Pelotas: Pais de estudantes da Emei Bernardo de Souza levam denúncias da estrutura ao Ministério Público

A Emei apresenta telhados destruídos, rachaduras nas paredes, janelas e vidros quebrados, além de extintores vencidos e outros problemas que causam risco à vida das crianças. (Foto: Divulgação)

Considerada a maior de Pe­lotas, a Escola Municipal de Edu­cação Infantil (Emei) Bernardo de Souza foi inaugurada em 2016. No entanto, pais e responsáveis pe­los alunos matriculados declaram que a estrutura sequer deveria ter saído do papel, tendo como jus­tificativa para indignação o negli­genciado histórico de denúncias e reclamações realizadas à Prefeitu­ra e à Secretaria Municipal de Edu­cação e Desporto (SMED) ao lon­go dos anos de funcionamento.

No dia 22 de abril, os pais – ao voltarem para buscar os filhos -, e responsáveis pela direção da escola foram pegos de surpresa por uma vistoria, que determinou a suspensão das atividades escola­res por conta do risco de desaba­mento do prédio. A Emei apresen­ta telhados destruídos, rachaduras nas paredes, janelas e vidros que­brados, além de extintores venci­dos e outros problemas que cau­sam risco à vida das crianças. Após reunião online com a direção, foi determinado que o período de férias dos alunos seria adiantado para que novas medidas sobre re­alocação das crianças e a estrutura da escola fossem tomadas.

Contando com cerca de 650 alu­nos matriculados nas turmas entre berçário e pré-escola, o sentimento de insatisfação é o mesmo em to­dos os pais e responsáveis, que en­xergam na instituição de ensino um meio de seguirem com suas rotinas de trabalho enquanto seus filhos têm as necessidades atendidas.

“A gente não quer Assis Bra­sil anexo Bernardo de Souza, Ruth Blank acesso Bernardo de Souza, Albert Einstein Bernardo de Sou­za, a gente queria um prédio que comportasse todas as crianças. […]

Existem soluções, existe o prédio, a gente não tem direito de voz”, de­clara Janaína Duarte, mãe de Bernar­do, que tem um ano e dois meses, e integra uma das turmas de berçário afetada pela suspensão das aulas.

Conforme a SMED, está sendo implementado, atualmente, um pla­no emergencial de realocação dos alunos afetados pela situação na Emei. A pré-escola (pré 1 e 2) será temporariamente transferida, com quatro turmas indo para a EMEI Ruth Blank e 12 turmas para salas empres­tadas do Instituto Estadual de Edu­cação Assis Brasil. De acordo com a pasta, os esforços estão sendo rea­lizados para locação de um prédio que comporte a creche da escola.

Na última terça-feira (30), em reunião com o Ministério Público (MP), após denúncia de um gru­po de pais dos alunos, foi enviado um ofício do MP à prefeita Pau­la Mascarenhas (PSDB) em que se busca saber o que será feito com as crianças, se o novo prédio tem uma boa estrutura e se conta com o Plano de Prevenção Contra In­cêndios (PPCI), visto o relatório de denúncias apresentado pela ges­tão da escola em setembro de 2023, quando um e-mail contendo a relação de extintores presentes na instituição marcava também seus vencimentos desde 2017, foi enviado à Infraestrutura Escolar.

No entanto, de acordo com a vereadora Fernanda Miranda (PSOL), à época em que o prédio foi comprado pela Prefeitura por R$ 4 milhões, já havia uma denúncia por parte da educação, ressaltando o fato de ser um prédio antigo e não ter estrutura para o número de es­tudantes que se propunha alocar.

O que diz a Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SMED)

Segundo a SMED, as notifica­ções sobre a questão estrutural fo­ram evidenciadas de forma mais frequente após a passagem do ci­clone. Todavia, a Prefeitura destaca que desde a gestão anterior, as so­licitações de reparos, especialmen­te em telhados, foram frequente­mente realizadas pela pasta. O que se percebe no atual período é que a estrutura do prédio chegou no limi­te, demandando uma intervenção permanente, e não mais paliativa, a fim de diminuir os impactos no de­senvolvimento escolar dos alunos. Foi proposta a antecipação do re­cesso realizado no meio do ano le­tivo, de forma a garantir o calendá­rio escolar. Além disso, a equipe da SMED estuda alternativas para ga­rantir a continuidade do ensino du­rante o período de transição.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome