Especial JTR: Frio ainda é a principal preocupação do produtor de pêssego

Produtor e presidente da APPRP, Mauro Scheunemann, afirma que atualmente há quatro situações nos pomares de pêssego (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Após dois anos de frustração de safra pela falta do frio, as perspectivas são boas para o setor do pêssego de Pelotas e região, na visão do extensionista da Emater Pelotas, o agrônomo Rodrigo Prestes. No entanto, ele considera cedo para definições, já que a fase é de floração dos pomares.

“Até o momento está dentro da normalidade com um bom número de horas de frio – 254 horas (menor ou igual a 7,2ºC) até a segunda semana do mês de agosto – pois quanto mais horas de frio maior a produção”, destaca. Em 2017, foram 198 horas de frio e em 2018, 378 horas, dois anos de total frustração.

Ele destaca que a média histórica do ano para a região produtora é de 496 horas no total. Em anos em que ocorreu superprodução, como 2013, por exemplo, foram registradas 921 horas de frio, de maio a setembro. Na safra, que começa em outubro com a colheita das variedades mais precoces e se estende até dezembro, não pode ocorrer geadas ou chuvas muito abundantes. No caso das chuvas, pode surgir a síndrome da morte precoce, em que as plantas morrem antes do seu pico de produção, que ocorre a partir do quarto ano. No entanto, isso só acontece quando há problemas com o clima e, neste ano, ao contrário do ano passado, não foram registradas ocorrências.

Ele destaca que Pelotas possui em torno de 3.150 hectares de pêssego e pelo menos seis mil hectares na região. Da fruta produzida, 90% é destinada à indústria e 10% é vendido in natura. A produtividade média fica em torno de 20 a 30 quilos por planta.

Parcerias para a capacitação e comercialização
A expectativa de uma safra boa suscitou uma parceria entre as indústrias, Embrapa, Emater e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pelotas (STRP) para a capacitação daqueles envolvidos com a cultura, conta o extensionista. Segundo ele, foram realizadas 12 reuniões, com a participação de 11 indústrias e que resultaram na preparação de mais de 500 produtores. Este tipo de iniciativa ocorreu pela primeira vez antes da safra.

Outra iniciativa, que tem o apoio da Emater, e vem sendo realizada nos últimos anos, é a comercialização da fruta de mesa em bancas espalhadas pela cidade, ocorrida durante a Quinzena do Pêssego e realizada uma semana antes e uma semana depois da Festa Municipal do Pêssego. “O objetivo é divulgar o produto e aumentar o consumo, visto que Pelotas é o município maior produtor e de uma fruta de qualidade”, comenta.

Além disso, auxilia na melhoria da renda do produtor e diversificação na pequena propriedade.

Campos ficam “pintados de rosa”
No campo, atualmente existem quatro situações nos pomares de pêssego: os que ainda estão em dormência, os que estão floridos, outros com as flores caindo e os com frutas em desenvolvimento, conta o produtor e presidente da Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), Mauro Scheunemann.

Os pomares em que a floração está no seu ápice oferecem um espetáculo à parte, tingindo de rosa e em vários tons os campos da colônia. “Este ano tivemos muito mais flores do que o ano passado”, analisa o produtor.

Conforme ele, o frio ajudou as plantas a expressarem todo o seu potencial, mas pode prejudicar o desenvolvimento dos frutos, se persistir por mais tempo. “Precisamos de frio na hora certa, mas parece que este não está querendo ir embora”, afirma.

Ele explica que dependendo da variedade, o ideal é de 300 a 400 horas de frio com temperatura abaixo ou iguais a 7,2 graus. Quando a fruta já está em desenvolvimento, o ideal são que as temperaturas fiquem acima de dez e até 25 graus.

Em agosto, na Colônia São Manoel, região em que estão estabelecidos vários produtores da fruta, as menores temperaturas registradas ficaram entre dois e quatro graus.

Segundo o Scheunemann, o momento ainda é de muitas incertezas, no entanto, a indústria já sinalizou que está com seus estoques baixos, o que acende uma esperança ao produtor deste tipo de fruta. No entanto, os preços precisam ser superiores aos praticados no ano passado, de R$ 1,10 e R$ 1,90, a fim de cobrir os custos de produção. “Muitos produtores estão desanimados com a cultura e estão trocando a atividade pela soja, os que possuem áreas maiores, ou ainda pelos hortigranjeiros, os de áreas menores”.

Abrangência
Há de seis a oito mil hectares de pomares de pêssego plantados na Zona Sul, com tamanho médio de cinco hectares. A atividade é centenária na região de Pelotas e mantém mais de 1,3 mil famílias em municípios como Pelotas, Canguçu, Morro Redondo, Capão do Leão, Arroio do Padre, São Lourenço do Sul e Cerrito.

Antes da quebra da dormência, já iniciam as primeiras intervenções no pomar, com a poda, feita entre os meses de maio e agosto. Após a floração, quando as frutas atingem por volta de 20 milímetros, é hora de fazer o raleio, quando o produtor decide quais irão se tornar adultas, realizado entre os meses de setembro e outubro. O auge da colheita se dá entre novembro e janeiro.

Entre as variedades mais plantadas, por ordem de colheita, e destinadas à indústria estão Bonão, Precocinho, Sensação, Granada – de dupla finalidade – Jade, Esmeralda, Maciel e Eldorado. De mesa, a mais plantada é a Chimarrita. A produção anual tem se mantido entre 30 a 35 milhões de quilos.

Festa
No mês de dezembro, os produtores celebram a safra durante a Festa do Pêssego, que este ano será realizada no dia 1º, no salão Indústria Show, Rincão da Caneleira, 7º distrito, Quilombo, com entrada pela BR-392 em frente ao trevo de acesso ao município de Morro Redondo.

No dia 8 de setembro, durante a festa anual da Comunidade São Mateus, na Colônia São Manoel, ocorrerá a escolha da corte. Participam filhas de produtores de pêssego, entre 15 e 22 anos.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome