Tempestades

Tudo acontecendo como se os minutos fossem peças de um jogo de dominó, caindo em cadeia, uma a uma, desmoronando expectativas por cima do tabuleiro da vida.

Em pleno centro da tempestade, se perde o rumo e o prumo. Não há quem resista à força dos vendavais. Parece que uma conspiração invisível de acontecimentos indesejados se sucede com o propósito de nos desestruturar. E o tapete é puxado, apaga-se a luz do fim do túnel, não se enxerga a saída, só se veem os problemas com uma lente de aumento intransigente.

Em meio às tempestades, o raciocínio deixa a lógica de lado e elabora conjecturas negativas rodeadas por nuvens escuras e muitas trovoadas. Nada é tão desgastante, e exaure nossas forças ao limite máximo, como o assolar de situações problemáticas que se entrelaçam como armadilhas sob os nossos pés.

Noutro dia, ouvi alguém dizer:” Preciso apagar inúmeros incêndios”. Num primeiro momento, pensei se tratar da necessidade da resolução de enigmas e dei de ombros desinteressadamente. Afinal, o assunto não me dizia respeito. Eram mistérios que fugiam a minha alçada.

Nessa semana que passou, entendi em gênero, número e grau no extenso sentido da expressão, o sentido de “apagar incêndios”.

Tudo acontecendo ao mesmo tempo, sem intervalo para me deixar respirar ou pensar com lucidez. Uma série de ocorrências inesperadas, desencadeando uma avalanche de preocupações sobre minha cabeça. Circunstâncias que desestabilizaram a calma vigente e estabelecida do “tudo no seu devido lugar”. Um vendaval soprado não se sabe de onde e muito menos, como, espalhou a pilha de papéis arrumados simetricamente sobre a mesa, desarrumou a agenda formatada para o decorrer da semana, desconfigurou programas do computador, desfigurou a minha face, colocando em mim um véu sombrio de angustiantes preocupações.

Por mais que tentassem me convencer de que era apenas uma tempestade passageira e, de que tudo se resolveria da melhor forma no tempo certo, continuei insistindo no fator ansiedade mesclada com fios de alta tensão em meio ao temporal. Que perigo!

Durante as tempestades toda e qualquer imprudência age contra nós. Mas, nesse período de relâmpagos e trovões paramos de raciocinar e nos encolhemos num canto como prisioneiros do medo do imprevisível. Ficamos sem reação, sem visão, sem perspectivas.
As tempestades repentinas nos anulam e sorvem nossa energia num só gole.

Apesar e além das minhas limitações, tão subitamente como chegou, a tempestade se foi dissipando e as peças do jogo de dominó se acomodaram na caixa de vidro transparente, uma ao lado da outra, como se nada houvesse acontecido, como se o vendaval fora apenas um pesadelo passageiro.