Inverno gera impactos econômicos positivos e movimenta cafés coloniais da região

A Casa Härter é um dos empreendimentos do município de Turuçu que ganha destaque nos dias mais frios. (Foto: Divulgação)

O inverno tem gerado impactos econômicos positivos e aumento da mão de obra no setor gastronômico e turístico da zona sul. Com a chegada das baixas temperaturas, municípios da região passam a atrair visitantes interessados em consumir cafés coloniais em meio a natureza, conectando gastronomia, cultura e paisagem enquanto buscam uma alternativa para se aquecer com alimentação de qualidade em espaços aconchegantes.

Conforme Jussara Argoud, analista e gestora dos Projetos de Turismo no Sebrae RS, o inverno fortalece experiências ligadas à cultura, à gastronomia e ao acolhimento regional. Nesse sentido, durante a estação, ela aponta que a economia deste segmento tem um impacto significativo. “Cresce a procura por pratos típicos, cafés coloniais, doces tradicionais, vinhos, azeites e experiências mais intimistas, valorizando a identidade cultural da região. Municípios da Costa Doce, Serra dos Tapes e Campanha também passam a atrair visitantes interessados em turismo rural”, explica.

Apesar de haver carência de indicadores específicos sobre o turismo gastronômico nos dias frios na região sul do estado, os dados estaduais mostram que o inverno têm forte impacto na geração de emprego e renda, “especialmente nas atividades de alimentação, hospedagem e experiências turísticas ligadas à gastronomia e cultura”. Além disso, segundo ela, “os dados do Observatório do Turismo do RS também mostram que o segmento de alimentação representa a maior parte dos negócios turísticos do Estado, com mais de 117 mil empreendimentos ligados à gastronomia e alimentação”.

Estação produz efeitos em espaços tradicionais
Para Jussara, os cafés coloniais têm se consolidado como uma oportunidade valiosa de posicionar a região como um destino de experiências autênticas que podem movimentar o mercado não apenas no verão. “A estação ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo, movimentando hotéis, restaurantes, cafeterias, agroindústrias e o comércio local fora da alta temporada da estação mais quente”, pontua.

De acordo com ela, em sua maioria, os empreendimentos de cafés coloniais da região Sul do RS possuem um perfil familiar, ligado às tradições culturais das comunidades locais, especialmente de origem pomerana, alemã, italiana e portuguesa. “Muitos estão integrados ao turismo rural e valorizam a produção artesanal, utilizando receitas típicas, produtos coloniais, doces caseiros, cucas, pães, geleias e ingredientes produzidos na própria propriedade ou por produtores locais”, completa.

A Casa Härter Café Colonial, localizada em Turuçu, é um destes casos. A proprietária Simone Härter conta que o café funciona em um casarão centenário de sua família, estando ela na 4ª geração de utilização do espaço. Para ela, o inverno é uma estação que representa um aumento ainda maior no fluxo de visitantes e, consequentemente, no setor financeiro. “O faturamento cresce cerca de 70% na estação. Minha equipe é formada por seis pessoas fixas, no inverno aumenta pra nove. Somente quando há muita chuva as pessoas não gostam de vir pois um trecho não é asfaltado. Em dias sem chuva o inverno é perfeito pra nós”, pontua.

Simone ressalta que os produtos mais procurados em dias com baixas temperaturas são as sopas quentes e cafés, mas o conhecido suco de morango segue sendo o carro-chefe do local. Em relação ao aumento no preço dos insumos para produzir o cardápio, ela afirma sentir a diferença, no entanto, a proprietária conseguiu manter o valor do café colonial. “Eu mantive o mesmo preço pois têm coisas que aumentam e outras que diminuem, então consigo trabalhar bem”, detalha.

Cafés como símbolo de conforto giram a economia
No Restaurante & Café Colonial Cascata, em Pelotas, segundo Gislaine Bichet, proprietária do local, a chegada da estação representa 70% do faturamento anual. O espaço, que completa 8 anos no domingo (31), sente que os clientes procuram comodidade e acolhimento nesta época. “A procura pelo café agora é bem grande devido a chegada do frio. As pessoas buscam um lugar aconchegante que possam se sentir em casa”, conta. Ela comenta que, mesmo com o grande movimento, mantém a mesma equipe de outras estações do ano.

O Restaurante & Café Colonial Cascata, está localizado no interior de Pelotas. (Foto: Divulgação)

Gislaine afirma que seu empreendimento se destaca pelo chocolate quente, quentão e o café, além dos tradicionais doces e salgados. Assim como Simone, ela conseguiu manter o valor do seu cardápio. “O valor dos itens foi afetado, como o chocolate e o café, mas mantemos o valor do ano passado. Se subirmos muito o preço o pessoal não procura mais o local”.

A proprietária do Sítio Casa da Figueira, em Arroio do Padre, Ecléia Kruger, também sente um crescimento no número de consumidores na estação. Devido a isso, ela afirma acreditar que muito em breve os cafés coloniais serão referência em turismo de inverno na região. “Temos uma lotação muito boa sempre, mas lotamos mais rápido no inverno. Posso dizer que a procura aumenta em 30%, e sempre contratamos mão de obra temporária nesse período”, diz.

De acordo com Ecléia, o próprio local se destaca na escolha de destino em dias úmidos e com baixas temperaturas. “O clima frio e úmido, por vezes com vento minuano soprando numa paisagem de inverno, no espaço um ambiente quente com comida afetiva e típica. Isso é uma experiência a ser vivida! A procura por lugares fechados, aquecidos por fogão a lenha, traz o aconchego que o inverno proporciona. Não se trata só de comer, mas de vivenciar uma experiência de serra que nossa região proporciona”.

Quanto a alimentação, ela enfatiza que a época favorece um cardápio mais calórico. “Aumenta a procura no buffet por produtos mais quentinhos, como sopa, caldos, chás… o queijo colonial também é um produto que se destaca nesse período. O rievalsback e a roda de carreta são sempre muito bem apreciados. As pessoas de modo geral consomem mais nessa época de inverno”, comenta.

O Sítio Casa da Figueira, em Arroio do Padre, tem um aumento
de 30% na procura durante o inverno. (Foto: Divulgação)

Produtores e agroindústrias são beneficiados no período
O mercado também sente um impacto pela compra e venda de produtos de agricultores e fornecedores da região, que, assim como o fluxo de visitantes, crescem ainda mais no inverno. “No meu café quase todos os insumos são dos produtores do município e das agroindústrias locais. Também tenho em meu estabelecimento um pequeno espaço que vende alguns dos produtos, como queijo, geleias, doce de leite, etc. Assim, ajudo muito indiretamente”, confirma Simone.

Gislaine também utiliza de produtos de agroindústrias, buscando manter o padrão de qualidade e, consequentemente, acentuando o faturamento dos produtores no inverno. “Vinho, suco, queijo, todos são da nossa região. A gente procura sempre os doces também, são as chimias, as geleias. Todos os itens bem coloniais mesmo”, detalha.

Para Ecléia, valorizar o que é da região no sítio fortalece a economia. Ela explica que, muitas vezes, após experimentar os produtos nas receitas do café, o cliente adquire os itens em casas de produtos coloniais ou direto nas propriedades agricultoras. “Compramos tudo de agricultores próximos para servir no nosso buffet, como os queijos artesanais, sucos de uva e de pêssego, linguiça, salames, carnes… até mesmo os produtos da horta, como alface, rúcula, alho-poró, temperos e ovos”, finaliza.

Programação
Casa Härter Café Colonial
Horários: Sábado, domingo e feriados, mediante reserva, das 11h30 às 17h30
Onde: Colônia São José Interior, Turuçu
Valor: R$55

Restaurante & Café Colonial Cascata
Horários: Sábado, domingo e feriados, das 11h30 às 19h
Onde: Cascata, Pelotas, Km 87 da BR 392
Valor: R$79,90

Sítio Casa da Figueira
Horários: Sábado, domingo e feriados, mediante reserva, a partir das 12h
Onde: Arroio do Padre, ERS 737, Km 19
Valor: R$75