Dia da Indústria: Cipel projeta atração de novas empresas para Pelotas e região

O presidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel), Augusto Vaniel, afirma que, atualmente, o setor industrial de Pelotas é composto por pequenas, médias e grandes indústrias e passa por dificuldades ao longo do tempo, em parte já superadas. (Foto: Divulgação)

O potencial tecnológico e lo­gístico de Pelotas é um fator fun­damental para a atração de novas empresas ao município, impulsio­nado ainda pela situação atual de enchentes que atinge o Rio Gran­de do Sul e paralisou pelo menos 90% da produção industrial gaú­cha. “Acreditamos que possa ha­ver uma migração de outras regi­ões para a nossa, que está menos afetada por todos estes proble­mas climáticos, especialmente enchentes e deslizamentos ocor­ridos nas últimos semanas em ou­tras regiões do Estado”, diz o pre­sidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel), Augusto Vaniel.

Ele aposta no desenvolvimen­to crescente do setor a partir de fatores como a duplicação da BR-116, que reduziu a distância entre Porto Alegre e o interior, disponi­bilidade de voos regulares para o centro do país pelo aeroporto lo­cal, proximidade do Porto de Rio Grande com favorecimento factí­vel às exportações. “Hoje, o setor industrial de Pelotas é composto por pequenas, médias e grandes indústrias e passa por dificuldades ao longo do tempo, em parte já superadas”, acredita Vaniel.

O futuro da indústria passa também pelo desenvolvimento de tecnologias, amparado pelo Parque Tecnológico e universidades locais, aposta o presidente do Cipel. “A mão de obra especializada da re­gião deve contribuir para esta cogi­tada migração de empresas, já que através das universidades Pelotas é hoje um polo formador de profis­sionais da alta capacidade intelec­tual”, afirma. A qualidade de vida e a segurança também são fatores im­portantes citados por Vaniel.

Com 76 anos de atividades, o Cipel agrega representantes de nove sindicatos ligados ao setor industrial local. São eles: os sin­dicatos da construção civil, da indústria do arroz, couros, me­tal-mecânico, gráficos, doces e conservas, carnes, vestuário e pa­nificação, massas e biscoitos. Foi criado pensando no desenvol­vimento regional, missão maior a que se dedica até os dias atu­ais. “O Cipel atua ainda como in­terlocutor junto aos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciá­rio – para desenvolver atividades institucionais, políticas temáticas, entre outros temas ligados aos as­sociados e à atividade industrial”, ressalta. Desempenha trabalho também como braço da Federa­ção das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) no apoio ao setor industrial da Região Sul.

Economia

Na visão do economista João Carlos Madail, a região é carente de indústrias. Há 20 anos, Pelotas tinha mais de 40 agroindústrias que processavam aspargos, toma­te, pepino, ervilha, milho, cebola e, principalmente, frutas como o pêssego e o figo. “Hoje, estão res­tritas a seis indústrias modernas que utilizam equipamentos subs­titutos da mão de obra produzin­do compotas de pêssego na mes­ma proporção”, destaca.

Madail aponta ainda indústrias como a Lifemed, Josapar, Tordilho, Biri, Camar e outras – a maioria vol­tada para o ramo da alimentação. “O destaque, me parece, fica para a indústria da construção, a que mais emprega na região”, salienta.

O economista ratifica que a re­gião possui credenciais para atrair empreendimentos industriais inte­ressados em produzir para o mer­cado interno e externo, afinal o Porto exportador está próximo. “A minha sugestão para os governos municipais é elaborarem planos de desenvolvimento industrial, vi­sitando grupos empresariais de ou­tros estados, definindo vantagens em termos de instalação e isen­ção de tributos, tendo como troca a geração de empregos”, comenta.

Conforme ele, isto pode ser feito via embaixadores dos muni­cípios deslocados para os centros onde estão instaladas as matrizes industriais, como montadoras de automóveis, fábricas de calçados e roupas, entre outras.

Dia da Indústria

Em Pelotas, o Dia da Indústria, 25 de maio, foi comemorado já na terça-feira (21), durante almoço na Casa da Indústria do Cipel, localiza­da no parque do Serviço Social da Indústria (Sesi), com a participação de diretores do segmento e dos nove sindicatos que integram o Ci­pel. De acordo com Vaniel, durante o evento foi discutido o futuro do setor em Pelotas e região.

O dia 25 de maio foi escolhido como Dia da Indústria em homena­gem ao patrono da indústria nacio­nal, Roberto Simonsen, que faleceu em 25 de maio de 1948. Simonsen foi um engenheiro, industrial, admi­nistrador, professor, historiador e político, além de membro da Aca­demia Brasileira de Letras (ABL). Também foi presidente da Confe­deração Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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