Em Rio Grande, são realizadas ações contra pragas que ameaçam a saúde das árvores urbanas

A escolha da Rua General Câmara se deu porque a via é uma das muitas regiões da cidade onde foi detectada uma infestação da erva daninha. (Foto: Richard Furtado)

Quem passou nos últimos dias pela Rua General Câmara, no Centro do Rio Grande, se deparou com uma cena incomum: preso por cordas e ganchos um sujeito “escala” um dos plátanos do canteiro, levando uma motosserra presa ao cinto. O que parece inusitado é, na verdade, a rotina de trabalho de Felipe Rocha, da Surí Arvorismo, empresa contratada pela prefeitura para tentar erradicar da cidade uma das maiores pragas, que ameaçam a saúde das árvores urbanas: a erva-de-passarinho.

Além de especialista em rapel, a equipe da Suruí Arvorismo – Manejo de Podas detém as técnicas e conhecimentos específicos para realizar a poda de pequenas e grandes árvores em zonas urbanas, com toda segurança. Rocha explica que o trabalho consiste, inicialmente, na análise do solo, troncos e galhos, avaliando se existe indicação de danos internos, como partes ocas, além de pragas, como formigas cortadeiras e cupins, situações que podem causar a queda da árvore.

“As formigas se alimentam da madeira e criam cavidades. O que mais temos nessas árvores são os cupins, que acabam matando a parte do cerne da árvore, responsável pela estrutura. Se a parte interna já foi comida e está oca, a árvore fica presa apenas pelo xilema, estrutura muito pequena para sustentar uma árvore grande, o que representa risco, especialmente em áreas urbanas”, acrescenta.

Após a avaliação, são definidos os pontos que serão utilizados para a subida na árvore. O trabalho é feito por duas pessoas: uma realiza a poda na árvore e outra auxilia na retirada dos galhos cortados, sinalização do local e na segurança do escalador na hora em que ele volta ao chão.

Combate a Infestação 

A escolha da Rua General Câmara se deu porque a via é uma das muitas regiões da cidade onde foi detectada uma infestação da erva daninha. Rocha explica que essa concentração torna o local um ponto de dispersão da erva-de-passarinho.

“Estas árvores têm tanta erva, que os passarinhos que vão lá para se alimentar com seus frutos e acabam levando as sementes para várias outras árvores. Se uma avenida inteira está cheia da praga, existe um grande ponto dispersor de sementes e por isso acaba tomando conta da vegetação”, explica.

Além das podas, o combate a praga que enfraquece as árvores a ponto de deixa-las ocas, aumentando significativamente o risco de quedas, consiste no levantamento das plantas que devem ser suprimidas, por apresentarem saúde precária e risco à população. Quando isso é necessário, cabe a prefeitura garantir a substituição do exemplar retirado com o plantio de novas mudas.

Extremo Cuidado

O trabalho é feito apenas em árvores que não estão em período de floração, para não prejudicar o desenvolvimento da planta. Nas demais plantas o processo é feito pensando no fortalecimento da planta. “Como não é uma poda drástica, é só uma limpeza, em um período de dois meses ela se estabelece de novo, não é algo que vai prejudicar o crescimento”, acrescenta.

Outra preocupação relaciona a esse trabalho é com as aves que escolhem as árvores para os seus ninhos. Durante o processo, são observados os períodos de nidificação das aves – construção do ninho para colocar os ovos – e, nos casos de identificação de ninhos, os galhos onde eles estão localizados são mantidos.