Junho Vermelho e Laranja alerta para conscientização sobre anemia, leucemia e doação de sangue

A doação de sangue é de extrema importância para todas as doenças relacionadas com o sangue, hemorragias graves, cirurgias e a deficiência de hemocomponentes. (Foto: Julia Barcelos/JTR)

O mês de junho relembra duas importantes campanhas, sendo elas o Junho Vermelho e Laranja. A primeira trata a doação de sangue, enquanto a segunda é específica sobre a anemia e a leucemia. A união das campanhas fortalece o debate sobre as doenças relacionadas ao sangue, deficiências de seus componentes e a importância da doação. No Hemocentro Regional de Pelotas (Hemopel), na zona sul do Estado, é realizado o complexo trabalho de preparo e destinação do sangue até seu receptor, além de prestar serviços a pessoas com outras doenças hematológicas.

Nesta sexta-feira (14), o Hemopel terá a comemoração do Dia Mundial do Doador de Sangue com homenagens a quem pratica este ato e, também, conscientização sobre a necessidade de aumentar o número de doadores regulares. Segundo Márcia Lages, assistente social do Hemopel, quem doar nesta data receberá “um pequeno gesto de gratidão a sua dedicação em salvar vidas”.

Junho Laranja: anemia e leucemia

A anemia e a leucemia estão entre as doenças hematológicas mais comuns. Há seis tipos de anemias que podem ser desenvolvidas por diferentes causas, como falta de nutrientes, má alimentação, doenças na medula óssea, alterações genéticas e doenças crônicas ou autoimunes. Segundo informações da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), estima-se que 90% de todas as anemias sejam causadas por deficiência de ferro.

Quanto à leucemia, temos quatro principais tipos da doença, entre eles, a linfoide aguda, comum em crianças e de rápido desenvolvimento; a linfoide crônica, maior ocorrência em adultos a partir dos 50 anos; a mieloide aguda, a mais comum em adultos e de rápido avanço; e a mieloide crônica, comum em pessoas idosas e de evolução lenta.

Igor Sedrez, médico do Hemopel, explica que a principal diferença entre a anemia e a leucemia é que a leucemia é um distúrbio, enquanto a anemia é uma manifestação, um sintoma de outra doença do paciente. “A primeira coisa que você se pergunta quando uma pessoa tem anemia é ‘qual a causa? Por que essa pessoa está com anemia?’. Diferente de uma leucemia”, completa ele.

Dessa forma, é possível que um paciente com leucemia venha desenvolver uma anemia, agravando sua situação de saúde. Outras doenças, como o câncer, também podem causar anemia, o que significa baixa hemoglobina – proteína presente em um dos componentes do sangue. Assim, durante o tratamento dessas doenças, muitas vezes demorado e incisivo, é necessária a reposição desse componente. “Ainda não houve tempo suficiente para recuperar essa produção celular própria do indivíduo. Então, precisamos desse sangue [de doações] para deixar o paciente com estoque até que o corpo possa resolver isso”, explica Sedrez.

Dados da Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde (IVIS), do Ministério da Saúde (MS), apontam que, apenas em 2023, foram registrados 15 óbitos por anemias não especificadas na região de abrangência da 3ª CRS. Por leucemia, foram oito mortes de pacientes do tipo linfoide e 23 do tipo mieloide na região.

Junho Vermelho: Doação de sangue

Além da anemia, a doação de sangue é de extrema importância para todas as doenças relacionadas com o sangue, hemorragias graves, cirurgias e a deficiência de hemocomponentes. O sangue doado pode ser utilizado em sua totalidade – sendo apenas filtrado – ou separadamente, em seus componentes plasma, leucócitos, plaquetas e hemácias. Os interessados em doar devem se dirigir até os hemocentros, distribuídos por regiões. Em Pelotas, há apenas o Hemopel, que atende os 23 municípios da Região Sul.

