Ministério Público investiga médica que aplicou indicou nebulização de hidroxicloroquina em Camaquã

Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã. (Foto: Divulgação/HNSA)

Um caso envolvendo o tratamento de pacientes com covid-19 está chamando atenção desde a sua divulgação, na última quarta-feira (24). No Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, a médica Eliane Scherer administrou um tratamento sem qualquer comprovação científica, utilizando hidroxicloroquina diluída em soro para a nebulização de pacientes com covid-19, três vieram a óbito durante a semana.

Ainda não se sabe se a medicação contribuiu para a piora no quadro clínico dos pacientes, mas em entrevista para o G1, o diretor técnico do hospital, Tiago Bonilha, contou que três dos quatro internados que fizeram o tratamento defendido pela médica, apresentaram taquicardia ou arritmias após a nebulização.

Eliane Scherer já havia indicado a nebulização com hidroxicloroquina a outro paciente que, após ter melhora e receber alta do hospital, saiu divulgando e defendendo o tratamento, chegando a dar seu depoimento em uma rádio local. Após esse fato, várias pessoas procuraram o hospital e a médica em busca da medicação.

Durante o final de semana, duas famílias acionaram o Judiciário pela liberação do tratamento, logo em seguida, outras duas também conseguiram o aval. Dos quatro pacientes que receberam a nebulização, três morreram.

Ministério público investiga o caso
A promotora de justiça de Camaquã, Fabiane Rios, explicou que o Ministério Público do Rio Grande do Sul investiga as condutas da médica Eliane Scherer no Hospital Nossa Senhora Aparecida. Tanto ocorrências anteriores, quanto a mais recente com tratamento sem respaldo científico.

Fabiane explicou que o Ministério está atrás das pessoas envolvidas e averiguando se foram ou não cumpridos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, bem como questões de ética médica. 

Ainda segundo a promotora, “se for constatada a imperícia da médica ao adotar tal procedimento, causando o óbito dos pacientes, sua conduta será apurada na esfera criminal”.

OMS alerta sobre o uso de Hidroxicloroquina
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já se pronunciou contra a utilização de hidroxicloroquina como tratamento preventivo para covid-19. Estudos realizados em vários países não comprovam a sua eficácia quanto a doença. Além disso, segundo a bula do remédio, ele deve ser administrado via oral, sem qualquer indicação para outra forma de uso, como inalação.

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