Produtividade da soja reduz área plantada de arroz na Zona Sul

Semeadura arroz. (Foto: André Mattos/Divulgação)

A produtividade da chamada soja de rotação, o custo de produção que aumentou 20% este ano em relação à safra passada – 60% no acumulado dos últimos dois anos – além dos preços praticados no setor orizícola, explicam a redução estimada em 15% da área de plantio de arroz na Zona Sul do estado para a safra 22/23. A projeção é superior à média estadual, que deve perder 10% do espaço destinado ao grão na comparação com a safra passada. As informações são do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga).

Ainda assim, a região mantém o posto de segunda maior área plantada dentre as seis mapeadas pelo Irga, atrás apenas da Fronteira Oeste, que na safra 22/23 deve plantar uma área de 229.351 hectares. Na Zona Sul, o cultivo está previsto em 139.543 hectares – o que corresponde a 16% do total do estado, um ponto percentual a menos do que na safra 2021-22.

A situação não surpreende o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho. Além da produtividade, a soja de rotação nas últimas três safras na região apresentou uma média de 50 sacos por hectare. Ele ainda chama atenção para outro ponto: o custo de produção. “Um hectare de soja exige investimento de R$ 6 mil”, diz Velho. “Um hectare de arroz não sai por menos de R$ 12 mil – tudo isso para uma rentabilidade baixa ou até negativa”, cita.

A situação, ainda segundo ele, obriga o produtor a se reinventar. Para ele, é preciso diversificar o portfólio da propriedade. E ele tem batido nesta tecla: “Não é mais um arrozeiro, é um produtor de grãos – é necessário ir ao encontro deste perfil”, afirma.

Velho lembra que a soja é boa alternativa, já que proporciona uma melhoria de produtividade da safra de arroz do ano seguinte. Ajuda a fertilizar o solo e reduz a incidência de plantas invasoras, como o arroz vermelho, aliviando o custo de produção, um dos principais gargalos que o setor orizícola enfrenta atualmente.

No entanto, ele alerta que a solução não é tão simples. Trocar arroz por soja não é solução final para os males do produtor. “Não é receita de bolo”, adverte. Conforme o presidente da Federarroz, depende muito das características de cada propriedade.

Velho lembra que as seis regiões produtoras (Zona Sul, Fronteira Oeste, Central, Planície Costeira Interna, Planície Costeira Externa e Campanha) são “completamente diferentes uma da outra”.

Quanto ao preço, quem reforça o coro descontente é o coordenador do Irga Zona Sul, Igor Kohls. “Está pior ou similar ao do ano passado”, aponta.

Estágio avançado
Com a queda de área plantada na região, a Zona Sul lidera a corrida da semeadura nas seis regiões arrozeiras mapeadas pelo Irga.

Até o fechamento desta edição, a região já havia plantado 99,10% da área destinada ao grão, com 138.297 hectares semeados – conforme dados do boletim semanal atualizado no dia 16 deste mês. No estado, o índice de área semeada era de 90,54%, o que corresponde a 780.863 hectares. O Rio Grande do Sul deve plantar na safra de arroz 22/23 uma área de 862.498 hectares. Na safra passada foram plantados 957 mil hectares.

Na região, conforme o coordenador do Irga, é possível dizer que a semeadura está praticamente encerrada, já que a maioria dos produtores optou por semear uma safra menor.

Chuí e Pedras Altas foram os primeiros municípios a encerrar a fase de plantio, já na primeira metade de outubro. Capão do Leão, Pedro Osório, Cerrito e Turuçu também já encerraram.

Santa Vitória do Palmar, no Extremo Sul, é o município com maior número de área plantada, com quase 63 mil hectares, o que corresponde a 45% de toda a região.

Produtividade
Ainda é cedo para projetar a produtividade desta safra na região. Conforme Kohls, o indício é “muito bom”, embora a temperatura esteja abaixo da média. O mês de setembro, por exemplo, registrou 1.8 graus a menos do que o normal. O fenômeno atrasa o desenvolvimento da planta e contribui para retardar o início da irrigação – tecnologia que dificulta o desenvolvimento das plantas daninhas. “Já nos primeiros dias de dezembro, quando a maior parte das lavouras estiverem irrigadas, vai ser possível perceber visualmente uma estimativa de produtividade”, afirma.

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