Mão de obra é apontada como dificuldade na produção de tabaco

O sol forte trouxe perdas para a produção. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

A fumicultura é uma das produções de mais destaque na região, mas que vem perdendo área a cada safra. Segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), na safra 2021/2022 foram plantados 6.953 hectares, uma redução de 9% da área plantada em relação à anterior, em que foram plantados 7.571 hectares.

Grande parte desta redução se deve pelo aumento da produção de grãos na região. As áreas em que antes era cultivado o tabaco foram sendo substituídas por soja e milho. Fatores como a valorização e a mecanização do manejo tornam os grãos mais atrativos, e com isso, o número de famílias produtoras de fumo diminuiu de 4.803, na safra 2020/2021, para 3.930 famílias na atual.

Outro fator que implica na diminuição da produção é a mão de obra. O tabaco exige muito trabalho manual, desde o plantio até a colheita, o que exige muitas pessoas para dar conta de realizar cada etapa no momento necessário. Na localidade de Picada Moinhos, a família Büttenbender e a família Schneider, de São João da Reserva, resolveram esta questão investindo na troca de serviço.

Valentine e Guinter, ambos de 19 anos, buscam realizar seus
sonhos através da produção de tabaco. (Foto: Arquivo Pessoal)

Sônia e Elmar Büttenbender plantam 100 mil pés de fumo, e em casa contam com a ajuda da filha Valentine e seu namorado Guinter. A filha mais velha do casal, Vanessa é casada com Matias e planta fumo com seus sogros, Jorge e Ane, na localidade de Reserva. Para dar conta da produção, as oito pessoas se ajudam mutuamente, plantando e colhendo fumo, cada semana em uma propriedade, evitando que falte mão de obra. Além de economia, em não precisar contratar alguém de fora, desta forma também convivem juntos por mais tempo, se fortalecendo e incentivando uns aos outros.

O clima também não favoreceu a produção nesta safra. O coordenador do sistema Mutualista da Afubra, Geber Ehlert, explica que haverá uma perda de 15% na produção devido à estiagem e ao sol forte que afetou as plantas.

Os produtores explicam que as chuvas encharcaram o solo, e depois o sol forte queimou as folhas, deixando muitas manchas. A estimativa da Afubra é que a produtividade fique em cerca de 2 mil quilos por hectare, somando assim 14 mil toneladas produzidas em todo o município, um número bem abaixo das 18 mil toneladas que foram colhidas na safra anterior.

E essa redução reflete no preço pago ao produtor. Com a diminuição da oferta de produto, consequentemente o preço pago pelas fumageiras aumenta. Büttenbender destaca que este aumento é importante para compensar a elevação no custo de produção. Em sua propriedade um dos principais gargalos são os fertilizantes e a energia elétrica, itens fundamentais para a produção e que tiveram um aumento muito significativo nesta safra.

Lavouras de sonhos
Enquanto muitas famílias deixam de plantar o tabaco, tem gente plantando a sua primeira safra e com muita expectativa para o futuro. O casal Valentine e Guinter estão começando a vida juntos, e viram na lavoura de tabaco uma oportunidade de conquistar todos os seus sonhos e objetivos.

Valentine é filha de agricultores, mas não fazia parte dos seus planos continuar o trabalho dos pais. Ela planejava buscar seu futuro na cidade. Guinter não tinha contato direto com a cultura, visto que seu pai é caminhoneiro e sua mãe é doméstica, mas observando o trabalho da namorada e sua família ele viu uma oportunidade.

Eles contam que o principal incentivo veio de Vanessa, a irmã de Valentine, que estimulou o casal a começar a ajudar na lavoura durante a pandemia, e assim observar se gostam ou não do trabalho. Com o apoio de todos, eles iniciaram e, nesta safra, plantaram seus primeiros 30 mil pés de fumo. Para o futuro, o casal sonha em construir uma casa, investir em maquinário próprio e aumentar a produção. Eles acreditam que sonhar junto torna tudo mais possível.

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