Cadeia produtiva da moda representa 7,1% do total de empregos formais do RS, aponta pesquisa

Foto: Divulgação/Ascom

Uma cadeia produtiva que está na raiz da industrialização do Estado e engloba um universo de 32,5 mil empresas responsáveis pela geração de 238 mil postos de trabalho, a indústria da moda segue em papel de destaque na economia do Rio Grande do Sul. Um estudo inédito do setor, elaborado pela Secretaria de Estado de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), mostra que o segmento da chamada economia criativa representava, em 2018, 7,1% do total de postos de trabalho formais e 7,3% das unidades produtivas do RS, além de ser a área de trabalho de mais de 83 mil profissionais que atuam como microempreendedores individuais (MEIs).

A divulgação nesta quinta-feira (29) da pesquisa “A cadeia produtiva da moda no RS: trajetória e tendências”, elaborada pelo pesquisador Tarson Nuñez, do Departamento de Economia e Estatística (DEE/SPGG), dá sequência aos trabalhos desenvolvidos em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) para subsidiar o RS Criativo, programa da Sedac criado para fortalecer a economia criativa do Estado. O lançamento ocorreu em evento virtual e contou com a participação da titular da pasta, Beatriz Araujo, da coordenadora do RS Criativo, Carolina Biberg, do pesquisador Tarson Nuñez, do integrante da Divisão de Atividades Produtivas do DEE/PGG Rodrigo Feix, além de representantes de universidades de moda e dos movimentos MAG Moda Autoral Gaúcha e Fashion Revolution.

“As pesquisas, resultado da parceria da Sedac com a SPPG, têm se mostrado muito profícuas. Os estudos nos apontam novos cenários, e o RS Criativo tem feito um importante trabalho de mobilização e fomento à economia criativa do setor da moda, reunindo universidades, pensadores, empreendedores e pesquisadores para vislumbrar novos caminhos para o RS”, analisa a secretária Beatriz Araujo.

“A valorização do setor é uma demanda do próprio governador Eduardo Leite. E a pesquisa nos dá uma luz, permite que o nosso trabalho seja mais pontual, com políticas públicas precisas, pensadas nas necessidades da sociedade gaúcha. É um trabalho definitivo para que possamos alcançar nossos objetivos”, afirma a secretária.

Evolução do segmento
Apesar de ocupar um espaço importante na economia gaúcha, a cadeia produtiva têxtil-vestuário tem perdido terreno, seguindo uma tendência de queda no Rio Grande do Sul e no Brasil nos últimos anos. Entre 2006 e 2018, os dados do IBGE mostram uma redução de 29,2% no número de empresas do setor no Estado, contra 13,7% no registrado no país. Quando se fala no número de postos de trabalho formais, a cadeia perdeu 47,4 mil vagas no RS no período (16,6%), enquanto no Brasil o percentual cresceu 1,3%.

Com o movimento de queda, a cadeia produtiva também viu a redução de seu peso na economia do Estado. Em 2006, as empresas do setor representavam 10,4% do total e 9,8% dos postos de trabalho formais, caindo para 7,3% e 7,1% em 2018, respectivamente. Entre as atividades da cadeia produtiva, o setor de couro e calçados é o que enfrenta situação mais crítica, com a maior redução no número de empresas no RS (41,8%), percentual de queda próximo ao que o setor teve nos postos de trabalho formais, com menos 106,66 mil vagas (35,6%).

Perspectivas e tendências
Visto o cenário desafiador que a cadeia produtiva da moda do RS enfrenta no contexto atual, o estudo do DEE/SPGG sinaliza para a adoção de estratégias que passem por um conhecimento mais profundo das tendências do setor em escala global, trilhando um caminho para reversão do movimento negativo. Segundo o pesquisador, a perspectiva de queda pode ser alterada se compreendermos as dinâmicas do mercado mundial.

“Desde o início dos anos 2000 há uma demanda crescente dos consumidores em relação aos processos produtivos. As preocupações em relação aos direitos dos trabalhadores e a sustentabilidade ambiental dos processos produtivos são um elemento decisivo para a conquista dos mercados.”

Elas se expressam em movimentos como o Fashion Revolution, que defende o consumo consciente e busca uma relação diferente entre a indústria da moda, os territórios e as pessoas envolvidas nos processos produtivos e de consumo. A pesquisa aponta um potencial de crescimento para a cadeia da moda no Estado por meio da incorporação desse novo paradigma.

“As atividades ligadas à cadeia produtiva da moda têm uma presença histórica no Rio Grande do Sul e, apesar do declínio na última década, o seu potencial de crescimento pode ser retomado. Os desafios do século 21 demandam que estratégias sejam substituídas ou complementadas por uma nova visão, por isso é importante compreender as novas tendências dos mercados e as novas demandas dos consumidores”, conclui Nuñez.

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