
Na quarta-feira (22), foi realizada uma reunião com gestores da agricultura dos 22 municípios que compõem a Associação dos Municípios do Zona Sul (Azonasul) para falar das perdas do setor em razão das enchentes. O encontro aconteceu na sede da associação, no centro de Pelotas. Os dados foram apresentados pelo gerente regional da Emater/RS-Ascar de Pelotas, Ronaldo Maciel. Segundo ele, os prejuízos contabilizam R$ 1,5 bilhão até o momento. Entretanto, o panorama de perdas ainda não está finalizado, já que a região ainda enfrenta fortes chuvas e também as consequências da cheia do Lago Guaíba.
A cultura mais atingida foi a soja, que soma 68,74% das perdas na região, ou seja, cerca de R$ 900 milhões. Até o dia 27 de abril, quando começaram as chuvas no Estado, tinha sido colhida apenas 47% da soja na zona sul. A produção do grão já estava prejudicada devido às enchentes de setembro de 2023, que ocorreram no começo do período de semeadura. Portanto, o plantio foi concentrado e a colheita da soja estava em pleno andamento quando as cheias começaram.
Quanto ao arroz, a região teve 96% do grão irrigado colhido. Contudo, a cultura representa 10,52% das perdas. Em relação ao milho para grão, também houve muitos prejuízos. Essa produção representa 7,26% do valor e só foi colhida 40% na região. Os bovinos de corte têm uma porcentagem de perdas de 3.16%, enquanto a do leite é de 0,41% e das hortaliças 0,53%. Outras culturas somam prejuízos de 9,38%,
Até o momento da reunião, o município mais afetado na zona sul foi Arroio Grande, com 18,20% das perdas; seguido por São Lourenço do Sul, com 17,20%; Jaguarão, com 15,35%; e Santa Vitória do Palmar, com 11,45%. “Já elaboramos Laudos Circunstanciados de Perdas de 22 municípios de abrangência do nosso regional, que compreende também os da zona sul, e também estamos fazendo esse contato com os produtores para ver o nível de perdas, principalmente aqueles produtores que têm lavouras financiadas,” afirma Maciel sobre o trabalho da Emater durante as enchentes. Ele diz que estão sendo realizadas vistorias nas lavouras financiadas para que os produtores tenham acesso ao seguro de perdas.
Há também possibilidade de recursos via Ministério da Agricultura e Secretaria Estadual. Uma reunião para alinhar os novos passos foi agendada para a próxima quarta-feira (29), também em Pelotas, com as participações de representantes desses órgãos e do Incra, que poderá viabilizar ações mais específicas voltadas à agricultura familiar.