No Hemopel, o caminho do sangue até o receptor começa com o cadastro do doador na recepção. Depois, é realizada a pré-triagem, na qual são verificados os sinais vitais (pressão arterial, temperatura e pulso), peso, altura e a medição da hemoglobina, através de uma picada no dedo para garantir que a doação não oferece risco de anemia aos doadores.

Então, o doador é direcionado para uma triagem clínica individual, na qual responde a questionamentos de um médico para avaliação de antecedentes e seu estado atual. Cátia Schmidt, assistente social do Hemopel, frisa a importância da ética neste momento, já que é fundamental que o sangue e seus componentes estejam na sua melhor condição. “É preciso entender que você precisa ser totalmente verdadeiro nos questionamentos que lhe farão, pois senão você colocará a vida de alguém em risco”, explica ela.

Após passar pela triagem, o doador que for aceito seguirá para a sala de coleta. Neste local, você marcará no voto de autoexclusão se você se considera ou não apto para realizar a doação. Esse papel anônimo contém o número de identificação da bolsa e doador e é depositado em uma urna, que será checada no fim do dia. Então, é feita a coleta de sangue, sendo uma ampola para análise e a bolsa para a doação. O sangue daqueles que se consideraram aptos seguirá para a análise em Porto Alegre, já os que se disseram inaptos já têm seu sangue encaminhado para o descarte.

Depois da análise favorável da amostra, o Hemocentro passa a analisar o tipo sanguíneo e demais características específicas da bolsa. Com os resultados positivos para utilização, o sangue segue para o fracionamento. Nesta etapa, ele é filtrado e, se for elegível, pode ser separado nos quatro componentes. Assim, uma bolsa fracionada pode ajudar até quatro pessoas. As substâncias são escolhidas de acordo com o potencial de cada doador e as demandas dos hospitais e pacientes aos quais o hemocentro atende. “Seleciona-se os materiais de acordo com o paciente e procedimento, para tentar sempre entregar o material em excelência”, afirma Cátia.

Depois, o sangue ou componentes são liberados e distribuídos para os hospitais, agências transfusionais e entre os próprios usuários do Hemocentro. Ainda, existe a doação dirigida, na qual escolhe-se o doador com o máximo de compatibilidade com a pessoa específica. Isso acontece quando este paciente já se encontra em um estado de saúde debilitado. A procura por um doador compatível é possível graças a um banco de dados com os hemocentros do Estado, possibilitando também a busca por bolsas em outros hemocentros.
No Hemopel, há também o ambulatório de coagulopatias, onde são tratados pacientes com hemofilia e outras doenças ligadas ao sangue. Dessa forma, são realizadas sangrias terapêuticas, transfusões e até fisioterapia, uma vez que a hemofilia acomete os nervos. Também é realizada a dispensação de fator, que são medicações para doenças específicas, funcionando quase como uma insulina serve para os diabéticos.

Pré-requisitos para doação

Para realizar a doação de sangue, é preciso estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50kg, não estar em jejum e evitar alimentação gordurosa nas últimas 3 horas antes da doação, ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas e não ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação. Não é recomendada a doação nos casos em que o doador perdeu peso sem fazer dieta, está com manchas na pele, caroços pelo corpo, feridas na boca, diarreia ou febre.

Também é preciso apresentar o documento oficial de identidade com foto. Em caso de menores de 18 anos, os adolescentes deverão estar acompanhados dos pais ou responsáveis legais. Vale lembrar que a idade máxima para realizar a primeira doação é de 60 anos.

Para mulheres, o intervalo mínimo entre as doações é de 90 dias, podendo ser realizadas até três vezes ao ano. Já para os homens, o intervalo deve ser de no mínimo 60 dias, e pode ser realizada a doação no máximo quatro vezes ao ano.

O Hemopel está localizado na avenida Bento Gonçalves, 4.569, em Pelotas. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h, sem fechar ao meio-dia. Grupos de doação precisam entrar em contato pelo WhatsApp (53) 98156-1209 para agendamento prévio.

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