São Lourenço do Sul: Segundo dia de Mental Tchê tem debates focados na linha de cuidado do Transtorno

Evento busca trazer, através de reflexões a respeito do TEA, maior assistência à população. (Foto: Tatiane Klumb)

Durante a semana aconteceu, em São Lourenço do Sul, a 18ª edição do Mental Tchê, na sexta-feira (30), os debates são focados na linha de cuidado para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e síndromes análogas.

A partir das 9h, nomes de referência no assunto estarão presentes na Mesa 2, debatendo o tema e buscando construir essa linha de cuidado, cuja importância resulta em um atendimento justo e satisfatório para os pacientes.

Graziela Vasquez, psicóloga e vereadora de São Lourenço do Sul, destaca que o Brasil vive um avanço nas políticas públicas de saúde mental desde a Lei 10.216, de 2001, que instituiu a reforma psiquiátrica e vem, desde então, substituindo progressivamente os hospícios por serviços de base territorial de cuidado em liberdade, como, por exemplo, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

“Por isso, esse evento visa fortalecer a autonomia das pessoas que tem algum tipo de sofrimento, e mostrar para a sociedade o quanto essas pessoas devem ser cuidadas e incluídas na sociedade, nos seus contextos familiares, nas suas vidas produtivas e profissionais” complementa.

Segundo a psicóloga, a programação fez questão de incluir uma mesa de debate e reflexões a respeito do TEA e outras neurodivergências pois ainda há desassistência e dificuldade de organização das redes de cuidado.

“A gente tem a intenção de abordar nessa Mesa para além do cuidado técnico, mas também a inclusão social dessas pessoas. A sociedade precisa compreender que as pessoas com TEA têm algumas diferenças que precisam ser respeitadas, como formas de convivência diferentes. Por exemplo, com maiores grupos, onde tem muitos barulhos ou muitos estímulos. Isto é algo que acaba fazendo com que um preconceito seja instituído e essas pessoas sejam excluídas da sociedade” explica.

Atuação de São Lourenço do Sul na causa

O governo estadual possui o programa TEAcolhe, que instituiu a Política de Atendimento Integrado à Pessoa com Transtorno do Espectro Autista no Rio Grande do Sul, visando garantir e promover o atendimento às necessidades específicas das pessoas com autismo. São Lourenço do Sul conta com um Centro Regional de Referência (CRR) do TEAcolhe, que atua em conjunto com os dispositivos de atendimento/acompanhamento às pessoas com autismo na sua região de referência.

Segundo Léo Jaime da Silva, coordenador da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de São Lourenço do Sul, o CAPS infanto-juvenil também atua nos casos e o município possui três profissionais: uma representante da Secretaria da Educação, uma da Assistência Social e uma da Secretaria da Saúde, que atuam na articulação entre os diversos serviços do município e atendem essa população.

O Centro Unificado e Integrado de Desenvolvimento Educacional (CUIDE), inaugurado em agosto de 2022, tem também a função de prestar acolhimento, encaminhamento e atendimentos aos estudantes das escolas da rede municipal de ensino que apresentem algum transtorno, dificuldade de aprendizagem ou deficiência.