom Jesus, no 4º Distrito.

A fumicultura é uma das primeiras culturas que os jovens do campo investem. Quando os pais já têm a estrutura na propriedade, é comum o jovem completar 18 anos e fazer o seu primeiro pedido de forma a ter a sua própria renda. Nornberg é responsável pela produção de 30 mil dos 90 mil pés de fumo da propriedade.

Sempre com visão de futuro, ele e a família investem em tecnologias para melhorar a qualidade do tabaco e o trabalho no campo. Uma delas é a irrigação, instalada na propriedade em 2020 e que, segundo eles, tem demonstrado ótimos resultados na produção.

Outra aquisição foi a instalação de energia solar, um dos investimentos em que o produtor relata ter tido mais retorno. Ele explica que no período da secagem do fumo há muito consumo de energia elétrica e que a conta chegava mensalmente a R$ 3 mil. Gerando a própria energia, pagam cerca de R$ 60 no pico da secagem do fumo.

O investimento ocorreu através de financiamento, com a facilidade de poder pagar a prestação no mês de julho, quando boa parte do fumo já está vendida. Com isso, não precisa antecipar a venda, como seria o caso se necessitasse pagar o alto valor da conta de energia nos meses de fevereiro e março, quando há o pico da secagem.

Entre as alternativas para diminuir custos da produção, foram instaladas 38 placas de energia solar na propriedade, gerando uma economia importante na época de secagem do fumo. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

O produtor está confiante para esta safra, mas teme os efeitos que o El Niño pode causar na produção. Neste começo da safra 2023/2024, setembro registrou chuvas acima da média e outubro frio e tempo seco. Segundo o produtor, isso está afetando o desenvolvimento da cultura, que recém foi plantada no solo. “Até o momento o clima está desfavorável para essa safra, principalmente devido ao excesso de chuvas do mês de setembro”, explica o coordenador do Sistema Mutualista da Afubra, Geber Ehlert.

Mesmo com a incidência do fenômeno El Niño, produtor tem expectativa de uma boa safra. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Como a agricultura é uma indústria a céu aberto e seus resultados dependem de inúmeros fatores externos, a família aposta na diversificação de culturas, com produção de grãos como soja e milho, além da pecuária. No entanto, não abrem mão do tabaco, uma das culturas mais rentáveis e que se adapta bem ao solo e à geografia da propriedade.

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