Agrônomo alerta sobre sensibilidade das oliveiras ao encharcamento do solo

Por ser uma planta “muito sensível” ao encharcamento, oliveira requer especial atenção quanto à escolha do local e forma de preparar o solo. (Foto: Reprodução/Freepik)

A oliveira, por ser uma planta “muito sensível” ao encharcamento, requer especial atenção quanto à escolha do local e forma de preparar o solo. “O sucesso da exploração econômica da atividade fica na dependência desse passo inicial, pois a correção posterior é difícil e nem sempre resolve o problema”. A observação é do engenheiro agrônomo, Nélson Finardi, pesquisador aposentado da Embrapa Clima Temperado, que possui estudos e especialização na morte precoce de plantas por excesso de encharcamento do solo.

A olivicultura está presente em seis municípios da região, com destaque para Canguçu, com 683,5 hectares de seis produtores e Pinheiro Machado, com 560,3 hectares e oito produtores. A área total na região atinge 1.361,89 hectares e um total de 21 produtores. Está presente ainda nos municípios de Pedras Altas, Pelotas, Piratini e Capão do Leão.

Finardi observa que na atividade agrícola, em geral, a maioria das tecnologias recomendadas se referem à eficiência produtiva e são praticamente direcionadas à parte aérea das plantas. “Existem muitas informações sobre práticas de cultivo, nutrição, controle de pragas e doenças, etc. Poucas referências são relativas à parte “invisível” das plantas: seu sistema radicular e relação planta/solo”, ressalta.

O agrônomo explica que aproximadamente metade do total de um solo mineral de superfície é ocupado por matéria sólida. “O restante, não sólido ou ‘espaço poroso’ é ocupado por água e por gases”, diz. Ele reforça que um solo em que a aeração é considerada satisfatória deverá ter pelo menos duas características: (a) espaço suficiente livre de sólidos e água e (b) grande possibilidade para a livre movimentação de gases essenciais, para dentro e para fora destes espaços.

Segundo ele, a quantidade de água determina o total disponível do espaço com ar do solo. “O suprimento de oxigênio (O2), gás que é constantemente utilizado nas reações biológicas, deverá ser também constantemente renovado”, salienta. Ao mesmo tempo, não deverá ser possibilitada, nos espaços de ar, uma concentração excessiva de CO2, principal produto das reações biológicas.

O pesquisador explica que é necessário haver oxigênio no solo em quantidades para a respiração radicular normal porque a deficiência deste gás resultará na assimilação reduzida de nutrientes e de água. “É surpreendente que o excesso de água produza a redução desta quantidade do líquido que poderia ser absorvida pelos vegetais e pode haver murchamento e queda das folhas quando há excesso de água junto às raízes”, complementa.

Finardi observa que a tolerância das plantas a baixas concentrações de oxigênio na região das raízes varia conforme a espécie. “A Videira e o Caquizeiro, por exemplo, toleram concentrações muito baixas, cerca de 1% de Oxigênio”, diz. Já as Macieiras e Pereiras continuam ativas mesmo em concentrações entre 1% a 3%. No caso do Pessegueiro, as raízes morrem em concentrações de 2% de 02, têm crescimento reduzido a 5% e só crescem normalmente quando o O2 está entre 7% a 10%”, completa. Fazendo uso de uma tabela (confira ao final da reportagem), ele relaciona algumas espécies e suas tolerâncias ao encharcamento do solo.

Na análise, Finardi observa que a oliveira é considerada muito sensível. “Pode-se observar também, que o pessegueiro é considerado sensível. Esta observação é importante, pois, no caso do pessegueiro, a recomendação da pesquisa, há mais de 50 anos, é evitar o encharcamento do solo com a construção de “camalhão” de base larga, com declividade para cada fila de plantas cujo objetivo maior é propiciar a saída das águas das chuvas (de primavera/verão) o mais rápido possível da região onde se encontra o sistema radicular”, disse.

Tal recomendação é também válida para solos considerados “bem drenados” tendo em vista que, em função da pluviometria do Sul do Brasil, pode haver falta de oxigênio, que desencadeia o processo de morte por asfixia radicular. No Rio Grande do Sul, a pluviometria pode variar entre 1 mil milímetros a 1,9 mil milímetros anuais, nem sempre bem distribuídos.

A oliveira é cultivada, em grande escala, nas condições climáticas do Mediterrâneo (Frio e pluviometria em torno de 300 mm anuais), diz Finardi. “É fundamental a ‘seleção’ do local e a ‘maneira’ de preparar o solo para o pomar de oliveira”, ressalta.

Ele orienta que, a exemplo do Pessegueiro, deve-se buscar locais (a meia-encosta) que possibilitem a construção de camalhão de base larga – o canal coletor deve estar na metade da distância entre as filas de plantas.

Deve se evitar, ainda, plantios em linhas retas paralelas, pois haverá acúmulo de água nas ravinas onde as plantas apresentam menores volumes de copa e demais problemas (alternância de produção, morte de ramos, etc). “Esta situação pode ser observada em pomares cujas plantas são alinhadas em filas paralelas, sem o devido cuidado para evitar períodos prolongados de água das chuvas”, diz. Verifica-se ainda que as plantas com maior volume de copa e com melhores performances estão localizadas em locais mais secos.

Situação dos pomares
Segundo dados da Emater, as oliveiras cultivadas na região estão na fase de plena frutificação ou formação dos frutos. Até o momento, a frutificação é considerada normal e dentro do esperado. As condições do clima são consideradas normais, com a ocorrência de algumas precipitações na região produtora. As expectativas de produtividade e produção estão dentro do esperado.

Os olivicultores seguem monitorando a presença de pragas e doenças nos pomares e realizam as aplicações preventivas com fungicidas, para o controle das doenças “antracnose”, “repilo” ou “olho de pavão” e “emplumado” ou “cercosporiose”, assegurando a plena frutificação e sanidade das plantas, garantindo uma boa carga e desenvolvimento dos frutos nas plantas.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome