Conheça a história da família Altenburg, pioneira na produção de tabaco em São Lourenço do Sul

Na terceira geração, família foi pioneira na produção do fumo na localidade Santana, e pretende continuar inovando no setor. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Evoluir junto com as tecnologias e facilitar o trabalho na lavoura são os principais objetivos da família Altenburg, produtora de tabaco na localidade de Santana, em São Lourenço do Sul. Hoje, a família planta em média de 250 a 300 mil pés de fumo, e conta com máquinas e implementos modernos para facilitar o trabalho. Mas nem sempre foi assim.

A produção de fumo foi inserida na propriedade há 46 anos, por Hilma e Osvaldo Altenburg. Após dois anos de casados foi realizado o primeiro pedido. Naquela época, plantavam em média de 20 a 25 mil pés de fumo, e todo trabalho era realizado de forma mais manual e com auxílio de junta de cavalos e bois para fazer o trabalho na terra. O casal foi o primeiro a produzir fumo na localidade, e mantém com orgulho na propriedade a estufa convencional que construíram, mesmo não sendo mais utilizada.

Julcemar é filho do casal. “Nasci no meio do fumo”, destaca. Ele observou o trabalho e a coragem dos pais em serem pioneiros na localidade e hoje, junto com sua esposa Viviani, está à frente da propriedade. Ele conta que já cultivaram de tudo, mas que o fumo é o carro-chefe, aquele que “paga a conta”. Para atender toda produção que possuem, estão sempre atentos às novidades e investem em máquinas e implementos que auxiliam na mão de obra.

Máquina de plantar contribui com a rapidez e qualidade do serviço. (Foto: Arquivo Pessoal)

Um dos mais recentes investimentos é o queimador que utiliza pellets (um combustível sólido, produzido a partir de resíduos da indústria de transformação de madeira). Além de ser mais sustentável porque não larga tanta fumaça no meio ambiente, também facilita o trabalho do produtor que não precisa ficar preso à estufa abastecendo com lenha.

A propriedade é a única lourenciana que possui essa máquina. Além disso, investiram em máquinas de plantar e de colher fumo, que facilitam o trabalho árduo no campo. Outro investimento que eles comemoram a diferença na qualidade do tabaco é a estufa de carga contínua. Ela é dividida em boxes, e cada um é cheio por dia, com isso, quando o fumo está secando no primeiro box recebe a umidade do fumo verde da última, e assim pega uma umidade natural, mantendo a melhor qualidade.

Além de facilitar o trabalho no dia a dia, os investimentos são realizados pensando no futuro dos filhos. Juliane já é maior de idade e é o braço direito dos pais na lavoura. Vitor é o filho mais novo e ainda só observa o trabalho da família, mas sonha em poder trabalhar junto também. “De quando a gente começou até hoje facilitou muito, e estamos ensinando eles a continuar investindo e não parar no tempo”, explica Viviani. Juliane conta que pretende ficar na propriedade produzindo tabaco, e que a chegada da nova máquina de colher foi motivo de grande alegria para ela.

Esse orgulho em ser produtora de tabaco fez com que a jovem desfilasse no concurso para ser parte da corte da Festa do Fumo de São Lourenço do Sul, promovida pelo Salão Ziebell.

Com o incentivo e apoio dos pais a coragem chegou. Ela conta que sentiu um frio na barriga, e na hora da fala dos jurados contou a sua rotina na propriedade e do orgulho de ser fumicultora. Deu certo, e Juliane foi escolhida Rainha da Festa do Fumo. Agora os finais de semana são em eventos e divulgando a festa, que acontecerá em 3 de março de 2024.

Juliane foi eleita Rainha da Festa do Fumo, orgulhando-se da função exercida pelos seus pais e avós na cultura. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

“O nosso futuro depende da terra”, comenta Julcemar. E para que ela continue produzindo, eles utilizam adubo orgânico de peru para devolver os nutrientes perdidos, fazem rotação de cultura com milho e soja para quebrar o ciclo de doenças, investem em plantio direto, e sempre aplicam e fazem o descarte dos defensivos agrícolas da forma orientada pela empresa fumageira.

Hoje, a família planta em média de
250 a 300 mil pés de fumo. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Assim que as novidades são lançadas eles buscam incorporar na propriedade, mas sempre observando a viabilidade dela, se será realmente prática e necessária. Assim, muitos produtores já têm a família como referência e a visitam para conhecer os investimentos mais recentes.

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