Coopar/Pomerano, há 30 anos fortalecendo a agricultura familiar da região

A unidade Matriz da Coopar/Pomerano. (Foto: Divulgação)

Há 30 anos, no dia 30 de maio de 1992, nascia a Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores da Região Sul Ltda. (Coopar), pela iniciativa de grupo de agricultores e o acompanhamento de profissionais da agricultura familiar vinculados ao Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

Hoje, aproximadamente 5,5 mil famílias estão associadas à cooperativa, entre elas, 930 produtores de leite. A expectativa para 2022 é de atingir a produção de 70 milhões de litros de leite, 21,6 mil toneladas (360 mil sacos de 60 quilos) de soja e seis mil toneladas (100 mil sacos de 60 quilos) de milho no ano.

Em 2001, quando da entrada da cooperativa na atividade leiteira, a captação era de apenas cinco mil litros por dia, industrializados na unidade da Boa Vista. Além do leite, a cooperativa incentiva uma diversidade de culturas, o que fortalece a agricultura familiar e a pequena propriedade. A cooperativa atende praticamente toda a cadeia produtiva dos associados com inúmeros benefícios, desde a compra de insumos até a produção final.

A unidade de laticínios Boa Vista. (Foto: Divulgação)

Com a geração de 212 empregos diretos e outros 100 indiretos – os prestadores de serviços – sua área de abrangência inclui 17 municípios, sendo eles São Lourenço do Sul, Pelotas, Rio Grande, Turuçu, Canguçu, Arroio do Padre, Morro Redondo, Cristal, Camaquã, Sentinela do Sul, Capão do Leão, Piratini, Cerrito, Dom Feliciano, Barra do Ribeiro, Candiota e Chuvisca.

Os produtos com a marca Coopar/Pomerano chegam a mais de 100 municípios gaúchos e também do Rio de Janeiro e São Paulo. O mix de produtos inclui os queijos lanche, colonial, gouda e mussarela, o doce de leite, bebida láctea, nata, requeijão e leite UHT integral.

Além da matriz, localizada no distrito da Boa Vista, interior de São Lourenço do Sul, onde funcionam os setores administrativo e técnico e uma das unidades de varejo, possui, no total, duas fábricas de laticínios, duas unidades de varejo, dois postos de combustíveis e quatro unidades de secagem e armazenagem de grãos, com capacidade total para 420 mil sacos.

A unidade de laticínios BR 116. (Foto: Divulgação)

A diversidade de culturas é uma das marcas registradas da cooperativa, em busca de uma agricultura familiar forte, unida e com resultados. Os grãos, especialmente o milho e a soja, têm atenção e operação em todo o processo produtivo. Desde o preparo do solo até a safra, orientação técnica na comercialização de sementes, insumos e fertilizantes, assim como o recebimento e secagem da produção.

Das fábricas de laticínios, a primeira, com capacidade para industrializar 30 mil litros de leite por dia, está localizada na Boa Vista, onde são fabricados os queijos lanche, colonial e gouda, a nata e o doce de leite. A segunda, que industrializa em média 120 mil litros de leite, está situada na BR 116, próximo ao trevo de acesso à cidade. Equipada com tecnologia italiana, produz a bebida láctea, nata, requeijão e queijo mussarela.

A unidade Pedrinhas. (Foto: Divulgação)

Das duas unidades de varejo para atendimento ao público consumidor, uma está localizada junto à filial da Indústria de Laticínios, na BR 116, e a outra na ERS 265, junto a um dos postos de combustíveis, também na Boa Vista. O outro posto está instalado junto à filial, na Picada Esperança.

Possui ainda quatro unidades para secagem e armazenagem de grãos, uma localizada junto à Matriz Boa Vista, outra junto à filial Picada Esperança, a terceira na localidade de Pedrinhas, na ERS 265 e a quarta, adquirida recentemente, fica na Colônia Py Crespo, em Pelotas. As quatro unidades juntas totalizam uma capacidade de 19,8 mil toneladas de grãos.

Expansão – Produtores recebem suporte desde a produção até a comercialização

Devido à gestão focada na segurança financeira e econômica de cada passo que foi dado pela cooperativa, foi alcançada, nos últimos anos, uma expansão e desenvolvimento significativos, na contramão de outras cooperativas, que no mesmo período, enfrentaram momentos difíceis e outras até mesmo chegaram à liquidação.

A unidade Picada Esperança. (Foto: Divulgação)

Aos associados, além de todo o suporte oferecido, são garantidos melhor sanidade e preço. O produtor que obtém os laudos de sanidade animal livre de brucelose e tuberculose recebe incremento no valor pago pelo litro do leite, o que gera uma bonificação pela qualidade do produto. A cooperativa também aposta no melhoramento genético, trabalha e incentiva a seleção de touros adequados à realidade da região, com condições facilitadas.

