Na primeira parte do conteúdo “Todo o poder emana do povo?”, publicado na edição passada, revisitamos o passado para evidenciar os impactos da ditadura civil-militar sobre milhões de brasileiros de diversas gerações, iniciando-se em 1947 e se estendendo aos nascidos em 1970, que foram privados do direito ao voto para escolha do Presidente da República, governadores e prefeitos de cidades de fronteira – cargos que eram designados pela ditadura.
Na política, as ações se justificam por algum motivo e este pode ser teórico, ideológico, pessoal, dentre outros. Para demonstrar isso, propomos uma reflexão sobre a participação popular na maioria dos partidos políticos brasileiros.
Tudo começa pelo partido político, que é uma empresa, uma pessoa jurídica cujas únicas finalidades são: arregimentar filiados, validar política e juridicamente candidaturas e alianças políticas e, por fim, vencer eleições.
Por ser o partido político uma empresa devidamente registrada e aprovada pela legislação eleitoral brasileira, necessita de recursos para subsistir, pagar aluguéis de imóveis utilizados pelos diretórios, pagar salários para os membros da Executiva, despesas de viagens, palestras, convenções, serviços advocatícios e outras despesas decorrentes do funcionamento de uma empresa com atuação nacional. Os recursos para o custeio de tudo isso são provenientes do fundo partidário, repassado anualmente sem importar se o partido conquistou algum mandato eletivo.
Partidos políticos são estruturas representativas necessárias em regimes democráticos. O que questionamos aqui é a centralização do poder nas mãos dos “caciques partidários”.
O partido político é parido do desejo individual ou coletivo de um determinado grupo político que, em sua grande maioria, é formado por políticos dissidentes de outras siglas que querem um partido para chamar de seu.
Quais os motivos que levam brasileiros/as a se filiarem a um partido político?
As motivações podem ser diversas, individuais ou coletivas. Dentre elas destacamos o gosto pela política, o desejo de participar do núcleo de poder, o interesse em disputar cargos eletivos e até mesmo prestar apoio ao partido ou a algum candidato que tenha êxito nas eleições e possa lhe conseguir um emprego.
A partir desta formação partidária, composta por instâncias de poder (diretório) e filiados, são definidas candidaturas, alianças e outras estratégias da sigla para o jogo político na disputa de uma eleição. A convenção, salvo algumas exceções, torna-se o ato formal que legitima as decisões do núcleo de poder do partido.
Uma dedicatória à Zona Sul
Sabendo um pouco mais sobre partidos políticos, seu funcionamento e seus únicos objetivos como empresa sociopolítica, é possível afirmar que não é verdadeira a frase “o povo não sabe votar”.
O povo não comparece para votar, anula o voto, vota em branco ou valida o voto motivado pelos candidatos que lhes são oferecidos.
Os partidos, vivendo do passado, apresentam candidatos que ainda podem ter nome ou sobrenome, mas não têm mais capital político e votos.
Por outro lado, vê-se vereadores de Pelotas cumprindo os dois primeiros anos de mandato, com pequeno capital político de 2 mil votos num universo de 238 mil eleitores, se preparando para uma candidatura a deputação estadual ou federal sem nem conhecer a região.
Não bastasse tudo isso, ainda convivemos com aqueles que vêm de fora querendo nos ensinar o que deve ser feito para desenvolver a Zona Sul. A estes devemos informar que se dirijam ao Governador do estado, que é natural de Pelotas, e apresentem seus projetos. Se Eduardo Leite, a maior autoridade do estado, juntamente com sua aliada Paula Mascarenhas, governaram Pelotas por 12 anos e não deixaram marcas positivas no desenvolvimento industrial, comercial e agropecuário, o que farão aqueles que sequer conhecem a região?
É urgente que partidos políticos e instituições de classe busquem em meio às comunidades candidatos que representem efetivamente algo novo e com apelo popular. Estes serão os escolhidos e representarão o poder que emana do povo. É preciso que os municípios, através de suas populações e suas instituições representativas, participem de uma grande mobilização onde possam legitimar nomes com conhecimento profundo da região para possíveis candidaturas, pois somente assim a Zona Sul voltará a ter representatividade.
Caros leitores, quando um candidato visitar tua cidade, faça perguntas, teste o conhecimento dele sobre a economia, o comércio e até sobre a localização dos bairros – coisas simples para quem conhece a região. E muito cuidado com os vereadores que irão tentar conquistar teu voto para um candidato de fora.



