Pêssego tem quebra estimada entre 25% e 30% na safra 2020

Foto: Pixabay

O clima surpreendeu mais uma vez os produtores de pêssego, que sentem nos seus pomares os efeitos das geadas tardias ocorridas em setembro. A expectativa de uma safra cheia e de uma colheita prevista de 50 mil toneladas já tem uma estimativa de quebra de 25% a 30% em toda a região, segundo a Emater.

O extensionista da Emater Pelotas, engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, explica que houve geadas exatamente no momento da transição da flor para o fruto, o que afetou quase todas as cultivares, algumas com perdas de 50% a 60%. Além disso, em algumas variedades como Granada, Santa Áurea e Eldorado, as altas temperaturas e a umidade, impediram que as flores se transformassem em frutos, com perdas superiores a 50%.

No momento, o trabalho nos pomares se concentra no raleio, que é a retirada de frutos por galho para garantir maior qualidade e tamanho aos frutos. As primeiras cultivares devem estar prontas para serem colhidas a partir de 20 de outubro. “A colheita se intensifica entre 1º de novembro e 31 de dezembro, quando se concentra 90% da safra”, diz o extensionista. Algumas cultivares mais tardias se estendem até janeiro.

Noventa por cento da fruta produzida na região é destinada à indústria, para a produção de compotas. Mas cresce, também, a destinação ao mercado de mesa, neste ano, com outros mercados se abrindo em função da quebra na Serra gaúcha, principal produtora e que sofreu os efeitos do clima com a ocorrência de geadas, chuvas e granizo. “Os produtores têm ampliado a produção de frutas de duplo propósito e além de suprir o mercado local, têm ainda esta perspectiva de enviar sua fruta para a Serra”, diz o agrônomo.

Segundo Prestes, a indústria está se preparando para a safra, especialmente porque precisa redobrar os cuidados em função da pandemia. “Nós temos uma indústria aqui que funciona o ano todo, que é a Oderich, e as suas práticas devem servir de modelo para as demais”, diz o técnico.

O presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de Pêssego (AGPP), Mauro Scheunemann, confirma a quebra, mas vê com otimismo as negociações em relação à demanda por fruta e preço, já que as indústrias estão com seus estoques baixos. “Devemos ter nossa primeira reunião com os representantes da indústria, na próxima semana”, afirma. Segundo ele, a perspectiva é de um ano melhor do que os anteriores.

Conforme a Emater, a região tem implantados 4.962 hectares de pêssegos destinados para as indústrias locais de processamento da fruta, principalmente para pêssegos em calda, e ainda polpa, sucos, saladas de frutas e doce em pasta. Envolve 953 produtores. As produções da fruta e da conserva são tradicionais da Região, do RS e do Brasil, com registros históricos da década de 60. Destaque para Pelotas com a maior área cultivada com 2.700 hectares e o maior número de famílias envolvidas com 605 persicultores.

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