Governo anula leilão para compra de arroz importado após suspeitas de irregularidades

O governo havia decidido importar arroz devido às enchentes no Rio Grande do Sul, uma vez que o Estado é responsável por 70% da produção nacional do grão. (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, anunciou nesta terça-feira (11) a anulação do leilão do governo para compra de arroz importado. A medida foi tomada após suspeitas de irregularidades no leilão para compra de 263,3 mil toneladas de arroz realizado na última quinta-feira (6).

Durante reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pretto, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ficou decidido que um novo procedimento, mais ajustado, será realizado. No leilão anterior, empresas sem histórico de atuação no mercado de cereais participaram do certame e arremataram lotes a um preço médio de cerca de R$ 25 por saco de 5 quilos de arroz.

O governo havia decidido importar arroz devido às enchentes no Rio Grande do Sul, uma vez que o Estado é responsável por 70% da produção nacional do grão. Com as inundações, a dificuldade no transporte do cereal para o restante do país levou à necessidade de compra do produto para evitar uma alta nos preços.

Segundo Teixeira e Fávaro, o governo identificou fragilidades nas empresas participantes do leilão e decidiu anular o pregão. O novo edital será feito com auxílio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Receita Federal, visando avaliar as condições técnicas e financeiras das empresas habilitadas antes do pregão.

Também nesta terça-feira, o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, pediu demissão após suspeitas de conflito de interesse. Matéria do site Estadão informa que o diretor de Abastecimento da Conab, Thiago dos Santos, responsável pelo leilão, é uma indicação direta do secretário. Além disso, a FOCO Corretora de Grãos, principal corretora do leilão, é do empresário Robson Almeida de França, que foi assessor parlamentar de Geller na Câmara e é sócio de Marcello Geller, filho do secretário, em outras empresas.

Fávaro confirmou que aceitou a demissão do secretário. “Ele [Geller] fez uma ponderação que, quando o filho dele estabeleceu a sociedade com esta corretora lá de Mato Grosso, ele não era a secretário de Política Agrícola, portanto, não tinha conflito ali. E que essa empresa não está operando, não participou do leilão, não fez nenhuma operação, isto é fato. Também não há nenhum fato que desabone e que gere qualquer tipo de suspeita, mas que, de fato, isso gerou um transtorno e, por isso, ele colocou hoje de manhã o cargo à disposição”, explicou o ministro.

*Com informações do g1 e da Agência Brasil

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