
Velocidade nas pistas de corridas – maratonas e meia-maratonas – marcaram a vida esportiva da ex-atleta Marli Matias, que por cerca de 30 anos encantou milhares de espectadores em eventos regionais, estaduais, nacionais e até internacionais. No mundo do atletismo amador, o nome de Marli é sinônimo de guerreira, de luta, de grandeza esportiva. Se havia competição atlética de velocidade e resistência, a pedro-osoriense, hoje com 60 anos, e há cerca de 50 vivendo em Pelotas, estava lá, com sua humildade e determinação para brilhar e representar a todos os que nela acreditavam,
A ex-atleta, filha de dona Adalci, foi assim: rápida, determinada, uma vencedora, que treinava sua resistência nas rodovias próximas de Pelotas, direção a Capão do Leão ou ao distrito Cascata, que disputou São Silvestres e também exibiu seus dotes esportivos em competições no Uruguai, Argentina e até Portugal. Não dá para falar em atletismo na zona sul do Rio Grande do Sul sem falar em Marli, a campeã.
Em 2014, a ex-atleta brilhou competitivamente pela última vez ao vencer a Supermaratona de Rio Grande. Porém, o destino que lhe colocou no auge também lhe pregaria uma peça dessas bem desagradáveis. Em 2015, Marli concluiu um curso de Massoterapia e começava a pensar na vida fora das pistas. De repente, um mal físico se abateu sobre ela, impedindo-a de realizar exercícios físicos, uma espécie de paralisação dos membros da cintura para baixo. Ou isquemia medular. Além de não poder mais correr, a ex-atleta foi impedida de desempenhar atividades como profissional massoterapeuta. A Marli que caminhava, que corria, precisou adaptar sua mobilidade em uma cadeira de rodas.
Nos últimos 10 anos, a ex-atleta, de muitos títulos na carreira, vez por outra é homenageada, lembrada por suas glórias, acompanha eventos atlético-esportivos. Em 2016, por exemplo, desfilou em cadeira de rodas carregando a Tocha Olímpica símbolo dos Jogos Olímpicos do Brasil, em sua passagem por Pelotas. Momento mágico.

A propósito, a Marli atleta sempre foi mágica, veloz, brilhante: correu, venceu, perdeu, mas brilhou. “Todas as corridas, cada prova, foram importantes, eu sempre procurei representar bem a minha cidade e as pessoas que acreditavam em mim e sempre me apoiaram”, reconhece a maratonista multicampeã, dona de uma história esportiva ímpar, registrando o apoio que sempre recebe da Unimed Pelotas.
A Marli não corre mais, nem de brinquedo. Em sua cadeira de rodas, ela anda pelas ruas da Princesa do Sul sem perder a ternura e simpatia que sempre acompanharam o talento e resistência que a tornaram referência nas pistas atléticas que foram palco para suas performances.
Sem perder a fé em voltar a caminhar, a ex-atleta segue uma rotina de atenção aos cuidados fisioterapêuticos e atenção para com a melhor qualidade de vida possível.



