Um ano de representatividade: a trajetória da Corte da 14ª Festa do Fumo do Salão Ziebell

Da esquerda para a direita: Manoela, miss simpatia; as princesas Kristhiny e Mônica; e a rainha Tamara integram a corte da 14ª Festa do Fumo do Salão Ziebell. (Foto: Catarine Thiel)

Ao longo de um ano, as soberanas da 14ª Festa do Fumo do Salão Ziebell percorreram comunidades, participaram de eventos regionais e assumiram a missão de representar os fumicultores e divulgar a festa. Entre agendas nos finais de semana, presença ativa nas redes sociais e compromissos institucionais, a corte conciliou rotina pessoal e responsabilidade pública, transformando faixa e coroa em símbolo de propósito, tradição e pertencimento.

Coroadas durante a 13ª edição do evento, as quatro jovens encerram o ciclo com a avaliação de que o período foi de aprendizado, trocas e fortalecimento das próprias raízes. Distintas entre si, mas unidas pelo vínculo com a fumicultura, compartilham experiências marcadas por orgulho e representatividade.

Da lavoura ao reinado: identidade que floresceu no campo

Tamara, 26, mora na localidade de Quevedos, interior de São Lourenço do Sul. É filha de Roni e Loiva Behling e carrega na própria história a essência da fumicultura. Criada em meio ao tabaco, afirma que sua relação com a cultura é “profunda e faz parte da minha identidade”.

O contato com a lavoura começou ainda na infância, mas foi em 2017 que assumiu oficialmente a produção, ao plantar 8 mil pés de fumo com o namorado, em busca de renda extra. O que começou como complemento financeiro transformou-se em propósito. Mesmo após o companheiro optar por um emprego formal, Tamara permaneceu na atividade, ampliou a produção e consolidou o vínculo com o campo.

A paixão pela profissão a motivou a concorrer à 14ª edição da festa. Durante a posse do título de rainha, Tamara descreve a trajetória como aprendizado constante. “Aprendi que a verdadeira elegância não está no caminhar, mas na empatia ao ouvir e no amor genuíno pela nossa cultura.” Para ela, ser soberana significa compreender que “a responsabilidade é o alicerce de qualquer título” e que a humildade fortalece a conexão com o povo.

Ao encerrar o ciclo, afirma sair com a missão cumprida. “Se antes eu tinha o sonho de ser soberana, hoje carrego a realidade de ter sido parte da história da nossa gente.”

Perseverança que virou coroa

Mônica, 23, mora na localidade de Picada Sabão – 6º distrito. É filha de Luiz Fernando Konsgen e Márcia Regina Barwaldt Konsgen. Cresceu em meio à fumicultura, principal fonte de renda da família, aprendendo desde cedo o valor do trabalho e da dedicação.

Ajudar na roça, diz, sempre foi mais do que obrigação: era prazer e forma de participar da cultura que admira. Dividiu a rotina entre estudos, tarefas domésticas e atividades rurais, inspirada pela resiliência dos pais, a quem chama de heróis.

Inscreveu-se no concurso por amor à fumicultura e como homenagem à trajetória familiar. No ano anterior, também foi candidata, mas não conquistou o título. A experiência, porém, reforçou sua determinação. “Porque ninguém nasce soberana, se torna soberana.”

Define o ano de reinado como intenso e especial. Participou do maior número possível de eventos, dedicando-se à divulgação da festa e à valorização dos fumicultores. “Não é apenas sobre levar uma faixa, coroa e usar um lindo vestido, é levar tradição, história e amor pelo que se representa.”

A coroação permanece como momento marcante. Emoção, surpresa e orgulho se misturaram ao ouvir que seria princesa. Ao longo do ano, construiu laços com as demais soberanas, recebeu o carinho das comunidades e encontrou na Família Ziebell uma segunda família. Afirma ter cumprido o papel com dedicação e representatividade.

Juventude que honra as raízes

Kristhiny, 16, é a mais jovem da corte. Mora na localidade de Florida – 2º distrito de Canguçu, com os pais, Jaqueline Piske Drawanz Zarnott e Cristian Zarnott Bahr. Filha de fumicultores, a princesa acompanha desde pequena a rotina da lavoura e a dedicação exigida pela cultura do tabaco.

Embora ainda não atue diretamente na produção, afirma ter profunda admiração pela classe. Destaca a persistência dos produtores diante do clima imprevisível, dos altos custos de insumos e da falta de valorização na comercialização. “Tenho muito orgulho dessa cultura e de tudo o que ela representa para a nossa família e para tantas outras.”

O reinado, segundo ela, foi marcado por simplicidade e representatividade. Entre bailes, festas comunitárias e encontros com outras cortes, buscou valorizar os trabalhadores do campo e reforçar os valores aprendidos em casa. Define o período como tempo de crescimento e conexão, feito de “sorrisos sinceros, fotos que eternizam momentos e palavras que valorizam quem trabalha duro todos os dias”.

Entre as lembranças mais especiais, cita o baile de escolha da nova corte, descrito como noite inesquecível, repleta de alegria e boas risadas.

Um sonho de infância vivido com simpatia

Manoela, 23, mora no Iguatemi – 2º distrito de Canguçu. É filha de Elton Luiz Hörncke Rojahn e Miriam Döring Rojahn. Sua trajetória foi construída na propriedade rural da família, acompanhando desde cedo o esforço necessário para conduzir uma safra.

Também atuou como fumicultora, enfrentando desafios climáticos e as incertezas de cada ciclo produtivo. Hoje não exerce diretamente a atividade, mas mantém o orgulho pela cultura.

Define o ano de reinado em uma palavra: “mágico”. Para ela, viver a experiência foi realizar um sonho de infância: usar a coroa, a faixa e representar a classe dos fumicultores.

Durante o período, levou o nome da Festa do Fumo a diferentes comunidades, fazendo jus ao título de Miss Simpatia e consciente da responsabilidade que ele carrega. A principal lembrança, afirma, é o carinho recebido — das companheiras de corte, da Família Ziebell e das pessoas que a acolheram com abraços e palavras de incentivo.

Ouvir que “tu ganhaste o título que tu representas” marcou profundamente seu coração. Mais do que os símbolos do cargo, destaca os laços construídos e a certeza de ter representado, com alegria e respeito, as famílias que vivem da fumicultura.