Conab comprará R$ 100 milhões em leite em pó para ajudar produtores

Segundo presidente da Conab, intenção é amenizar as perdas dos produtores. (Foto: JM Alvarenga/Divulgação)

Os produtores de leite poderão contar com o apoio de R$ 100 milhões do governo federal para a compra do produto em pó. A aquisição será feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra Direta. O anúncio foi feito na quarta-feira (16) pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, durante a Marcha das Margaridas em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente da Companhia, Edegar Pretto.

“A Conab vai comprar R$ 100 milhões em leite da agricultura familiar. A partir de agora nós vamos operacionalizar com rapidez para chegar até o agricultor e a agricultora a compra do leite com preço melhor”, afirma o presidente da Conab.

O leite em pó a ser adquirido será destinado a pessoas em condições de insegurança alimentar e nutricional, conforme demanda do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Nos próximos dias, a Conab divulgará mais detalhes sobre a operação.

“A compra permite reforçar as ações de segurança alimentar e nutricional. O leite em pó é um produto que pode ser incluído nas cestas de alimentos ou doado para entidades que fornecem alimentação a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional”, destaca Pretto.

A medida de apoio também atende a demanda dos produtores de leite. “O que nós buscamos com essa ação é fortalecer a produção leiteira da agricultura familiar garantindo a renda dos trabalhadores e trabalhadoras de forma também a manter uma importante atividade para o país”, reforça o presidente da Conab.

Podem participar agricultores familiares organizados em cooperativas ou outras organizações que possuem DAP pessoa jurídica. De acordo com o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 98% dos estabelecimentos rurais dedicados à bovinocultura de leite, têm produção de até 500 litros/dia, respondendo por 70% da produção do país.

Gadolando aponta que medidas não contemplam produtos importados que causam queda do preço do leite

As medidas anunciadas pelo governo federal para tentar contornar a crise vivida pelos produtores de leite devem ser pouco efetivas no momento. A avaliação é da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando). Segundo a entidade, produtos que fazem o preço pago ao produtor de leite diminuir drasticamente ficaram de fora da lista anunciada.

O presidente da Gadolando, Marcos Tang, salienta que o grande problema vem da importação de produtos como leite em pó e queijo muçarela, que não foram contemplados nas medidas. “Entendemos o esforço de fazer e aumentar tarifas para impedir a entrada de produtos lácteos e ajudar, de alguma maneira, o produtor de leite nacional. Mas, queremos alertar que, uma vez que não se consegue mexer em leite em pó e queijo muçarela que são, especialmente o primeiro, os produtos que estão invadindo o nosso mercado em grande quantidade e inundando o Brasil e acabando com o preço ao produtor, estamos fazendo medidas com pouquíssimos efeitos. Lamentamos que estes produtos que são o forte da importação não estejam nesta lista contemplada pela ação”, destaca.

Para o dirigente, se estes produtos citados estivessem na lista, realmente se teria um desafogo, mas essa medida atinge produtos que não impactam tanto no preço. “É alguma coisa, mas é muito pouco”, observa.

Segundo a medida do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi aprovado o aumento do Imposto de Importação de 12,8% para 18%, pelo período de um ano, para três produtos lácteos. Foram contemplados o óleo butírico de manteiga, utilizado como ingrediente em queijos processados, outros produtos lácteos, molhos e pães, queijos de pasta mofada (azul) e outros queijos que apresentem veios obtidos utilizando Penicillium roqueforti, e queijos com um teor de umidade igual ou superior a 46% e inferior a 55%, em peso – massa macia.

Além desses itens, o Gecex decidiu anular a decisão sobre a Tarifa Externa Comum (TEC) em 10%. A medida atinge produtos como iogurte, manteiga, queijo ralado e doce de leite.

Com informações da Assessoria de Imprensa

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