Documentários discutem a opressão das mulheres do campo e o período da ditadura em São Lourenço do Sul

Registro durante a gravação dos documentários. (Foto: Divulgação)

O coletivo de comunicação Vozes em Movimento, formado pela jornalista Gabriela Schmalfuss Borges e pelo advogado Pedro Henrique Farina Soares, teve dois documentários selecionados pelo edital da Lei Aldir Blanc.  Intitulados como “Mulheres (in)visíveis: A opressão e a luta das mulheres do campo de São Lourenço do Sul” e “Memórias do Esquecimento: A efervescência de São Lourenço do Sul nos tempos da Ditadura”, os documentários estão sendo gravados simultaneamente pelo coletivo. A apresentação deverá ser feita até o dia 17 de fevereiro, como consta no edital, porém há possibilidade de prorrogação deste prazo por mais 30 ou 60 dias.

“Mulheres (in)visíveis: A opressão e a luta das mulheres do campo de São Lourenço do Sul”

Gabriela conta que este projeto tem como objetivo discutir a situação das lourencianas do interior do município compreendendo as suas lutas e os desafios que têm em função do gênero, além de outros específicos, em razão de raça e de classe. “Quando pensamos em patrimônio, as mulheres são donas de somente 19% das propriedades, ou seja, os homens são donos de 81%. São fatores muito importantes que impedem a emancipação feminina e que precisamos discutir”, afirma. 

Segundo a jornalista, o projeto questionará a alta carga de trabalho, a falta de autonomia financeira, as diversas formas de violência e as imposições de uma cultura tradicional no desenvolvimento das meninas e mulheres do campo. Para isso, as entrevistadas possuem perfis diversos, vão desde agricultoras até outros profissionais, a fim de compreender de uma forma mais ampla os desafios que cada uma enfrenta. 

“Memórias do Esquecimento: A efervescência de São Lourenço do Sul nos tempos da Ditadura”

Com o objetivo de explorar a efervescência política e cultural durante o período da ditadura em São Lourenço do Sul este documentário abordará tópicos como organizações políticas, repressão, cinemas, teatros, União Lourenciana de Estudantes (ULE), grêmios estudantis, clubes (e as restrições à população negra), programas de rádio, etc. “Aqui, assim como em grandes centros do país, houve prisões políticas, censura, movimentos estudantis, quebra de costumes e construção de utopias de um mundo mais justo e igualitário. Resgatar essas histórias é recuperar aquilo que nos constituiu e ainda nos constitui enquanto comunidade e seres políticos que somos”, destaca o advogado. 

Pedro Henrique explica que para as entrevistas foram buscadas pessoas que dentro de suas realidades contribuíram, seja dentro do movimento estudantil, no cenário cultural e/ou político, para fortalecer a cultura e o debate em São Lourenço do Sul entre os anos de 60, 70 e 80, período de forte restrição das liberdades individuais e coletivas.

Vozes em movimento

O coletivo de comunicação Vozes em Movimento atua no município desde 2015 na produção e divulgação de conteúdo de caráter independente. Eles contam que ainda não tinham uma aproximação com o audiovisual, e que este momento tem sido de desafio. “Crescemos muito com as entrevistas e ouvindo tantas pessoas, é um processo que gera muita responsabilidade, pensando em qual a melhor forma de abordar determinado assunto”, explica Gabriela.

O grupo também promove eventos culturais como cines-debate, rodas de conversa e saraus temáticos. 

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