
O público que frequenta o Mercado Público durante o Festimar pode prestigiar nas mesas próximas ao restaurante, uma série de fotografias antigas que lembram Rio Grande do início do século XX. As imagens fazem parte da exposição “Do Mar para o Suporte Fotográfico: a chegada da Canhoneira ‘Pátria’ em Rio Grande/RS”, que tem a curadoria da Fototeca Municipal Ricardo Giovannini, vinculada à Prefeitura de Rio Grande.
A exposição, que faz parte da programação do Festimar, traz recordações da chegada da Canhoneira “Pátria” da Marinha Portuguesa, que foi construída a partir de recursos de portugueses que residiam no Brasil. A embarcação chegou ao Brasil em 1905 e em Rio Grande, no mês de novembro do mesmo ano e permaneceu até janeiro de 1906.
De acordo com a coordenadora da Fototeca, Gianne Atallah, quando chegou, a Canhoneira “Pátria” e sua tripulação foram recebidos pela população rio-grandina com uma extensa programação festiva organizada por uma Comissão de Festejos. Essa programação promoveu desfiles, apresentações, atividades esportivas e artísticas, banquetes e Batalha das Flores.
“Essa exposição mostra o valor potencial histórico e cultural do local onde é realizado o Festimar. A Rua Riachuelo e seu entorno são a identidade da cidade”, afirma. A mostra continua no local até o final do Festimar. Após, deverá ser exposta em outros momentos e em outros formatos devido ao seu valor simbólico.
Canhoneira – contexto histórico
Na segunda metade do século XIX, em paralelo à difusão da propulsão a vapor, generalizou-se a fabricação de grande quantidade de embarcações de pequeno e médio portes para fins militares. Do ponto de vista técnico, as canhoneiras eram navios de guerra relativamente pequenos, com casco de aço e arsenal bélico relativamente grande.
Navios de guerra de grande porte, com maior poder destrutivo, eram mais caros e menos adequados do que as canhoneiras quando havia necessidade de atuação em águas rasas ou áreas restritas. Por isso, entre fins do XIX e início do XX, tais embarcações de menor porte tornaram-se predominantes nas ações de demonstração naval e patrulhamento de territórios coloniais. Sua utilização por várias potências imperialistas como forma de intimidação ou intervenção militar visava a atingir resultados que, em política externa, caracterizou-se como a “diplomacia das canhoneiras”.
A expressão designa um método amplamente difundido como instrumento de política externa das potências imperialistas da época. De acordo com a definição clássica de James Cable, trata-se do uso político de uma força naval limitada. Em outras palavras, a diplomacia das canhoneiras pode ser entendida como um método de intimidação ou intervenção militar por meio da mobilização de navios de guerra de pequeno e médio portes para, sem recorrer à declaração formal de guerra, perseguir objetivos nacionais.
Tal método serviu à preservação de vantagens e à tentativa de evitar perdas. Na prática, a ameaça ou o uso efetivo de forças navais limitadas perseguiu objetivos de cobrar dívidas, garantir a ordem política ou/e social e preservar áreas de influência, colônias, mercados ou protetorados.



