Zona Sul não registra atraso na semeadura do arroz, diz Irga

Na terceira semana de outubro a Zona Sul tinha 85% de área semeada, mais de 125 mil de um total estimado de 149.989 hectares. (Maicon Campelo/Irga)

A janela aberta pela trégua da chuva em outubro foi muito bem aproveitada pelos produtores de arroz da região. A avaliação é do coordenador da Regional Zona Sul do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), engenheiro agrônomo Igor Kohls. De acordo com ele, as práticas de manejo adotadas, como plantio 24 horas e adubação em cobertura, garantiram agilidade na semeadura. Atualmente, o quadro não é o que se esperava há um mês, quando o excesso de chuvas impediu o começo da plantação do grão na região.

Em setembro, conforme Kohls, municípios como Santa Vitória do Palmar e Jaguarão registraram 500 milímetros de chuva, os menores volumes, fator que contribuiu para atrasar a semeadura, que teve início somente no dia 28 do mesmo mês. Ano passado, para efeito de comparação, já haviam sido semeados no período 25% da área destinada ao arroz na região, o que para os produtores foi considerado um mês “perdido”.

Em outubro, no entanto, o quadro é outro. Bem mais positivo. “Não há atraso na semeadura [de arroz] na Zona Sul”, garante Kohls. Ele lembra que já na terceira semana de outubro a Zona Sul ostentava 85% de área semeada. Percentual que se traduz em mais de 125 mil hectares de um total estimado de 149.989 hectares e coloca a região como líder no processo de semeadura entre as seis áreas produtoras do Rio Grande do Sul. No novo dado previsto para ser lançado pelo Irga nesta sexta-feira (27), Kohls não tem dúvida de que mais de 90% da área de arroz estará devidamente plantada na região. “É um ótimo índice, já que quase a totalidade da área vai estar semeada em outubro, que é o melhor momento para a semeadura”, afirma ele.

O percentual é o mesmo registrado no mesmo período do ano passado, o que não significa, no entanto, indicativo dos mesmos resultados alcançados na última safra. Na ocasião, a Zona Sul colheu a maior produtividade da série histórica – 9.645 quilos por hectare. Para repetir o feito, é preciso torcer por condições climáticas favoráveis: “Se não chover muito e obtivermos uma temperatura média acima de 20 graus podemos atingir uma produtividade semelhante a do ano passado”, projeta.

O primeiro passo foi dado. A tal janela de semeadura aberta com a pausa nas chuvas foi bem aproveitada pelos produtores. Assim, é possível evitar que a fase reprodutiva do grão se estenda aos meses de fevereiro e março, quando se tem menos luminosidade e noites de temperaturas mais amenas, o que não é recomendável. Kohls explica: “Afeta a fase reprodutiva do arroz, a planta sente e o que se tem é queda na produtividade”.

Números
Em 2024, a área estimada de lavoura de arroz no estado é de pouco mais de 90 mil hectares. A Zona Sul é a segunda maior região produtora. A maior é a Fronteira Oeste, que deve plantar 269.305 hectares. O Rio Grande do Sul é o maior produtor do país. Neste ano colheu sete milhões de toneladas do grão, contribuindo decisivamente para o status do Brasil, reconhecido como o maior produtor do grão do Ocidente.

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