
O Rio Grande do Sul é um grande produtor de azeite de oliva do Brasil. Segundo dados do Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura (Pró-Oliva), em 2022, foram produzidos 448,5 mil litros de azeite no Estado e, em 2023, a produção aumentou 29%, atingindo 580.228 mil litros – o que elevou o Estado a maior produtor nacional de azeite. Na safra 2024, no entanto, o excesso de chuvas, desde a floração até a colheita, resultou em quebra na produção de azeites de oliva no RS. A redução foi de 67% em comparação com a produção obtida no ano anterior, passando de 580,2 mil litros para 193,5 mil litros em 2024.
A área plantada atual é estimada em 6,5 mil hectares, enquanto as oliveiras em idade produtiva (com quatro anos ou mais) ocupam cinco mil hectares. Na região Sudeste Rio-Grandense, composta por 15 municípios, a maioria da zona sul do Estado, está a maior área plantada, de 2.613,86 hectares e o maior número de produtores, no total de 84. As maiores plantações estão nos municípios de Encruzilhada do Sul (1.007,90ha), Canguçu (657ha), Pinheiro Machado (507,26ha) e Caçapava do Sul (175,65ha). No resto do Estado, destacam-se ainda São Sepé, Cachoeira do Sul, Santana do Livramento, Bagé, São Gabriel, Viamão e Sentinela do Sul. Os dados são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva).
O Dia Mundial da Oliveira é celebrado anualmente em 26 de novembro, uma data reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) desde 2019. O propósito da celebração é preservar a oliveira e promover os valores de paz, sabedoria e harmonia associados a ela.
A azeitona é o fruto da oliveira, planta originária do Mediterrâneo. Atualmente, existem mais de duas mil variedades de azeitonas e 58 países produtores. O azeite de oliva é o suco produzido a partir da azeitona. A Espanha lidera com 50% da produção mundial de azeite e detém 25% da área global de olivais. Segundo dados do Conselho Oleícola Internacional (IOC), o consumo per capita de azeite no Brasil é de 0,5 quilogramas, ainda longe dos números da Espanha, com cerca de 11,2 quilogramas por habitante ao ano.
O RS tem se destacado na produção de azeite de oliva no país e ocupa o primeiro lugar em termos de volume, seguido pela produção na Serra da Mantiqueira (em território entre os estados de Minas Gerais e São Paulo). Em menores proporções aparecem os estados de Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e Bahia.
Dados do Cadastro Olivícola 2022 apontam que a produção de azeite de oliva no Estado avançou, e aumentou também expressivamente o número de fábricas e de marcas de azeite gaúchos. O volume de azeite de oliva produzido no RS registrou um salto de quase 390 mil litros em relação a 2017 – crescimento de quase 700%.
A oliveira foi introduzida no Estado por imigrantes portugueses, porém, seu cultivo serviu mais para fins ornamentais e consumo próprio, tendo quase desaparecido. A partir dos anos 2000, o interesse pela exploração comercial da planta vem crescendo, e a área de cultivo de oliveiras tem aumentado consideravelmente. O papel do RS nessa expansão tem sido ativo, por meio de ações da Secretaria da Agricultura em parceria com outras instituições. Entre as ações empreendidas está o financiamento dos primeiros olivais, em 2005, e a criação do Grupo Técnico da Olivicultura, em 2008.
O grupo formado por extensionistas e pesquisadores passou a trabalhar na adaptação de tecnologias de outros países para as condições de clima e solo gaúcho. As primeiras recomendações para os produtores foram disponibilizadas em 2009. Em 2012, houve a criação da Câmara Setorial das Oliveiras e a instituição da primeira abertura oficial da colheita da oliva no RS. Ainda, pode-se destacar o lançamento do ProOliva, Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura, através do Decreto 52.479 de 29 de julho de 2015, que intensificou a cooperação e as ações envolvendo instituições estaduais, federais, municipais e a iniciativa privada. O apoio da Câmara Setorial das Oliveiras foi decisivo na criação e estruturação do Ibraoliva, em 2017.
A realização de um cadastro olivícola naquele momento era uma necessidade do setor para se conhecer a realidade produtiva da cadeia. O levantamento de dados foi realizado em 2017 e forneceu informações sobre área plantada, distribuição, número de olivicultores, viveiristas, indústrias processadoras e produção de azeite. Em março de 2018, foram publicados os resultados do primeiro Cadastro Olivícola gaúcho. Naquele momento o cadastro contava com 145 olivicultores em 56 municípios, perfazendo uma área plantada de 3.464,6 hectares.
O Cadastro Olivícola 2022 demonstrou grande incremento em termos de área plantada, número de produtores e expansão de municípios com olivais quando comparado aos dados de 2017. O levantamento identificou 5.986 hectares com cultivo de oliveiras, um avanço de 72% em relação aos índices do cadastro anterior. O número de produtores também cresceu, em proporção maior que a área, totalizando 321, um crescimento de mais de 121% em relação a 2017.
As mesorregiões do Estado que concentram maior número de produtores são a Sudeste Rio-Grandense, Metropolitana de Porto Alegre e Sudoeste Rio-Grandense, nessa ordem. As três mesorregiões totalizam 74% dos produtores de olivas do RS. Ao passo que, em termos de área de olivais, se destacam as mesorregiões Sudeste e Sudoeste Rio-Grandense, seguidas da Metropolitana de Porto Alegre. Juntas, elas abrigam 80% do cultivo de oliveira do Estado.
O número de municípios que abrigam olivais praticamente dobrou, passando de 56 para 110. Considerando aqueles onde há áreas de olivais maiores que 100 hectares, temos 16 municípios, os quais concentram 79,92% do plantio no Estado. Estima-se que 57,87% dos olivais estejam em produção, pois tem idade superior a quatro anos. Em termos de área, seriam 3.464 hectares de cultivo produtivo, e 2.522 hectares que devem entrar em produção nos próximos anos.
As variedades de azeitona mais cultivadas no Estado são Arbequina, Koroneiki, Picual, Arbosana e Frantoio. A Arbequina (variedade espanhola) e Koreneiki (grega) estão presentes em 96% e 90%, respectivamente, nos olivais. É constatada a predominância de materiais procedentes de países europeus, tradicionais no cultivo da oliveira. Em relação a materiais nacionais, é registrada uma variedade da estação da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) de Maria da Fé.



