Produtores se reinventam diante dos problemas que ameaçam a criação

Atualmente, criadora Cristina Soares Ribeiro está em Santa Vitória do Palmar (Foto: Divulgação)

Um problema recorrente na ovinocultura é o ataque de cães aos rebanhos, algo tão grande e sério que levou criadores a diminuírem ou pararem com a criação. Há um ano, diante de um imenso prejuízo causado pela morte de, pelo menos, 100 ovinos, a criadora Cristina Soares Ribeiro, da tradicional Cabanha Paraísos, de Pedras Altas, decidiu se mudar com os animais para uma propriedade, em Santa Vitória do Palmar, onde já trabalha o seu marido.

No local, atualmente a cabanha não sofre mais com este problema devido ao alto investimento realizado na colocação de telas para evitar a proximidade dos cães aos animais. No entanto, Cristina destaca que os ataques continuam em vários municípios. Ela conta que sofreu com o problema durante vários anos, na propriedade em Pedras Altas, onde mantinha a cabanha juntamente com a mãe e as irmãs. “Elas preferiram desistir da criação, mas eu não aceitei esta saída”, diz a produtora.

Segundo ela, os ataques mensais passaram a ser semanais e a qualquer horário, mesmo perto de casa. “Se trazia o rebanho para parir perto de casa e mesmo assim os ataques eram constantes”, diz. Segundo ela, nem mesmo os animais selecionados e registrados eram poupados, pois quando não eram mortos, sofriam danos irreparáveis e que os incapacitava para venda. “O meu prejuízo mais do que financeiro, passou a ser moral afetando a nossa tradição ovelheira”, ressalta. Dedicada à produção de ovinos Corriedale, a Cabanha Paraísos possui uma tradição de 70 anos, iniciada pelo seu avô e continuada por seu pai, Florício Soares, falecido em 2011.

Cristina conta que entre as medidas buscadas para solucionar o problema, a Comissão de Ovinos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), juntamente com a Associação Riograndense de Criadores de Ovinos (Arco), das quais faz parte, buscaram ajuda junto ao então deputado estadual Luiz Henrique Viana, criador da Frente Parlamentar da Ovinocultura na Assembleia Legislativa (AL). É de sua autoria projeto de proteção aos ovinos, aprovado em plenário na AL, no final do ano passado. Agora lei, impõe medidas para criadores de cães bravios, tornando obrigatório o registro destes animais, especialmente de caça em todo o Rio Grande do Sul, e fixa outras restrições em áreas de produção de ovinos e caprinos.

O projeto torna obrigatórios para o exercício regular da posse de cães de raças como American Pit Bull Terrier, Fila, Rottweiler, Dobermann, Bull Terrier, Dogo Argentino e outras afins utilizadas para caça, o registro do animal em órgão competente e a comprovação de seu adestramento e vacinação. O texto determina ainda a identificação eletrônica desses cães, que poderão circular em espaços públicos, condomínios e áreas próximas de onde há criação de ovinocaprinocultura, se conduzidos com guia curta – máximo 1,5 metro – e focinheira, que permita a normal respiração e transpiração do animal.

No caso de ataques, o deputado recomenda ao produtor que comunique a Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar que os animais foram abatidos por cães. Após, deve fazer um Boletim de Ocorrência (BO), na Polícia Civil, se possível com fotos dos animais mortos. “Também precisamos que informe ao sindicato rural do seu município, pois é a partir destes indícios que eles fazem estudos e planejamentos futuros”, ressalta Viana.

Segundo Cristina, há ainda em tramitação e em fase de execução projetos de incentivo à ovinocultura junto com a Emater em mais de 50 assentamentos. Também foram feitos contatos com as prefeituras para proceder castrações em cachorros abandonados para um melhor controle. Ela cita a atuação da Delegacia Especializada em Crimes Rurais (Decrab) de Bagé e da Rede de Proteção Ambiental e Animais (Repraas), que auxilia muito os produtores.

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