Sebrae busca envolvimento para fortalecer o turismo regional em 2024

A gestora de projetos em Turismo da agência Regional Sul do Sebrae, Jussara Argoud, aposta na integração entre economia criativa e turismo para este ano. (Foto: Reprodução)

Promover um maior envolvimento entre os atores da cena turística de Pelotas e região é o que a agência Regional Sul do Sebrae pretende para fortalecer o setor em 2024. A informação é da gestora de projetos em Turismo da instituição, Jussara Argoud, que este ano completa 21 anos de experiência na área, com atuação nos 33 municípios de abrangência da unidade.

O primeiro projeto neste sentido ela quer tirar do papel já em fevereiro. Do papel. Da gaveta ele já saiu. As primeiras conversas iniciaram em 2023 com vistas à execução do Conexão Pelotas Território Criativo. A interlocução inicial se deu com coordenadores de cursos universitários que a gestora pensa em contar para fazer a integração entre economia criativa e turismo. São cursos oferecidos na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) na área de Música, Cinema, Teatro, Dança, Moda, Publicidade, Design, Arquitetura e Jornalismo – para começo de conversa. “Temos que oferecer produtos diferenciados, não podemos mais continuar vendendo sal, açúcar e centro histórico, percebemos que é hora de ampliar nosso portfólio”, explica.

Ela sabe que a proposta é ousada e implica muita discussão para chegar a um alinhamento mínimo entre as partes. Mas é otimista. Não fosse, hoje a região de abrangência do Sebrae não contabilizaria dezenas de projetos e empreendimentos em atividade. Lembra que um dos mais sólidos roteiros, o Morro de Amores, começou em 2014 em Morro Redondo com apenas seis empreendimentos. Hoje são 44. No Pelotas Colonial, atual Doces Caminhos Rurais, que contou com assessoramento técnico do Sebrae durante dez anos seguidos, havia 15 empreendedores em 2005. Atualmente soma mais de 40. Além de envolvimento, Jussara aprendeu nesses 21 anos que persistência e resiliência também compõem o tripé para tornar o Turismo uma atividade econômica sustentável. E ela leva esses três pilares na bagagem nessa nova iniciativa.

“Se conseguir em 2024 integrar ao menos três produtos turísticos à economia criativa será um grande avanço, não acredito que em dois anos não vai avançar”, afirma ela, com otimismo. Mas o que se representaria na prática, esse laço entre turismo e a tal economia criativa? Mais simples do que se imagina. Jussara responde: “Visitar o Museu do Doce [Casarão 8 da praça Coronel Pedro Osório] e se deparar com alguém tocando violino, ou num outro ambiente alunos do [curso de] Teatro da UFPel reproduzindo a cena de uma antiga confeitaria ou preparando doces tradicionais pelotenses – minha provocação é essa”.
A gestora sabe que para essa chave girar muita articulação será necessária. Mas é o que pretende o quanto antes “para botar em março na rua”.

Para além desse, outros projetos estão na pauta da Regional Sul do Sebrae na direção de consolidar o turismo em Pelotas e região. São nas áreas de turismo rural, no roteiro da Costa Doce Gaúcha, na praia da Capilha (Rio Grande), no posicionamento estratégico do município de Rio Grande e em um evento em âmbito nacional em parceria com a Associação dos Produtores de Doces de Pelotas sobre Indicação Geográfica (IG) de todo o Brasil – selo indicativo de procedência conquistado pelo doce tradicional de Pelotas em 2012. “Queremos trazer informações a respeito e entender a importância das IGs ao principal produto de cada região e como isso agrega valor ao turismo”, completa.

A parceria com as doceiras vai ao encontro do que a gestora de projetos de Turismo no Sebrae defende para o setor: integração e envolvimento. “União e cooperação entre todos os envolvidos, entre todos que podem ganhar com um Turismo mais consolidado, têm nos mostrado que são fundamentais para competir em um mercado crescente – não se faz Turismo sem empreendedores, são eles que abrem hotéis, pousadas, parques e restaurantes”, diz.

Para ela, poder público e instituições como o Sebrae existem como ponto de apoio à iniciativa privada. Essa “liga”, na avaliação da gestora, ainda carece de avanços em Pelotas. “Precisa ir além, Pelotas precisa de mais envolvimento e integração entre todos os atores para o Turismo florescer mais no município, se cada um ficar isolado em seu grupo ou em seu empreendimento vamos ver o setor avançando em um ritmo muito mais lento do que poderia e do que gostaríamos”, alerta.