As unidades de armazenagem são estruturas que ajudam na negociação de preços melhores, já que com a possibilidade de estocar a produção, os agricultores podem aguardar o melhor momento de vender os grãos, em geral a soja e o milho. Na maioria das vezes, os compradores são os próprios associados, principalmente com relação ao milho, utilizado na alimentação dos animais.

Os postos de combustíveis trazem benefícios aos associados, principalmente na questão logística, já que nas proximidades não existem outros estabelecimentos. Não há preços diferenciados aos associados, mas costumam ser competitivos à clientela em geral.

História – Coopar mudou a realidade da agricultura familiar regional

Com atuação direta junto à agricultura familiar, a história da Coopar tem muito a ver com a história da formação do povo lourenciano e da região e a ocupação das terras da Serra dos Tapes, diretamente ligada à colonização alemã e pomerana. A ocupação da terra, na época, tinha como objetivo básico e prioritário, desenvolver as atividades da agricultura.

A criação da Coopar, em 1992, foi motivada pelo trabalho que o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa) realizava desde 1987, com agricultores de diversas localidades, oferecendo assistência técnica nas propriedades e motivando os agricultores a se organizarem em associações, para produzirem melhor e buscarem comercialização mais rentável de seus produtos. Deste trabalho surgiram as primeiras associações, e após várias experiências de comercialização, surge a ideia e a necessidade da criação de uma cooperativa.

A unidade Py Crespo da Coopar/Pomerano. (Foto: Divulgação)

A implantação da Coopar gerou forte debate na comunidade local, especialmente no interior, onde a maioria das lideranças teve posicionamento contrário à sua criação. Através de projeto enviado à Alemanha, o Capa obteve a quantia de 17 mil dólares, destinado à aquisição de área com um prédio comercial desativado, na vila da Boa Vista, onde hoje está localizada a matriz. Foram 41 sócios fundadores e logo após o início das atividades, vieram anos de muitas dificuldades, de 1993 a 1995, que ameaçaram a viabilidade do projeto.

O período combinou adversidades climáticas, planos econômicos ruins para a agricultura e medidas administrativas equivocadas, que colocaram todo o projeto em risco. Após 1995, a cooperativa buscou uma atuação bem embasada no momento e redefiniu todo o seu sistema de funcionamento. Durante este período de dificuldades, os associados foram colocados em primeiro plano, e nestes 30 anos da cooperativa, inclusive nos momentos de extrema dificuldade, nenhum associado teve atrasos ou dificuldades para receber valores referentes à produção comercializada.

Desde a sua criação, a Coopar se voltou à comercialização da produção e fornecimento de insumos aos associados. Inicialmente trabalhava com batata, hortigranjeiros, suínos, milho, feijão e soja. Ao longo do tempo, buscou qualificar tecnologicamente a produção de seus associados e introduzir novas atividades.

Em 2001, após uma grande crise do setor leiteiro, entrou na atividade, especialmente na bacia de São Lourenço, onde ocorria uma forte debandada da atividade. Muitas propriedades estruturadas à produção leiteira foram desativadas pelo baixo incentivo e política de preços extremamente prejudicial aos agricultores. Manifestações na BR 116, no trevo de acesso ao município, eram comuns, na luta por uma política comercial mais adequada.

A entrada da Coopar na atividade leiteira constituiu-se em grande diferencial à retomada e estímulo à produção de leite no município e região e foi fato determinante para que São Lourenço do Sul se tornasse o maior produtor de leite da região Sul, Centro e Campanha e o sétimo colocado entre os 497 municípios do Estado. O incremento foi imediato e de 30% no preço do leite pago aos agricultores.

Também neste período, a Coopar, com a finalidade de oferecer maior competitividade aos produtos de seus associados, registrou sua marca Pomerano, deixando claro o papel da cooperativa quanto ao processo de industrialização e beneficiamento dos produtos agrícolas de seus associados, gerando mais riquezas no município e região.

Além da segurança na comercialização, o fato gerou empregos e consequentemente mais desenvolvimento. A marca, além de homenagear a história, tem o apelo cultural, como a forma de vida de uma grande parcela do povo da região. Ao longo de sua história, a Coopar esteve presente em todos os debates da política estratégica de desenvolvimento da agricultura e da região, ajudou e apoiou a criação de novas organizações, a fim de potencializar as atividades da agricultura familiar e a vida dos agricultores.

Através da cooperativa, políticas dos governos federal e estadual chegam até os associados, como o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA), importante meio de comercialização dos seus produtos.