O tabaco é uma das culturas de mais destaque em São Lourenço do Sul. Na última safra foram colhidas mais de 15 mil toneladas, o que coloca o município na lista de maiores produtores do estado. Nesta safra a área plantada segue a mesma, cerca de 7 mil hectares. Embora muitos produtores tenham aumentado a quantidade de fumo plantado, outros estão diminuindo a área e investindo em outras culturas, como soja e milho.
Nesta sexta-feira (28) se comemora o Dia do Produtor de Tabaco e, em época de safra, os produtores celebram na lavoura. Alguns estarão plantando, outros estão em época de capina e manejo, e uma parte já está se preparando para a colheita das primeiras folhas.
Etapas diferentes, mas o objetivo de todos é o mesmo: fazer uma safra melhor que a anterior. O coordenador do sistema mutualista da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Geber Ehlert, explica que cerca de 90% do fumo está plantado, e até o momento, as lavouras já constituídas estão se desenvolvendo bem, gerando boa perspectiva de colheita, mas ainda é cedo para fazer previsões sobre a safra.
Para Eliane e Valnei Paulsen a rotina de começar uma nova safra se repete há cerca de 20 anos. O casal começou o plantio depois de observar que a cultura seria mais rentável que trabalhar como empregados para outros. Estimulados pelos familiares, plantaram os seus primeiros pés de fumo. O começo foi difícil e repleto de dúvidas, mas as boas safras foram o estímulo para continuar na produção. Com o tempo, a fumicultura foi ganhando cada vez mais força e se modernizando, as estufas convencionais passaram a ser elétricas, o trabalho com cavalo passou a ser feito com trator, e o manejo se tornou mais fácil. A família acompanha esse desenvolvimento, e busca implantar na sua propriedade as novidades que o mercado oferece.

Atualmente, o casal não é o único na propriedade que planta tabaco. O filho Janísio e a esposa Cleonisa também optaram pela fumicultura. Eles começaram o plantio em 2014. Por não precisar de grandes áreas e se adaptar bem a qualquer tipo de terra, a fumicultura é uma das mais acessíveis. Além disso, é uma das culturas mais rentáveis do interior. Cleonisa diz que gosta de plantar fumo e isso, somado aos outros benefícios, fez o casal começar na cultura.
Morando juntos na mesma propriedade, as famílias se ajudam e trocam serviços na lavoura. Um ajudando o outro, e assim crescendo juntos. Nesta safra, Valnei e a esposa irão plantar cerca de 90 mil pés, já Janísio e Cleonisa cerca de 55 mil. Os planos para o futuro são continuar investimento em melhorias na infraestrutura da propriedade, como nas piscinas, e um sonho é investir em energia solar, para diminuir a conta de luz em época da secagem do tabaco.
E é momento de falar das dificuldades dessa cultura. Para as famílias a principal delas é a mão de obra. Embora tenha havido a modernização de muitas etapas, existem partes que precisam ser feitas a mão, como a colheita e a capina. Dependendo do clima, o fumo chega ao ponto de colheita muito rápido e, para que não se perca na lavoura, é preciso muitas pessoas ou começar cedo e ficar até tarde.
Um trabalho cansativo, no qual muitas vezes é difícil conseguir ajudantes, pois estes também são demandados por outros produtores.
Um fator importante no sucesso da safra é o clima. Ehlert explica que as previsões para o próximo ano são de La Nina, com probabilidade de estiagem no período de safra. “Este fator pode influenciar na produtividade do tabaco dependendo da força deste fenômeno. Associado à estiagem, o fenômeno La Nina costuma promover o aumento de incidências de temporais, especialmente com queda de granizo, fator que também pode afetar na produção de tabaco”, aponta.
Eliane conta que em todos os anos de plantio foi preciso passar por momentos difíceis, mas que apesar das condições climáticas, sempre foi possível colher um pouco de fumo e assim fazer a renda da família.




